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Dinheiro: quanto guardar para uma emergência?

Redação Vya Estelar 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Comprar a prazo quase nunca é bom

por Eliana Bussinger

Há alguns anos atrás, eu tinha uma aluna que sempre chegava atrasada e inevitavelmente as amigas perguntavam: "Quebrou o carro?" E ela respondia: "Não, felizmente, não foi hoje".

Tantas vezes escutei essa conversa que um dia resolvi perguntar do que se tratava. Ela me disse que tinha um carro velho que estava com alguns problemas e rezava todo dia para que o carro não quebrasse, porque dependia dele para chegar à escola e ao trabalho, já que morava em um lugar onde não passava ônibus.

"Bem", perguntei: "E por que você não manda consertar?". A resposta, como eu já esperava, foi:"Não sobra dinheiro nunca!"

Ainda que ela alegasse não ter o recurso extra para o conserto, eu sabia que ela trabalhava, e que os pais, apesar de modestos sitiantes, não faziam uso dos recursos financeiros dela, utilizados apenas para as suas próprias despesas pessoais.

Assim, eu julguei que, com um pouco de esforço ela poderia resolver esse problema.

Como?

Em primeiro lugar, ela precisava reconhecer que tinha um problema importante e não poderia mais adiar para resolvê-lo.

Conversando sobre isso listamos algumas questões que deveriam ser consideradas. Naturalmente comecei com uma bronca pelos atrasos constantes e injustificados que afligiam a todos.

Fora isso, listamos o seguinte:

1º) Ela estava se arriscando e arriscando a vida das pessoas, com um automóvel pronto para enguiçar em qualquer lugar e causar um acidente. Certamente um preço alto demais para se pagar. Outro risco poderia ser o carro quebrar em algum lugar insólito e ela ser vítima de assalto ou coisas piores.

2º) Estava priorizando outras coisas, talvez festas, roupas, ou outras coisas, em detrimento do conserto do carro. Roupas ela comprava muito, estava sempre bem arrumada.

3º) Sabia do problema e não só não tomava uma atitude para solucioná-lo como vivia adiando pensar uma solução plausível.

4º) Vivia estressada e estressava suas amigas, que se preocupavam com os atrasos e acaba prejudicando o desempenho de todos na escola.

5º) Se o carro era tão importante, principalmente por ser o instrumento que a tirava do isolamento do sítio e a trazia para a escola, para o trabalho e para o convívio social, certamente merecia uma maior atenção.

6º) Ela deveria considerar a compra de um outro carro, mas por desconhecimento financeiro, não se apercebeu dessa possibilidade, já que o carro velho foi o pai dela que havia dado. Ela recebia rendimentos suficientes, tinha o carro velho para dar de entrada e poderia aproveitar os juros da indústria automobilística, comumente mais baixos do que o mercado financeiro, para comprar um carro melhor ou até mesmo novo.

Os juros para compras de carros costumam ser menores, porque a garantia é executável. Isto é, se você não paga, o bem é recolhido.

Comprar a prazo, ainda que a juros baixos, quase nunca é bom. Mas no caso dela, julguei que valia a pena, afinal ela incorria em diversos outros riscos se não comprasse um carro melhor imediatamente. A relação entre o custo e o benefício da dívida, nesse caso, era favorável, a meu ver.

7º) O adiamento do problema também estava associado à falta de planejamento financeiro. Minha aluna, apesar de já estar trabalhando há alguns anos, não tinha conseguido formar um fundo emergencial que a tirasse de uma situação como aquela, que há muito deixara de ser inesperada.

Prevenir-se construindo um fundo emergencial faz parte de um plano financeiro e de um orçamento equilibrado. As pessoas precisam estar preparadas para despesas inesperadas como: perda ou declínio salarial, doenças, roubos, reposição de eletroeletrônicos, etc.

Para alguns casos existem seguros, mas para outros a formação de um fundo emergencial é que é a solução.

O caso da minha aluna nem era assim tão complicado. Mas sei de situações em que as pessoas simplesmente se arruínam para solucionar problemas que surgem inesperadamente. Afinal, ninguém está livre de passar por crises financeiras. Ao contrário.

Se você tiver que passar por uma situação imprevista e não tiver o dinheiro necessário para saneá-la, é mais do que provável que você tenha que fazer empréstimos (a juros exorbitantes na maioria das vezes) ou vender um bem a qualquer preço para solucionar o caso. Assim, o ideal é constituir um fundo emergencial que servirá para situações, que ainda que chamemos de imprevistas, na verdade podem ser deslumbradas no nosso horizonte.

Não se trata apenas do imponderável, mas dentro de uma margem de possibilidades, ocorrências possíveis na vida de cada um.

Atenção:

A maioria de nós precisa construir um fundo emergencial, mas as razões para tal costumam divergir de uma pessoa para outra.

Quais seriam as suas razões?

Liste-as agora, não deixe para depois, especialmente se a não-existência de tal fundo coloca você ou outras pessoas em risco.

Para construir um fundo emergencial, você precisa:

1º) Determinar a quantia que é necessária para a sua situação individual.
2º) Determinar o prazo em que o dinheiro poderá vir a ser necessário
3º) Depositar o dinheiro em instrumentos financeiros de fácil acesso, com o mínimo de penalidades para retiradas antecipadas. É o que chamamos de produtos financeiros de alta liquidez. Geralmente são os instrumentos mais seguros, embora de menor rentabilidade.
4º) Começar a poupar agora, para atingir rapidamente a quantia que você julgou necessária.

Segundo os especialistas em finanças, três a seis meses de salário (ou da renda mensal da família) é o ideal para se manter em um fundo emergencial. Eu particularmente acredito que só você sabe determinar o quanto é necessário ter - e por quanto tempo - para poder dormir bem à noite.




Redação Vya Estelar



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