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Como a ansiedade influencia no desempenho

Renato Miranda 02/08/2017 SAÚDE E BEM-ESTAR
Como a ansiedade influencia no desempenho
Fonte: imagem Pixabay
A ansiedade é uma característica peculiar ao ser humano

por Renato Miranda

Não é fácil abordar um tema tão polêmico e com algumas teorias ainda não conclusivas. No esporte especialmente a ansiedade diz respeito ao desempenho, todavia o conhecimento desse fenômeno pode ser expandido, como costumo dizer, para qualquer atividade laboral em que decerto o rendimento é algo fundamental.

Notadamente a ansiedade é considerada como uma predisposição da pessoa de se sentir mais ou menos ameaçada diante um estímulo ou situação. No futebol, por exemplo, um atleta pode se sentir bastante ameaçado diante uma cobrança de pênalti. Um outro jogador na mesma situação pode se sentir pouco ameaçado.

Para dois especialistas em psicologia do esporte norte-americanos, Robert Weinberg (Miami University) e Daniel Gould (Michigan University), a ansiedade é um estado emocional negativo representado por um nervosismo característico de forte ativação ou excitação corporal, apreensão e preocupações exacerbadas.

Nesse sentido observa-se que preocupações e apreensão estão ligadas aos nossos pensamentos e a excitação está ligada à ativação física (intensidade das manifestações de inquietação, respiração, frequência cardíaca, sudorese etc). Portanto, pode-se dizer que a ansiedade é representada pelo componente cognitivo (ansiedade cognitiva) e pelo componente físico, ou seja, a ativação física (ansiedade somática).

Em suposto nota-se que a ansiedade tem uma forte característica negativa e consequentemente torna-se um estorvo para o bom desempenho. Não obstante, a ansiedade é uma característica peculiar ao ser humano, pois, assim são também os diversos desafios de nossas vidas, ou seja, há sempre uma ameaça, literal ou análoga ao enfrentarmos variados desafios. Haverá sempre uma questão no ar: somos capazes ou não para lidarmos com os desafios (ameaças) da vida?

Ansiedade: denominações

Ademais, a ansiedade pode ser uma característica estável da personalidade ou um estado emocional temporário. Assim sendo, a ansiedade pode ser denominada como ansiedade-traço: quando há uma tendência duradoura da personalidade de manifestar determinado comportamento ansioso (muito ansioso, moderado ou pouco ansioso) diante de diversas situações.
 
Por outro lado, a ansiedade pode ser denominada ansiedade-estado: manifestações da ansiedade como apreensão, tensão, preocupações e outros são percebidos momentaneamente conforme a ocorrência dos desafios e/ou estímulos. Por exemplo, quando o atleta sente certo nervosismo antes de uma disputa e após o início da mesma decai o nível de ansiedade. Ou seja, é uma percepção temporária que envolve preocupações e excitação nervosa.

Teorias

Mas afinal a ansiedade deve ser considerada sempre negativa para o atleta? Tirante os transtornos ou qualquer patologia associada à ansiedade, algumas teorias tratam da mesma e sua relação com o desempenho esportivo. As duas hipóteses teóricas mais conhecidas no esporte são: Teoria do U Invertido e a Teoria IZOF (Individualized Zones of Optimal Functioning, em tradução livre: Zonas Individualizadas de Desempenho Ideal).

A Teoria do U-Invertido foi preconizada por Landers e Arent, nos anos 2000. Esta Teoria diz que como um “U” invertido (em uma representação gráfica), um atleta com baixo nível de ativação o desempenho atlético também será baixo. A partir do momento em que a ativação aumenta e chega próximo ou no ápice do “U” invertido o atleta está em um ponto ideal de desempenho.

No entanto, se a ativação continuar a aumentar e ultrapassar o ponto ideal (ápice do “U” invertido) o desempenho declinará. Portanto, entre os dois extremos, baixa ativação (apatia – extremo inferior esquerdo da figura do “U” invertido) e a alta ativação (nervosismo – extremo inferior direito da mesma figura), encontra-se o nível ótimo (ápice do “U” invertido) de ansiedade para a atuação do atleta.

A Teoria IZOF é um modelo de zonas individualizadas de desempenho ideal (daí o nome), proposta pelo psicólogo do esporte russo Yuri Hanin nos anos 90. Para esta teoria, a zona de ansiedade-estado ideal, é relativa a cada atleta. Ou seja, cada atleta tem sua zona ideal de ansiedade para o melhor desempenho. Aqui nem sempre o nível ideal de ansiedade-estado será no ponto médio (ápice do “U” invertido).

Na teoria IZOF atletas podem ter uma zona de desempenho ideal na extremidade esquerda inferior (baixa ativação) do “U” invertido, outros atletas no ápice (ponto médio) do “U” e outros na extremidade direita inferior (alta ativação) do “U” invertido. Em resumo, para a teoria do IZOF, profissionais do esporte devem auxiliar os atletas a descobrirem qual a zona ideal de ansiedade para seus desempenhos máximos e usar estratégias para atingirem essa determinada zona específica.

Mesmo considerando as críticas e questionamentos que cada teoria motiva, elas nos ajudam a lidar com a ansiedade no esporte, o que decerto não é uma tarefa fácil.




TAGS :

    ansiedade, desempenho, esportivo, IZOF, transtorno

Renato Miranda

Professor da Faculdade de Educação Física da UFJF; Mestre e doutor em Psicologia do Esporte (UGF); Especialista em didática e psicologia do esporte na Alemanha (Escola Superior de Esporte Alemã - Colônia) e Rússia (Instituto de Cultura Física de Moscou); Consultor de atletas em psicofisiologia (concentração, estresse. motivação e flow-feeling).



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