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Muitas vezes o ciumento é responsável pela traição do parceiro

Tatiana Ades 01/01/2016 PSICOLOGIA
Em muitos casos o próprio ciumento é quem trai

por Tatiana Ades

Na infância já poderemos perceber alguns sinais de que a criança poderá ser um adulto ciumento.

Muitas crianças repetem comportamentos dos pais ou sentem-se inseguras com irmãos, acreditando que esses recebem mais atenção. Outras vezes, sentem ciúmes de colegas da escola. Geralmente o ciúme manifesta-se a partir dos seis anos de idade.

Existe o ciúme considerado "normal", ou seja, ele é moderado, não traz tanta agonia para quem o sente e não torna essa pessoa prisioneira de uma vida infernal.

Em grau patológico a pessoa não consegue mais se libertar desse sentimento. Assim o ciúme guiará a vida da pessoa: o resultado será o caos tanto na sua vida como na do parceiro.

Nesse caso, a pessoa sente-se traída e incomodada o tempo todo, não consegue se concentrar no trabalho e em outras atividades. O ciúme fará dessa pessoa um escravo dos próprios sentimentos e aparecerá como forma de controle sobre a vida do outro e esse (se também estiver doente) não conseguirá sair do relacionamento, mesmo que se sinta cansado, prisioneiro e ameaçado. Há nessas relações doentias, um vínculo que nunca é pacífico. O que gera a relação é a endorfina das brigas e do próprio ciúme.

Importante ressaltar que cada indivíduo representa 50% da relação, ou seja, se ele fica num relacionamento regado a ciúme e brigas, ele também está doente.

Se pensarmos no universo virtual com suas diversas possibilidades de encontros e contatos com outras pessoas, isso pode gerar medo e até pavor nos mais ciumentos. Por outro lado, quem não sente ciúme e não se sente ameaçado, não terá insegurança em relação ao mundo virtual, pois a confiança já estará estabelecida, inclusive a confiança nele mesmo.

Muitas vezes o ciumento acaba sendo responsável por motivar a traição do parceiro. Muitas dessas pessoas, inconscientemente, buscam a traição real para pararem de sofrer, pararem de sentir a necessidade de ir atrás, de precisar desconfiar. Esse é um processo curioso, a pessoa cobra, vigia e briga tanto e, mesmo não encontrando pistas, continua a perseguir o outro em busca de alguma prova. Essas pessoas estão num estágio muito aguçado e perigoso em relação ao ciúme. Esse processo se chama paranoia e a pessoa só irá parar quando encontrar uma traição.

Mas em muitos casos, o próprio ciumento é quem trai. Essa pessoa trai ou deseja trair, pois quando ela trai, passa a crer que o outro agirá da mesma forma. Isso de forma inconsciente, pois temos a mania de projetar nos outros atitudes e comportamentos nossos - como se outro pensasse e agisse como nós.

Seis sintomas do ciúme doentio:

1º) Necessidade de saber de absolutamente tudo da vida do outro;

2º) Incômodos físicos e hipervigilância: pensamentos relacionados à traição o tempo todo;

3º) Paranoia: imagina-se sendo traído, costuma acusar o parceiro de estar olhando para outras pessoas, imagina cenas;

4º) Sensação de baixa autoestima;

5º) Ansiedade crônica;

6º) Depressão.

 




Tatiana Ades

É psicanalista e escritora e teatróloga. Em seus livros, o foco de estudo é o comportamento humano e o amor patológico. Tem em seu currículo várias peças escritas e encenadas nos teatros de São Paulo, além de ter concorrido ao prêmio Shell de melhor texto teatral com Os Viúvos – Teatro Ruth Escobar (2003). Como escritora, em 1998, ganhou um concurso com o conto O silêncio da raposa. Eles são o resultado de uma pesquisa de três anos: Hades – Homens que amam demais e As escravas de Eros.



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