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Suicídio: por quê?

Redação Vya Estelar 08/05/2018 PSICOLOGIA
Suicídio: por quê?
Fonte: imagem Pixabay
Afinal, o que você está precisando aprender para viver melhor, seja na busca dos seus objetivos ou para lidar com as dores da sua vida?

Por Bayard Galvão

“O dia mais triste da minha vida foi quando acordei no hospital e vi que não tinha morrido”. Estas foram as primeiras palavras que ouvi de uma paciente na primeira consulta.

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Suicídio é o último ato de alguém, o mais radical e irreversível.

Quando alguém comete suicídio, a onda de perguntas é iniciada e acaba até a próxima notícia, exceto para aqueles que não conviviam de maneira próxima com quem ceifou a própria vida.

Por que alguém tira a própria vida?

As respostas dependerão de cada situação: pode ser por ser considerado um ato patriótico; um caráter de demonstração religiosa; o preço do tíquete de entrada para o paraíso; ter descoberto que em seis meses não poderá se mexer e dizer o próprio nome; querer entrar para a história como um símbolo, não deixando o próprio nome cair em derrocada (ninguém fica na “crista da onda” por mais de um punhado de anos); por ter uma doença que provoca dores constantemente, sem trégua alguma; pode conter um ato de querer ferir, por culpa, pai, mãe ou esposo; e talvez o mais complicado de entender e aceitar: a vida emocional se tornou pesada demais!

Quando o suicídio entrar na causa de ser por um peso emocional, alguns pensam em depressão, mas o mais correto seria dizer “puro desespero”! Em outras palavras, por um excesso de peso do viver e a completa falta de esperança no futuro, tira-se a própria vida.

Matar-se pode ser premeditado por anos ou segundos, pode vir com aviso ou não, pode ser precedido por pseudotentativas de chamar atenção ou não, pode ser público (atirar-se de uma ponte) ou no silêncio do próprio lar.

Algumas causas comuns que podem deixar a vida excessivamente pesada: excesso de cobranças, seja de ter que ser o melhor, de não poder errar, de ter que ser um exemplo ou ícone para a família, de ter que prover para a família e não conseguir ou dívidas; assim como diminuição de autoestima por estar ficando com o “corpo velho e feio”; abandono do esposo ou esposa; baixa autovalia; acreditar que nunca achará alguém que o ou a ame; considerar-se muito antipático ou “burro”; após ter passado por um trauma que não consegue superar (estupro ou assalto com violência física); descobrir que faliu aos “60” e não terá tempo para se levantar, acreditando que apenas “sobreviverá”; inadequação social, principalmente, na adolescência, com ou sem “bullying”; crise de ansiedade, angústia ou tristeza por causa de um filho ou esposa que tenha morrido e fim de um relacionamento de dependência. Quando estas causas se unem à ideia de que não haverá punição numa “vida” após esta e que a vida não melhorará com o passar dos anos, a bomba está feita.

Algumas características comuns de quem está se encaminhando para o suicídio são isolamento social, tristeza constante, filmes e músicas melancólicas, conversas sobre o fim dos sonhos ou sentido para a vida, interesse em formas de tirar a própria vida, não querer comer, falta de ânimo para atividades diárias de higiene e estudo ou trabalho, insônia constante e até uma estranha leveza após passar por tudo isso, pois o indivíduo teria descoberto como acabar com o sofrimento atual.

Vivemos uma sociedade contaminada pela necessidade do sucesso profissional, da busca “esgoelada” pela felicidade constante, do corpo perfeito, do durável leve, firme e tranquilo humor, da “liderança”, do ter que saber “inglês e mandarim”, além de ter mais do que duas pós-graduações, além de ter que ser uma excelente mãe, ter uma ótima performance sexual, ser gostado por muitos, conhecer bem política, ter viajado o mundo e uma pessoa “eco-fitness-green”.

Tão importante quanto aprender a ter posturas que nos levem a uma vida de sucesso, é aprender a lidar com as dores comuns da vida: morte, sofrimento que precederia a morte, ser rejeitado, ser menosprezado, ser ridicularizado, passar por vexames, perder quem ama para a morte ou outra pessoa, não estar no “pódio”, descobrir que não tem talento para aquilo que gostaria de ter, esforçar-se muito e receber pouco, tristezas ou momentâneas melancolias de uma tarde de inverno, ficar sozinho, ter pouco dinheiro, ser incompetente em uma ou mais situações ou áreas da vida e envelhecer, ficar gordinho e flácido, além de ter menos dinheiro do que tinha anos antes.

Afinal, o que você está precisando aprender para viver melhor, seja na busca dos seus objetivos ou para lidar com as dores da sua vida?
 

Fonte: Bayard Galvão é psicólogo clínico (PUC-SP), e hipnoterapeuta.
 

Atenção!
Este texto não substitui uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra ou psicólogo e não se caracteriza como sendo um atendimento.




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    por, que, pessoas, suicidam, suicídio, psicologia, psiquiatria

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