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Autogerenciamento: os cinco passos para você poder chegar lá...

Dulce Magalhães 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Só alguns vão se arriscar pelas novas e desafiantes trilhas da autogestão

por Dulce Magalhães

Nostradamus, ao fazer suas previsões, jamais poderia imaginar o impacto e a dimensão das mudanças ao longo do século XX e o que já estamos mudando neste século XXI.

Não há como prevermos o que vai mudar daqui a cinco ou dez anos. Simplesmente porque não há como pensarmos em coisas que ainda não existem. Os maiores impactos na nossa vida diária daqui a dois anos será provocado por produtos e processos que nem foram criados ainda. Isto é extraordinário.

Como poderemos imaginar o espectrosoma, ou o laserdifusor, ou qualquer outro nome que se dê para equipamentos que vão operar as maravilhas do início do próximo século?

A ficção científica está cada vez mais parecida com a realidade e, em alguns casos, já foi ultrapassada por ela. Analisemos o caso dos clones, meio aterrador, meio fascinante. Aonde iremos chegar? Qual a dimensão de poder que possuímos? O limite está na capacidade da imaginação que empreendemos.

Einstein, uma das inteligências mais brilhantes do século passado, disse que a imaginação é mais importante que o conhecimento. Um descortina o passado e a outra cria o futuro. Porém, o foco geral das pessoas está voltado para o conhecimento. Desde o lançamento do livro “A Terceira Onda”, de Alvin Tofler, e aí já se vão mais de trinta anos que estamos correndo atrás da informação. A percepção geral é que essa tal de informação tem padrão de velocidade olímpico, enquanto nós somos, no máximo, atletas de final de semana.

Estresse da informação

A quantidade de informação gerada diariamente no mundo não consegue nem ao menos ser mensurada. Como saída alternativa, geramos uma nova síndrome social, o estresse da informação. Ao menos serve como freio para a ansiedade ou ajuda a engatar conversas difíceis em coquetéis profissionais. Mas, “e a solução?!”- grita alguém angustiado.

Não é preciso se preocupar em saber tudo, tem é que saber como acessar a informação quando precisar dela. Entramos na era das linguagens de acesso.

Se você ainda imagina que vai alcançar grande sucesso com seu parco inglês, ou que espanhol é tão fácil que não precisa nem estudar e resiste à ideia de trabalhar com as novas mídias digitais, você, certamente, está sofrendo de um mal chamado ilusão. As linguagens de acesso são a grande alavanca de desenvolvimento que podemos incorporar na nossa vida. Acrescente à sua lista de linguagens de acesso, a capacidade de se relacionar com pessoas, a habilidade de se expressar bem em público, a negociação, o hábito da leitura, a conectividade (a capacidade de superar empaticamente as barreiras culturais do mundo).

Desenvolva suas habilidades

Está claro que o trabalho é de dentro para fora, o que só facilita nossa atuação. Afinal, é mais fácil desenvolver habilidades pessoais do que administrar fatores externos. Entretanto, a realidade não confirma a lógica. A busca incessante por causas (e culpados) externos, nos deixou um tanto destreinados nesse negócio de autogerenciamento. Numa visão, entre determinista e desolada, estamos neste mundo como expectadores, aguardando o final da partida. Temos que despertar e perceber que somos atores, ou continuando a metáfora, jogadores nesta partida. O placar final será resultado do esforço consciente e estratégico que empreendermos.

Ah! Quase esquecia. O tipo de jogo também é determinado por nossas escolhas. O que você vai ser quando crescer? O crescer é a realização e prosperidade almejadas. O questionamento acerca de nossas preferências faz toda a diferença em relação à vida que vamos viver. O que você gosta de fazer, que lugar você quer morar, com que pessoas gostaria de trabalhar, que tipo de roupa ou ambiente você prefere, são questões muito mais importantes do que status ou valor de mercado. Temos que nos convencer que as oportunidades são construídas a partir de percepções. Vemos o que queremos e podemos ver, nada além disso. Veremos mais se estivermos no lugar certo, na hora certa e formos a pessoa certa.

Autogerenciamento eficaz

Trata-se na verdade de um gerenciamento eficaz de nossa vida e carreira. Por mais esforço que se faça, nunca seremos tão bons fazendo o que não fazemos bem. Tomada de decisão tem a ver com realizar escolhas que vão determinar todos os resultados que vamos alcançar. Assim, chegamos na encruzilhada e temos que escolher que caminho seguir. Há os caminhos conhecidos, já muito percorridos e que vão nos levar apenas até o ponto que outros já chegaram. Há novos caminhos, que levam a destinos desconhecidos, mas que podem apresentar paisagens maravilhosas e inéditas. A maioria vai escolher as estradas pavimentadas e seguras do conhecido. A maioria! Entretanto alguns, apenas alguns, vão arriscar pelas novas e desafiantes trilhas da autogestão. Esses ousados desbravadores vão descortinar novas paisagens. E não só isso. Vão viver uma experiência única, exclusiva e pessoal, que só se vive quando se empreende com risco e equilíbrio, vão construir caminhos que alterarão para sempre a paisagem. A visão da paisagem intocada só tem quem vai à frente. Todos que seguem atrás vão ver mais a estrada que a paisagem.

