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Homens e a curtição pós-separação

Arlete Gavranic 15/05/2018 COMPORTAMENTO
Homens e a curtição pós-separação
Fonte: imagem Pixabay
Farra da solteirice não dura mais que dois anos

Por Arlete Gavranic

O comportamento pós-separação, seja de longo namoro, noivado ou casamento, apresenta características importantes de serem observadas. Homens que receberam o fora, "cartão vermelho" em um relacionamento, onde tinham um envolvimento afetivo e não havia por parte deles vontade de romper a relação, acabam vivendo um período de luto e tristeza.

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Isso pode levar ao sofrimento se ele alimentar o papel de vítima, ou pode levar a reflexões e análises produtivas para seu amadurecimento em relacionamentos futuros nos seguintes pontos: onde errou, onde investiu, quanto esteve disponível e inteiro na relação; disponibilidade de comunicação, de prazer a dois, de pedidos de mudança, atenção e carinho.

Esse período de análise faz parte da elaboração da perda, é um luto emocional que pode proporcionar a oportunidade de crescimento. Esses homens em geral não saem à caça de experimentar um grande número de mulheres para dizer que são viris e estão livres para viver. Essa atitude costuma acontecer em alguns casos onde essa tristeza da perda foi motivada por traição. A maioria desses homens que se entristecem parece ter um perfil voltado ao relacionamento e vai em busca de outro afeto. Um perigoso período, pois muitos, na sua carência de se sentir querido e desejado, podem cair nas seduções de mulheres dos mais diferentes perfis, mas que querem um homem para chamar de seu, além do risco de cair no grupo das interesseiras!

Por que um relacionamento acaba?

Alguns relacionamentos acabam, pois não há retroalimentação afetiva na energia vital do relacionamento do casal. Casais que deixam de ser namorados com nascimento de filhos, perdem a química e o entusiasmo de estarem juntos, vivem em função de filhos/família, não reservam tempo para serem casal e, portanto, não alimentam nem o afetivo nem o sensual da relação. Somado a isso ainda existem problemas financeiros, desentendimentos familiares, falta de diálogo e possíveis dificuldades profissionais que podem afetar negativamente o relacionamento.

Muitas outras separações acontecem por vontade desse homem que perdeu atração, desejo, vive uma relação desgastada, envelhecida; ou esse homem que passou a desejar viver uma vida livre como a de amigos separados ou até mesmo como a vida de filhos ou sobrinhos - chamo isso de inveja da juventude ou resgate juvenil tardio. Se casou cedo, não se experimentou sexualmente; se não tinha recursos na juventude, não pôde ir a festas, baladas, viagens, ter carro, moto ou não tinha autoconfiança para se jogar no mundo das conquistas... muitos podem ser os motivos. O fato é que esse homem rompe e vai em busca de se conhecer. É verdade que muitos fazem isso bem antes de assumir uma separação; e as facilidades atrativas acabam sendo um impulso para a decisão.

Baladas flashback

Além das baladas jovens, existe hoje nas grandes cidades, um número grande de baladas frequentadas por um público maior de 30, um público (nem sempre) maduro! São baladas flashback que resgatam hits dos anos 70, 80, 90 e até 2000, afinal, já se passaram 16 anos da virada do milênio! Tem para todos os gostos musicais. O público é composto por homens e mulheres - vamos admitir que elas sempre em número maior - na faixa dos 30 aos 60 anos.

Mas a grande fonte de "caça" a novas experiências acontece no "protegido" mundo virtual.

São muitos sites de relacionamento onde você coloca foto e uma prévia apresentação, diz o que procura e qual faixa etária que gostaria de conhecer. Alguns sites cruzam interesses e indicam pessoas para você ver se você quer dar seu "like", se o outro der ok também se abre caminho para iniciar uma conversa.

Em outros sites você se cadastra e sai conhecendo foto, nome, idade e pode dar um ok demonstrando interesse por uma ou várias pessoas. E é aí que muitos homens se realizam. Eles têm a chance de treinar o discurso da conquista (cantada ou xaveco para os mais de 35) e se autorizam a fazer convites para várias mulheres (e às vezes para homens também - por que não?), e a marcar encontros. Sim eu coloquei no plural! Eles agendam com bastante facilidade 3, 4, 5 ou até mais programas/encontros por semana.

Esse período de alta experimentação permite aos homens saírem com mulheres de todos os tipos. Isso alimenta a autoestima e a sensação de liberdade e virilidade! Essa alta rotatividade de parcerias costuma durar em média de 6 meses a 1 ano! É um período caro. Afinal, bares, jantares e baladas têm seu custo e muitos reduzem o período de curtição por não conseguirem arcar com os gastos. E na minha experiência em consultório avalio que esses homens, após alguns meses de curtição, podem começar a sentir vontade de ter alguém mais próximo, de troca afetiva, de momentos para pensar juntos!

Interessante entender essa etapa da masculinidade. Muitas mulheres reclamam que os homens querem viver muitas variações e novas experiências. Eles podem querer experimentar novidades e, na maioria das vezes, estão em busca também de reviver o clima de sedução e erotismo que foram perdidos.

Mas essa etapa se acalma. Dificilmente você vai encontrar homens que se mantenham mais que dois anos nessa solteirice; embora poucos possam se tornar solteiros convictos, mas a maioria desses homens busca nessa nova etapa, conhecer alguém que lhe estimule a atração, o desejo, o sentimento de admiração mútua, um afeto que talvez substitua o ranço de mágoas do relacionamento anterior. Eles buscam um clima "leve", divertido, uma cumplicidade mais madura.

Sinto na minha prática terapêutica, que uma das dificuldades que talvez a nova companheira encontre, é que a grande maioria desses homens já tem filhos do relacionamento anterior e nem sempre desejam mais filhos, não só pelo custo de criar um filho, mas pelo desejo de manter o namoro e evitar correr o risco de viver novamente as possíveis perdas ou dificuldades/afastamento que muitos viveram em seu relacionamento anterior.




TAGS :

    homens, curtir, vida, após, separação, solteiro, solteirice, mulheres

Arlete Gavranic

Psicóloga, Mestre em Educação; Educadora e Terapeuta sexual pela Sbrash, Coordenadora e docente dos cursos de Pós-graduação lato sensu em Educação sexual e em Terapia sexual do ISEXP/ Sbrash. Docente dos cursos de pós-graduação em Educação sexual e Terapia sexual da UNISAL e coordenadora do pós de Terapia Sexual da UNISAL.



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