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Feng Shui: dez dicas para harmonizar a sua casa

Roberto Goldkorn 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Feng shui não é panaceia universal

por Roberto Goldkorn

Recebi uma mensagem pela internet, em que uma leitora me pedia ajuda. Ela relatava que depois de mudar para o seu atual endereço, as coisas em sua vida pioraram e muito. Como havia lido o meu livro (Feng Shui para Brasileiros), identificara em sua casa vários das ocorrências perigosas citadas no livro.

De repente entre eufórica e consternada concluiu que havia encontrado a causa de todos os seus males: sua casa estava doente! Ela me procurou em busca da confirmação, para o golpe de misericórdia na sua malfadada moradia.

Ela achou, com certa razão, que eu seria a pessoa indicada para dar a sentença de morte à sua casa. Mas não o fiz. Tenho plena convicção de que as habitações tanto residenciais quanto comerciais, podem causar diversos tipos de problemas aos seus ocupantes, e como afirmou um autor francês, podem até matar.

Mas sou do tipo chato, daquele que não cede nem sob tortura (e isso não é apenas uma figura de estilo) nem faço concessões a raciocínios simplistas. Não acredito que seja justo culpar as nossas casas por tudo de mal que nos acontece.

As pessoas vivem buscando bodes expiatórios para repassar as suas responsabilidades e tirar o seu da reta, e isso não é de hoje. Acredito em carma, mas simplesmente culpar o carma como se ele fosse um demônio estrangeiro, não resolve e não liberta. Acredito no Feng Shui, mas atribuir às habitações toda à culpa pelo que nos acontece, é tapar o sol com a peneira. Essa atitude, é anti-Feng Shui, principalmente porque dificulta o diagnóstico correto. Por isso, ao fazer as perguntas preliminares (anamnese), sempre procuro saber:

Se os problemas não vieram junto com a mudança.
Se os antigos moradores tiveram problemas no imóvel ou foram felizes ali.
Se os atuais moradores fizeram reformas ou causaram danos à arquitetura original do imóvel.

O esclarecimento dessas questões nos ajuda a colocar as coisas em perspectiva. Sei que muitos clientes se frustram quando digo que sua casa não é a responsável por todas as suas desventuras, assim como o governo também não é, nem o imperialismo americano. Mas isso não nos impede de dedicar muita atenção ao trabalho de "cura" da casa. Mesmo que esta não seja a vilã da história, ela sempre vai poder ser a "mocinha" a heroína, se for bem tratada, não só no trabalho de Ordenação do Feng Shui, mas também no dia-a-dia dos seus moradores.

Para não dizerem que fiquei só na teoria, aqui vão algumas dicas básicas para manter o "sangue" da sua casa circulando harmoniosamente e de forma saudável.

Dez dicas para harmonizar a sua casa

1ª) Ao entrar e sair de um ambiente, nunca o faça sem antes verificar se a sua presença deixou o lugar melhor ou pior do que o encontrou.

2ª) Imagine que a sua casa é um santuário ecológico, no qual não se deixa lixo, ou marcas de deterioração.

3ª) Melhore sempre o seu espaço: limpe, lave, pinte, conserte, arrume, perfume, enfeite, ilumine. Mesmo que fizer errado, ou seja, não seguindo as orientações técnicas do Feng Shui, o resultado é sempre melhor que a deterioração, que namora o caos.

4ª) Nunca busque um "culpado" único para os seus problemas, em geral eles são o resultado de um mix de causas.

5ª) Procure envolver a família toda na campanha "vamos fazer da nossa casa um lugar melhor para viver". É muito desgastante lutar sozinho e ainda por cima contra outros membros da família.

6ª) A falta de dinheiro, a depressão, a situação política do país, a crise do Iraque, não podem servir de pretexto para você deixar sua casa despencar, pois se isso acontecer terá necessariamente que acrescentar mais um item a sua lista de "demônios".

7ª) Faça uma checagem geral e implacável nas "obras de arte" que tem em sua casa. Retire tudo que sugerir: pobreza, sofrimento, solidão e isolamento, imagens sombrias, relação conflituosa (brigas, guerras, ataques etc). Não se detenha diante do quadro que a sua avó ou sogra amada lhe deu.

8ª) Se você sofre pela ação de vizinhos sejam eles quem forem, comece a montar uma estratégia de mudança. Esgotadas as tentativas de resolver o problema, planeje a retirada. Não se apegue ao imóvel, apegue-se ao seu projeto de felicidade, que não pode existir sem a tranqüilidade de morar.

9ª) Antes de mudar-se para um imóvel, faça uma checagem sobre os antigos moradores: Como viviam? Por que mudaram? Quem são os vizinhos? Qual é a história do imóvel? Não se deixe fascinar pelo "negócio da China" , a ponto de comprar "gato por lebre."

10ª) Apesar das habitações serem coisas inanimadas, elas têm uma espécie de vida. Converse com a sua casa, faça orações para ela, coloque a sua energia de gratidão e alegria nas paredes. Não se importe de parecer louco ou estar tendo comportamento supersticioso, o mundo está louco, e até os cientistas têm comportamentos supersticiosos em prive.

O Feng Shui é sem dúvida maravilhoso, e traz resultados surpreendentes, mas não é a panecéia universal. Tampouco a sua casa é a bandida culpada de tudo de ruim que lhe acontece. Qualquer abordagem séria dos nossos males, deve ser holística, e levar em conta o contexto geral onde nos situamos. Somos de carne e osso, mas principalmente somos de "espírito", e temos uma folha corrida da qual quase sempre sabemos muito pouco. Ao buscarmos os culpados pelos buracos em que nos enfiamos, temos primeiro de ter coragem de olhar no espelho, e verificar se há ou não uma pá na nossa mão.




Roberto Goldkorn

É escritor e autor dos seguintes livros: "Feng Shui para Brasileiros - A Medicina da Habitação", "Feng Shui - Energia e Prosperidade no Trabalho", "Feng Shui Para Brasileiros - A Cozinha" - todos pela Editora Campus. "Não Te Devo Nada" e "Solidão Nunca Mais" ambos pela Bertrand Brasil.



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