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Metas de curto e médio prazo motivam mais

Renato Miranda 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Fragmente objetvos de longo prazo

por Renato Miranda

A luta para a melhoria do desempenho humano é uma característica marcante na humanidade. Em suposto as pessoas cumprem seus destinos através da busca permanente por um desempenho melhor em suas atividades. Talvez aí esteja uma das maiores relação entre o esporte (a rotina de atleta) e a vida.

No livro Reflexões do Esporte para o Desenvolvimento Humano (2013, ed.CRV), procuro a todo instante fazer essa referida analogia, seja direta ou indiretamente.

Não foram poucas as vezes que tratei sobre como a busca permanente por melhores desempenhos aumentam os desafios e, por conseguinte, conforme o nível de habilidades geral da pessoa pode provocar o aumento da motivação. Principalmente se essa mesma pessoa consegue ter ótimos feedbacks (sucesso!). Muito embora, paradoxalmente, a tendência das pessoas é diminuir a motivação conforme o aumento da dificuldade da tarefa (esse pensar é conhecido como "Lei de Yerkes e Dodson").

Segredo para manter-se motivado

O segredo então é utilizar feedbacks constantes e de qualidade para desenvolver habilidades.

Em textos anteriores escrevi sobre como jovens talentosos, tanto no esporte como na vida escolar, especialmente a partir dos 12 anos, podem desenvolver certo comportamento ansioso ou aflito, quase que permanentemente que pode se transformar em comportamento duradouro.

Seja por influência dos pais, ou dos adultos profissionais - do esporte ou educação, os jovens ainda em tenra idade projetam seus ditos futuros profissionais. Sonhos são ótimos; como inspiração e força motivacional, mas quando os mesmos viram metas coletivas (especialmente familiares) tendo como "instrumento" uma única pessoa ou se torna uma obstinação exacerbada, há uma tendência do aumento excessivo da ansiedade (percepção de "uma ameaça" constante) ou estresse (reações exacerbadas do organismo a fim de se adaptar às determinadas pressões).

Por outro lado e somando-se a essa realidade, é quase uma exigência atual, em qualquer setor, a pressão constante por resultados RÁPIDOS. Em consequência raramente as pessoas (atletas ou não) ficam centradas no presente, pois estão muito aflitas e preocupadas com aquilo que está por vir.

Em exemplo, encontramos jovens por volta dos 14 anos sendo preparados para os concursos de ingresso em cursos de medicina, (que os mesmos farão alguns anos depois. Se é que farão!) ou jovens atletas de futebol de 12 anos a viver longe da família, morando em concentrações e vislumbrando o primeiro contrato profissional.

Considerando que esses jovens vão se dedicar ao máximo, surge o primeiro conflito: descobrem, a seus modos, que a atenção (energia) dispensada não será suficiente para o sucesso. Como resultado nós encontramos a raiz desse tipo de aflição e ansiedade: dúvidas em relação daquilo que são capazes e desilusões ao presenciarem as primeiras grandes dificuldades ou fracassos momentâneos.

Não compartilho com o discurso daqueles que incentivam a construção de metas em longo prazo. Isso por que aquilo que nos anima a prosseguir em qualquer tarefa ou desafio, ou seja, que nos motiva são os resultados de desempenhos.

Em consequência, as informações advindas de autoavaliação ou dos outros, auxiliam a regular nosso comportamento; seja modificando ou mantendo determinadas ações. É o que se consagrou chamar de feedback (retroalimentação). Assim sendo, metas em longo prazo prejudicam o feedback, pois não se sabe o quanto se está progredindo e a pessoa acaba desanimando.

Prefiro metas a curtos e médios prazos: simplesmente por que facilitam o feedback. Ou seja, em nosso caso, os jovens constantemente têm condições de corrigir, adaptar, sedimentar, ou modificar o caminho a ser construído. Além de perceberem mais facilmente o quanto eles estão evoluindo, pois pequenas conquistas (progressos) "alimentam" a motivação.

Fragmente objetvos de longo prazo

Como metas (objetivos) em longo prazo, podem ser frutos de um sonho pessoal, não é preciso frustrar os jovens e dizer que objetivos em longo prazo são indevidos. Muito pelo contrário, basta fragmentar os objetivos : criar outros em curtos e médios prazos, com vínculo ao objetivo em longo prazo.

Nesse sentido, damos chance ao jovem de ficar mais imerso e atento nas tarefas, aperfeiçoando suas habilidades gerais e motivado a fazer melhor suas próprias avaliações e até mesmo decidir mudar sua trajetória.

Estudar, treinar, dedicar, disciplinar, perseverar etc. esses verbos são intocáveis e portanto, pais e educadores devem promovê-los com qualidade, mas é preciso dar o primeiro passo: viver as aflições de cada dia, sem se preocupar muito com objetivos em longo prazo e deixar as crianças em paz!




Renato Miranda

Professor da Faculdade de Educação Física da UFJF; Mestre e doutor em Psicologia do Esporte (UGF); Especialista em didática e psicologia do esporte na Alemanha (Escola Superior de Esporte Alemã - Colônia) e Rússia (Instituto de Cultura Física de Moscou); Consultor de atletas em psicofisiologia (concentração, estresse. motivação e flow-feeling).



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