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Por que, com o tempo, enfrentamos os mesmos problemas no novo relacionamento?

Antonio Carlos Amador 25/04/2018 PSICOLOGIA
Por que, com o tempo, enfrentamos os mesmos problemas no novo relacionamento?
Fonte: imagem Pixabay
Estamos todos, de maneira neurótica ou não, ligados ao passado

Por Antônio Carlos Amador   

A tendência a repetir as situações e a percorrer os mesmos caminhos frequentemente tem suas raízes na infância e nos conflitos internos inconscientes e não resolvidos, que desde então influenciam nossa vida. Por exemplo, a procura de uma relação na qual exigimos desesperadamente atenções e cuidados sem fim. Examinando a fundo, verificaremos que solicitamos do companheiro aquilo que nunca recebemos de nossos pais.

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Com essa exigência, frequentemente repetida, procuramos inconscientemente corrigir de algum modo uma experiência passada. Essas tentativas são vãs e estão destinadas ao fracasso, porque as exigências não são satisfeitas e isso inevitavelmente transforma uma relação normal, entre adultos, em algo desgastante e insatisfatório. Estamos todos, de maneira neurótica ou não, ligados ao passado. Somente uma maior consciência de nossas dinâmicas internas poderá facilitar a vida presente, até com a escolha, em caso extremo, voluntária e responsável, da repetição.

Muitas pessoas se divorciam procurando consolidar um novo vinculo duradouro. Outras porém se separam e percebem que procuraram em seguida uma relação aparentemente diferente da anterior: pouco a pouco emergem na nova vida cotidiana problemas, incompreensões e obstáculos que caracterizavam o casamento antigo. Muitas pessoas separadas são, normalmente, atraídas inadvertidamente por aqueles tipos de pessoas que possuem características semelhantes às de seus ex-companheiros.

Se examinarmos atentamente nossos relacionamentos passados, notaremos a presença constante e ativa de um elemento comum a todos, que sempre determinou uma repetição sistemática das mesmas dificuldades.

Algumas pessoas compreendem que são inevitavelmente atraídas por aqueles que as tratam mal ou que parecem rejeitá-las; outras percebem que escolhem sempre um companheiro de personalidade mais forte do que a delas ou de caráter prepotente; outras ainda percebem que são fascinadas por quem tem uma posição social superior à sua. Os exemplos são muitos e variados.

Cabe a cada indivíduo entender quais são os "motivos" que despertam nele o íntimo desejo de estabelecer uma relação. Isso pode ser feito numa psicoterapia. Essa busca pessoal ajudará a compreender por que no início de cada relação a pessoa se sente no paraíso, entusiasmada e segura, enquanto no final retorna à terra, desiludida e triste. Esclarecendo para si mesma as mudanças sofridas e as razões que as determinaram será mais fácil fazer um balanço sério: poderão ser aceitas aquelas mudanças que representam um amadurecimento, enquanto tentará reencontrar os aspectos da própria personalidade que valorizava e que foram perdidos. Do mesmo modo, será possível compreender quais são as partes de si que a limitam e atrapalham na interação com as outras pessoas, quais são os mecanismos inconscientes que entram em cena, estragando seus relacionamentos.

 




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Antonio Carlos Amador

É psicólogo e psicoterapeuta de adolescentes e adultos. Professor no Departamento de Psicologia do Desenvolvimento da PUC-SP desde 1974, onde ministra disciplinas relacionadas ao desenvolvimento de adolescentes, ao desenvolvimento interpessoal, à psicologia comunitária e da saúde. Atua em consultório particular como psicoterapeuta e hipnoterapeuta, atendendo a adolescentes e adultos.



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