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Música faz bem à saúde psíquica e emocional

Elisandra Vilella G. Sé 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Musicoterapia investiga a relação som + ser humano

por Elisandra Vilella G. Sé

No estilo de vida atual, as pessoas estão cada vez mais preocupadas com a sobrevivência e têm vida automatizada. Num ritmo acelerado, tentam acompanhar a velocidade dos acontecimentos e cada vez menos dedicam tempo para a família, afetos e emoções. Nesse contexto, a música pode proporcionar muitos benefícios para a saúde do indivíduo e do idoso.

O uso da música para uso terapêutico é bastante antigo, o primeiro registro faz referência sobre a influência da música no corpo humano: são os papiros médicos egípcios descobertos em Kahum, por Petrie, em 1.899 e que datam por volta do ano de 1500 a.C.. Estes se referem ao encantamento pela música. Quase todos os autores parecem coincidir no primeiro relato sobre musicoterapia ou "música curativa", que é a efetuada por David com sua harpa frente ao rei Saul. Esse relato está registrado na Bíblia (I, Samuel, 16:23). A partir disso, vários outros registros foram encontrados destacando o poder da música e do som como uma força terapêutica e curativa.

Existem também registros ente os persas, hindus, tribos da Nova Guiné e na antiga Grécia. Platão e Aristóteles falavam do verdadeiro valor médico da música para controle das emoções. Platão receitava música e dança para as angústias fóbicas. Zoroastro recomendava seus alunos que começassem e terminassem as jornadas de estudos com concertos. Nas fonte medievais, encontramos narrativas de que os povos antigos chamavam os músicos para aliviar as dores dos enfermos no hospital. Um antigo manuscrito hebreu contém uma ilustração na qual aparece um tocador de alaúde sentado na sala de espera de um médico. As virtudes mágicas da música eram com frequência atribuída aos instrumentos musicais.

Atualmente, estudos científicos comprovam benefícios na saúde física, mental e espiritual de uma pessoa. Sabe-se que diversas doenças mentais estão vinculadas a deficiências e desintegrações da capacidade comunicativa, a qual pode ser estimulada e facilitada através da musicoterapia.

A musicoterapia se ocupa do estudo e investigação do complexo: som + ser humano. Portanto, é uma especialização científica que utiliza das aplicações do som e da música no campo terapêutico. Um exemplo do aspecto científico da música é registrado pelo filósofo francês Fére de la Salpêtrière, que estudou a influência da música na capacidade de trabalho do homem. Ele pôde observar que os estímulos rítmicos aumentavam o rendimento corporal, comprovando o efeito estimulante exercido pela música.

No Brasil, o musicoterapeuta tem uma ampla área de atuação, na qual se obtém cada vez mais e melhores resultados.

Quem se beneficia da musicoterapia?

A musicoterapia abrange trabalhos em pessoas com deficiências físicas, sensoriais, mentais; síndromes; doenças degenerativas (por exemplo, Alzheimer); transtornos e distúrbios psíquicos (por exemplo, esquizofrenia, autismo); reabilitação (por exemplo, *encefalopatia crônica da infância, acidente vascular encefálico); pacientes com câncer; gestantes (durante o pré-natal); e pessoas da terceira idade.

O campo da musicoterapia comprova que os estímulos sonoro-musicais podem desencadear expressões orgânicas e psicológicas da dinâmica do ser humano que permitem aumentar o seu funcionamento.

Musicoterapeutas atuam em hospitais, clínicas, centros-dia, casas de repouso, escolas, instituições etc.

Promoção da saúde

Com relação à promoção da saúde, os termos prevenção e promoção da saúde estão inseridos nas discussões sobre a saúde. A medicina preventiva surgiu nos EUA num período em que a saúde pública se preocupava quase que exclusivamente em prevenir doenças infecciosas e estava sob o domínio da profissão médica. Assim, a promoção de saúde, num amplo conceito, traz um novo olhar ao trabalho direcionado à saúde através da visão salutogênica, que considera a saúde como um processo contínuo de construção de meios e recursos de fortalecimento para que a pessoa combata e resista às constantes ameaças à saúde. A saúde está sempre presente mesmo com a existência de alguma enfermidade ou doença e, sendo assim, é possível promover saúde mesmo nas pessoas que estão acometidas por alguma enfermidade. É proporcionar uma melhora na sua qualidade de vida e na estratégia de enfrentamento do problema.

O cuidado e a atenção integral da saúde no qual toda linha de cuidado é pautada pela multidisciplinaridade é fundamental. Pois todas as áreas precisam construir, em conjunto, um bom trabalho em busca de uma eficaz atuação em benefício da saúde, tais como: epidemiologia, bioestatística, economia da saúde, sociologia, musicoterapia, ciências políticas e outras ciências sociais, ciências biológicas e físicas, engenharia da saúde, enfermagem, nutrição, medicina preventiva, educação para a saúde e administração de saúde e ainda a saúde pública veterinária e o trabalho social de saúde pública.

Existem três níveis de atuação para o musicoterapeuta: o primário, o secundário e o terciário. Estes níveis se referem à gravidade do estado de saúde que um indivíduo se encontra e qual a medida mais adequada para prevenir doenças.

Um dos campos da musicoterapia na prevenção primária com pessoas idosas encontra-se as atividades lúdicas, de lazer voltadas aos idosos, nas Faculdades Abertas à Terceira Idade (veja aqui), bailes, teatro, danças diversas, pela proximidade dos idosos com a música, prevenindo o estresse, trabalhando recordações, memórias, atividade física e aprendizagens evitando o surgimento de doenças como depressão. É um trabalho de educação social.

Segundo a psicoterapeuta e musicoterapeuta Isabelle Frohne-Hagemann (1991, p.36): "O trabalho com a música proporciona o tempo e o local para saborear, comer e digerir a sociedade humana, incluindo a assimilação de normas satisfatórias e a rejeição das normas negativas...".

No nível da prevenção secundária, a musicoterapia pode ser empregada no período do diagnóstico precoce e na fase de tratamento da doença, incluindo atuação no nível pré-clínico ou na etapa clínica na sua fase inicial. O objetivo principal deste nível de atuação é a recuperação da saúde, quando possível e quando não, impedir a evolução do processo, prevenindo complicações ou a instalação de sequelas. Pretende-se, também, reduzir o período de incapacidade.

E por fim na fase terciária, conhecida como o período patogênico, após a sobrevinda de sequelas, visando a reabilitação ou recuperação das funções normais através de orientações das medidas a serem tomadas pela equipe médica, inclui nesta fase ações que visem o máximo de aproveitamento das capacidades preservadas do paciente, tais como a reeducação, readaptação, programas de recuperação no caso de acidentes. O objetivo principal da promoção de saúde é reduzir ao máximo esses riscos.

A musicoterapia pode ser útil no tratamento de doenças em seus diversos níveis e ajuda a equilibrar a autoestima e a autoconfiança.

A musicoterapia ocupa um lugar de grande reconhecimento na área da promoção da saúde.

*A encefalopatia crônica é um quadro patológico, cuja lesão é irreversível e designa de um grupo de afecções do sistema nervoso central da infância, que não tem caráter progressivo, mas, apresenta clinicamente por distúrbios da motricidade.




Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



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