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Acho que minha mulher pode estar interessada em um homem mais jovem. O que faço?

Anette Lewin 26/09/2017 COMPORTAMENTO
Acho que minha mulher pode estar interessada em um homem mais jovem. O que faço?
Fonte: Google Imagens
Todo casamento tem seus momentos de crise

por Anette Lewin

Depoimento de um leitor:

“Olá! Cheguei até seu artigo: "Como se permitir viver uma paixão por um homem bem mais jovem", porque um dia desses, realmente sem querer, vi esse link no histórico de páginas visitadas no iPad de minha esposa. O iPad não saiu de casa e aqui só tem eu e a faxineira que não sabe ler, portanto, não pode ter sido mais ninguém. Pois bem, ela não leu só esse, mas também "Me apaixonei por um homem mais jovem"; "7 motivos para se apaixonar por um homem mais jovem"; "Mulher mais velha e homem mais jovem combina?"; "Como conquistar um homem mais novo?"; "Como ser mais atraente para os homens?" e mais alguns na mesma linha.

Estamos ambos na faixa dos 50 e poucos, relativamente em forma. Ela ganha muito mais que eu (sou praticamente dependente dela financeiramente) e, clichê, estávamos um pouco afastados um do outro, vítimas da rotina massacrante. Eu ia apenas investigar quieto, observar mais de perto, mas não aguentei e resolvi perguntar "na lata" o motivo dela estar fazendo esse tipo de pesquisa na web. Ela desconversou, disse que não era nada, culpou a "crise dos 50 feminina" (ela está mesmo, apresenta todos os sinais possíveis), que estava só tentando descobrir como ser mais "interessante" e o fato de eu estar distante e não ligar mais para ela (como se não fosse recíproco). Discutimos durante dias e eu tinha como "alvo" o fisioterapeuta que ela estava frequentando, "só um menino" segundo ela, na faixa dos 30 anos. O clima pesou bastante entre nós, ela jurou de todas as maneiras que não houve nada com o tal "menino" da fisio; jamais se encontrou com ele fora do instituto (lugar grande, cheio de gente).

Talvez eu seja, com o perdão da expressão, aquele "corno cego" que não quer ver, mas acredito em minha mulher. Isso torna ainda mais difícil para mim entender o motivo dela ficar lendo esse tipo de artigo - ela ainda recusa-se a me explicar, diz que "tem vergonha". Como assim?!? Estaria apenas fantasiando? Haveria então um outro, ainda oculto, escondido, ao contrário do tão exposto fisioterapeuta? Que motivos (que eu não consigo imaginar nem tirar dela) poderiam tê-la levado a ler sobre se apaixonar por um homem mais jovem? Estamos bem agora, mas num equilíbrio frágil, pois já pedia a ela, inclusive, para me ajudar a virar essa página explicando o motivo, seja lá qual for, mas ela simplesmente se cala. Não é muito estranho?... Ou é óbvio...

Resposta: Você resolveu entrar no "compartimento pessoal" de sua mulher e acabou tendo contato com assuntos particulares da vida dela. Assuntos não compartilhados com você.  São fantasias dela? É uma realidade que ela está vivendo? Não sabemos. A única forma de você saber de fato o que ocorre na vida pessoal de sua mulher, já que ela negou qualquer envolvimento extraconjugal real, é indo atrás, colocando detetive etc.
A pergunta que se faz é: ao que poderia levar esta investigação?

Hipóteses:

1ª) Você não encontrar nada de significativo.  Tudo ficaria como está e a dúvida persistiria; você, ao invés de se relacionar com sua mulher passaria a se relacionar com uma dúvida obsessiva que, certamente, atrapalharia a relação. Afinal, se sua mulher disse que não tem nenhum relacionamento extraconjugal e você ficou na dúvida, certamente ficaria na dúvida caso algum investigador dissesse que não encontrou nada. Sempre passaria pela sua cabeça que nos dias em que ela foi investigada nada aconteceu, mas nos outros... Assim é seu modo de pensar, não é?

2ª) Você poderia descobrir que sua esposa tem um relacionamento real  com o fisioterapeuta ou com outro homem mais jovem do que ela. Além de ficar bravo, magoado ou irado, você teria que tomar uma decisão: continuar ou não continuar casado com ela. Uma vez que você parece gostar dela, essa decisão seria bastante conflituosa.
Frente a essas possibilidades, pergunte-se se vale a pena continuar mexendo no vespeiro. Independentemente de sua mulher estar dizendo verdades ou mentiras, você só descobriu o interesse dela pelo tema, porque entrou no mundo particular dela. Você, em momento nenhum, menciona que o casamento estava indo mal. Fora "cair na rotina", fato normal após tantos anos de relacionamento; nada parece ter mudado na relação de vocês. Você menciona inclusive que a crise já passou embora o relacionamento ainda esteja num equilíbrio frágil, como é normal depois de uma crise.

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Pergunta-se então: por que essa necessidade tão grande de arrancar dela um "motivo" que pareça convincente a você? Ela já deu as explicações que podia dar. Se você não acreditou, só lhe resta continuar invadindo a vida dela através de investigação, de detetive... e encarar qualquer uma das consequências acima mencionadas. Vale a pena?

Todo casamento tem seus momentos de crise; todo mundo tem seus segredos; qualquer um tem medo de ser traído. Mas o que define a viabilidade de um casamento é o todo.

Vocês parecem ser um casal em que ainda existe o interesse em ficarem juntos. Provavelmente, para estarem casados há tanto tempo, os bons momentos superaram os maus momentos. Assim, avaliar seu casamento de uma forma mais abrangente, colocar os prós e contras numa balança e resolver se vale a pena ou não continuar construindo uma vida com ela.

No momento em que você sentir que a relação não o satisfaz mais, talvez seja a hora de você optar por sair dela. A decisão tem que ser sua. De nada adianta você esperar que a explicação dela possa ser o fator decisivo. Uma explicação é apenas uma explicação. Uma relação de tantos anos é bem maior do que isso.

Tente levar isso em consideração e tome a decisão que fizer mais sentido para você.

Atenção!
Este texto não substitui uma consulta ou acompanhamento de um psicólogo e não se caracteriza como sendo um atendimento.

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    minha, mulher, apaixonada, homem, jovem

Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental.



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