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Como "ouvir" meu coração para harmonizar meu casamento?

Anette Lewin 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Construção de uma boa autoestima depende muito mais da sensação de ter agido...

por Anette Lewin

"Gosto muito do seu trabalho e por saber que você tem muito conhecimento em psicologia, gostaria de uma orientação. Tenho 28 anos, cresci em uma família totalmente desestruturada. Estou casada há 10 anos e tenho uma filha de 8 anos, mas desde que conheci meu marido tenho problemas em minha relação. Percebo que muitos deles são oriundos de minha personalidade insegura, carente, arrogante e dependente. Preciso de ajuda, já tentei rever meus conceitos, mas sempre me deparo com sofrimento e depressão. Quero aprender a me amar, sou uma pessoa que não tenho família por perto, vivo apenas com meu marido e minha filha e sei que se não tomar uma atitude para mudar, quem irá sofrer muito mais será minha filha. Por favor me ajude, pois já consultei vários profissionais e tudo que me fizeram foi prescrever antidepressivos e orientação para praticar esportes. Preciso de alguém que me ensine a ouvir meu coração."

Resposta: Você percebeu que quando não se tem um bom modelo familiar a ser seguido, é necessário que se "invente" um modelo através de crenças pessoais, intuição e principalmente, tentativa e erro.

Sua insegurança pode estar ligada ao fato de você não querer errar como seus pais erraram ao formar a família desestruturada que você menciona. Mas é impossível acertar sempre. Quando se cria algo novo, erra-se bastante. Vale a pena então, ao invés de pensar em não errar, pensar em aprender a corrigir os erros que você, porventura, venha a cometer.

Ouvir o coração: agir intuitivamente

Você quer aprender a "ouvir seu coração". Isso significa, a meu ver, agir mais intuitivamente e menos racionalmente; parar de ouvir conselhos e seguir mais sua própria vontade. Faça isso! Afinal, a família que você está criando não é uma família genérica. É a sua família e, mesmo que você leia ou consulte todos os livros que falem sobre o tema, encontrará, no máximo generalidades que precisam de uma adaptação. Assim, ao invés de se culpar por uma personalidade insegura e arrogante, e ficar procurando, através de pensamentos vagos e repetitivos, a solução mágica para ter uma família feliz, tente fazer o que você acha que deve fazer para se sentir autora de suas resoluções, ações e criações. Resultem elas em sucesso ou fracasso. A construção de uma boa autoestima depende muito mais da sensação de ter agido do que da de ter acertado. Como diz o velho ditado: "Prefiro me arrepender das coisas que fiz do que das que não fiz". Além disso, desse modo, você ensinará sua filha que nem sempre se acerta, livrando-a do ônus de ser perfeita em tudo que fizer.

Quanto aos desentendimentos com seu marido, tente ouví-lo de uma forma neutra, prestar atenção ao que ele diz e tentar, na medida do possível, negociar com ele uma forma equilibrada de agir nos momentos de conflito. Certamente você e ele têm posições divergentes sobre vários assuntos e nesses momentos cada um deve ceder um pouco. Afinal, abrir mão de algo que você quer em nome de um relacionamento também é uma prova de amor que fortalece a relação. Desde que ele também o faça por você.

Por outro lado, caso você entenda que quer se conhecer melhor, mudar algumas de suas atitudes e ter mais alternativas para diversificar seu modo de agir, o melhor é procurar uma terapia que lhe aponte os caminhos. Isso ajudará a não transformar suas reflexões em um mar de culpas, mas usá-las a seu favor. Lembre-se que quando você vai ao médico ele, em geral, vai tentar ajudar você através de medicações. Se quiser melhorar através de uma terapia você deve procurar alguém especializado nesse tipo de tratamento, ou seja, um psicólogo ou um psiquiatra que trabalhe com psicoterapia.

 

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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data.



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