A autogestão nada mais é do que o autoconhecimento aliado à tomada de decisões. Uma equação simples que vai produzir resultados de vida e carreira muito mais realizadores. Não importa qual sua atividade, função ou cargo, você precisa se ver como uma empresa. Uma organização que precisa gerar lucros (pessoais e profissionais). Uma empresa Pessoa Física Ltda. ou ilimitada, se você preferir. Mas precisamos nos transformar em empresários de nossa carreira. Vamos aplicar os conceitos da administração moderna na nossa vida profissional. Escolher e ajustar o foco, busca permanente de progresso, ouvidos atentos ao mercado, disposição para encantar clientes e todos os dias construir um novo sucesso.

O passo-a-passo para o sucesso:

1º) Escolher e ajustar o foco

Voltamos às perguntas essenciais. O que gosto de fazer? O que faço bem? O que faço sem esforço? O ajuste vem da adequação desta habilidade ao mercado. Transformar um talento em algo interessante e comercializável. A grosso modo, poderíamos dizer que é como transformar um hobby em negócio. Fazer de fato o que se gosta, mas ser remunerado por isso. Como um exemplo palpável, tenho um amigo que é engenheiro eletricista (e de sucesso), mas cuja grande paixão é a fotografia. Ele decidiu investir no “hobby” e, aliando seu conhecimento de engenharia, buscou se diferenciar produzindo fotos com imagens e efeitos surpreendentes. Já fez inúmeras exposições de sucesso e já foi alvo de reportagens em prestigiosos jornais e revistas. O reconhecimento e o sucesso é apenas uma consequência de escolher e ajustar o foco.

2º) Busca permanente de progresso

Não se contentar com os resultados presentes. Questionar-se continuamente e usar o poderoso mecanismo da imaginação para construir qualidade contínua. Em todas as áreas, vida, carreira, família, comunidade. Duvidar de seus próprios limites é dar a oportunidade a si mesmo de perceber horizontes inéditos. As certezas só nos conduzem pelo conhecimento. A dúvida é que propicia a imaginação. Convença-se que não há nada que você não possa melhorar. Tudo pode ser transformado, reeditado, reciclado, eliminado ou acrescentado. Duvide!

3º) Ouvidos atentos ao mercado

De fato o mundo pode ter inúmeros defeitos, porém ainda é o melhor dos mundos, considerando-se ser o único. Assim, nada mais adequado do que descobrir a face boa das coisas. Ao invés de ficar brigando com o mercado e querendo adequar clientes a produtos ou serviços, precisamos agregar valor às percepções que possuímos e nos questionar como podemos ser úteis, adequando-nos às aspirações do mercado. Se possível ir além, antecipando aspirações. Afinal, quem poderia imaginar que a geladeira fosse tão importante, antes de ser inventada. Assim é com tudo na vida. Pensar em construir valores depende de estar atento ao que ocorre à nossa volta.

4º) Disposição para encantar clientes

Antes de mais nada aprenda a reconhecer quem é o cliente. Sendo você uma empresa pessoa física, seu primeiro cliente é a organização em que você atua. Seja você empresário ou colaborador dessa organização. Todos os meses você vende seu talento e competência à empresa. Mensalmente ela remunera este produto. Quando você não atender mais às expectativas do cliente ou esse não estiver mais dentro da segmentação que você focou (tipo, padrão, remuneração, oportunidades de progresso) o negócio não acontece mais entre as partes. Essa nova visão é a caracterização máxima da autogestão. Você é absolutamente responsável pela satisfação profissional de sua vida. E como tudo no mundo está relacionado, como se fios invisíveis mexessem cada elemento do planeta a partir de um único toque, a satisfação do cliente é a sua satisfação e vice-versa. A disposição para encantar clientes vai oportunizar uma vida encantadora para você. Assim como não existe negócio bem-sucedido sem clientes, também não existem clientes satisfeitos sem vontade em superar expectativas.

5º) Todos os dias construir um novo sucesso

O passado nos trouxe até aqui, mas daqui prá frente depende de ações presentes. Tudo que já fizemos de certo alguma vez, serve apenas para termos a convicção de que podemos acertar, mas não garante que vamos continuar acertando. Como é que é?! Parece confuso, entretanto é isso mesmo. Nenhum acerto passado garante acertos futuros. Não são apenas as regras do jogo que mudaram. É um novo jogo que está em andamento. A única segurança que podemos ter é nossa capacidade de acompanhar e/ou produzir as mudanças. Construir um novo sucesso todos os dias não é apenas uma estratégia vencedora, tem que se tornar uma filosofia de vida, um jeito de ver e realizar as coisas. Acreditar no futuro é se desvencilhar das ciladas do passado.

Estes elementos combinados vão proporcionar mais chance de triunfo. Entretanto, não podemos baixar a guarda. Temos que estar atentos aos perigos e desafios mais comuns de nossa vida: nós mesmos. Sem dúvida, podemos facilitar ou dificultar nossa vida. Crenças, valores, esperanças traduzem o que somos e o que conquistamos. Uma visão determinista, acomodada e reclamatória (que aliás é uma tendência confortável) nos tira a maior das possibilidades: a escolha. Escolher pode ser estressante e temerário, contudo, escolher quem seremos e como vamos viver ainda é a única forma de construir a felicidade que almejamos. Vamos sonhar e agir!




Dulce Magalhães

Ph.D. em Filosofia com foco em Planejamento de Carreira pela Universidade Columbia (USA); Mestre em Comunicação Empresarial pela Universidade de Londres (Inglaterra); autora dos livros: O foco define a sorte; Manual da Disciplina para Indisciplinados; Superdicas para Administrar o Tempo e Aproveitar Melhor a Vida. Especialização em Educação de Adultos pelas Universidades de Roma (Itália) e Oxford (Inglaterra).



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