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Vaidade fomenta guerra dos sexos no mundo do trabalho

Flávio Gikovate 01/01/2016 COMPORTAMENTO

por Flávio Gikovate

"... as mulheres que até então viviam criticando os homens por trabalharem demais e por darem extrema importância às glórias sociais, passaram a competir com eles ..."

Conforme prometido no artigo anterior (veja aqui), vou abordar agora a competição entre o homem e a mulher no mundo do trabalho.

Em virtude das inovações tecnológicas propiciadas pela Segunda Guerra Mundial, as mulheres tiveram acesso crescente ao mundo do trabalho. Assim, elas passaram a gostar da independência vinda do fato de ganhar o próprio dinheiro.

Com isso, as mulheres passaram a experimentar um brutal aumento de sua autoestima e passaram a não mais aceitar a condição social de inferioridade.

Até aí tudo é muito lógico e parecia o prenúncio de uma nova era onde, superadas as tensões e conflitos iniciais desse novo momento, as relações conjugais finalmente pudessem se encaminhar no sentido de igualdade de direitos e responsabilidades.

Talvez ainda se alcance esse objetivo, onde o amor possa se tornar de fato real e não um sonho juvenil.

Porém, como sempre acontece, elementos irracionais ligados à vaidade começaram a aparecer.

Boa parte das mulheres conseguiu resultados particularmente positivos no seu trabalho e foram prestigiadas por isso.

Esse prestígio na prática significa ganhar mais dinheiro e assumir cargos de responsabilidade, inclusive no topo ou no comando das organizações.

Assim, elas começaram a gostar de serem reconhecidas por essas competências. Elas que eram valorizadas essencialmente pela aparência física, sentiram o prazer erótico derivado do sucesso social: experimentaram o vício dos homens e se viciaram também.

A partir daí, as mulheres que até então viviam criticando os homens por trabalharem demais e por darem extrema importância às glórias sociais, passaram a competir com eles. Esses, sentindo-se ameaçados, passaram a se empenhar cada vez mais para não perderem a sua posição.

Essa competição se acirra, o desencontro entre os sexos se acentua e o amor vai para o segundo plano. Dessa forma, suceder na vida torna-se a meta der todos. Suceder é ter destaque, é ganhar muito dinheiro. E ninguém sabe mais a razão para tudo isso, pois já estão todos contaminados pelo vício da vaidade.

 




Flávio Gikovate

É médico psiquiatra formado pela USP em 1966. Foi assistente clínico do Institute of Psychiatry na London University. Em 45 anos de carreira já atendeu mais de oito mil pacientes. É escritor e palestrante. Assim como Erich Fromm, Carl Rogers e Erik Erickson, psicoterapeutas e escritores contemporâneos, dos anos 50 e 60, Gikovate tem tido sucesso em escrever textos sérios em linguagem coloquial. Seus livros já ultrapassam o milhão de exemplares vendidos. RIP.



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