DESTAQUES

O que é assumir o controle da vida?

Elisandra Vilella G. Sé 21/07/2017 COMPORTAMENTO
O que é assumir o controle da vida?
Fonte: imagem Pixabay
Entender como funciona o senso de controle na vida auxilia-nos a fazer escolhas

por Elisandra Sé

O senso de controle refere-se a crenças e expectativas a respeito de suas habilidades para desempenhar comportamentos que auxiliam na obtenção de resultados desejados e sobre as respostas em relação ao ambiente tanto físico como social para o seu comportamento.

Segundo os autores Lefcourt (1976) e Phares (1976) o senso de controle é um eixo para uma ampla variedade de comportamentos (desempenho intelectual e estratégias de enfrentamento) e para o bem-estar físico e mental.

O conceito de controle é importante para o cumprimento de exigências no desenvolvimento ao longo da vida, focalizando aspectos específicos do curso de vida e tem sido utilizado em diversas áreas, principalmente da psicologia, incluindo desempenho intelectual, a saúde e o comportamento social.

Existem processos importantes que são concebidos na teoria do controle. O controle primário e o controle secundário.

O controle primário envolve tentativas de alterar o contexto que a pessoa vive, controlar as ações de modo que satisfaça seus desejos. É ter o controle absoluto sobre você. E o controle secundário refere-se às tentativas de permitir-se ser controlado e “nadar a favor da corrente”. Na vida real o controle primário e secundário se fundem no decorrer da vida, dependendo dos obstáculos e desafios a serem enfrentados.

A pessoa que possui maior controle primário consegue modelar seu ambiente e satisfazer seus desejos particulares e seu potencial para o desenvolvimento. O controle secundário ajuda a pessoa lidar com o fracasso, como também favorece o controle primário. O controle secundário pode atuar como um suporte em diferentes ações do controle primário, sendo apoio aos manejos metamotivacionais - ou seja, implica em uma reflexão sobre si).

Entender como funciona o senso de controle na vida auxilia-nos a fazer escolhas, valorizar as metas de vida, a escolher melhor as estratégias sociocognitivas e emocionais para lidarmos com perdas associadas à idade. Mas é importante saber que ao optar por determinado caminho, acaba a possibilidade de vários outros. O fundamental é ter consciência que quem quer buscar a felicidade tem que ter o controle emocional da sua vida.

Senso de controle diminui com o avanço da idade

Sabe-se que de modo geral os idosos vivenciam mais situações de declínio fisiológico e incapacidades associados a doenças e à idade, principalmente os mais idosos. Esses estão mais propensos a ter que enfrentar problemas de saúde e situações nas quais se têm pouco controle, cujas mudanças são às vezes irreversíveis. É importante saber como os idosos concebem seu senso de controle.

As mudanças físicas e sociais acompanhadas de incapacidades e fragilidade desafiam o senso de controle das pessoas e têm implicações sobre a saúde e seu funcionamento com a diminuição do controle primário. Ao longo da vida cresce o controle secundário.

Dessa forma, é preciso saber quais são os comportamentos para promoção de saúde e prevenção de doenças e como lidar com incapacidades crônicas. Estas são questões norteadoras nas áreas da psicologia que ainda precisam ser estudadas.

O envolvimento social para diminuir os contrastes sociais e comportamentos dependentes é de suma importância. Por isso, precisa-se estimular e motivar os idosos a manter sua independência ao longo da vida.

Fatores como a história de vida e os antecedentes familiares também fazem diferença de como os indivíduos desenvolvem e mantêm seu senso de controle em relação aos ganhos e perdas da idade na funcionalidade e na competência.

Controle primário

O controle primário é o preferido, pois ele ajuda a pessoa a modelar seus ambientes para atender suas necessidades particulares e tem mais valor adaptativo. Mas a vida pede o equilíbrio emocional. As estratégias de controle primário e secundário ao longo da vida precisam ser dosadas.

Sabemos que nem tudo é prazer, nem tudo é dor. Mas também não podemos estar sempre navegando como passageiros da vida. É preciso tomar as rédeas da vida. Obstáculos sempre existirão. Assumir o controle da vida é assumir a repercussão que o ato tem em você. É assumir o controle do bom e do mal, do certo e do errado, do limpo e do sujo. É a repercussão do que acontece no mundo externo dentro de nós. Isso é assumir o controle da vida.




TAGS :

    controle, emocional, minha, vida

Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



ENQUETE

Você acredita na lei de causa e efeito ou lei do carma?





VOTAR!
Vya Estelar - Qualidade de vida na web - Todos os direitos reservados ®1999 - 2019
O portal Vya Estelar não se responsabiliza pelas informações e opinião de seus colunistas emitidas em artigos assinados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação.