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Estou viciado em crack e desempregado. O que faço?

Danilo Baltieri 29/06/2018 SAÚDE E BEM-ESTAR
Estou viciado em crack e desempregado. O que faço?
Fonte: imagem Pixabay
Tratamento de dependência química é uma via de mão dupla

Por Danilo Baltieri

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"Não tenho dinheiro para me internar. Não quero morrer. Ajude-me!"

Resposta: Os transtornos psiquiátricos relacionados ao uso de cocaína/crack são graves problemas de saúde pública.

Nos últimos 20 anos, o consumo do crack tem aumentado consideravelmente no nosso meio, possivelmente devido ao fácil acesso, ao potencial para indução de dependência e às estratégias do mercado de drogas.

O portador desses problemas comumente apresenta notável dificuldade para cessar o consumo da droga. Há o uso recorrente da droga, apesar das consequências obviamente nocivas; importante fissura ou desejo irrefreável pela substância, perda do controle perante esse consumo, dentre outros sintomas.

No Brasil, programas para a prevenção contra o uso de cocaína/crack e para o tratamento daqueles com problemas relacionados ao uso desta substância existem e têm sido prioridade do Governo Federal. Centros de Atenção Psicossocial de Álcool e outras Drogas (CAPS-AD) têm sido uma importante opção para aqueles que necessitam de tratamento médico e psicossocial.

Além dos CAPS-AD que funcionam durante o dia, existem os CAPS-AD III que funcionam 24 horas por dia.

Conforme reza a Portaria n° 130 do Ministério da Saúde, publicada em 26 de Janeiro de 2012, os CAPS-AD que funcionam 24 horas por dia (CAPS-AD III) devem ter:

a) serviços abertos, de base comunitária;
b) lugares de referência de cuidado para usuários e familiares em situação de crise;
c) receptivos para acolher casos novos e já vinculados, sem agendamento prévio e sem qualquer barreira de acesso em todos os dias da semana;
d) aptos para produzir um projeto de tratamento adequado;
e) capazes de promover a abstinência e a reinserção social do paciente.

Nos CAPS-AD, trabalham profissionais de diferentes formações acadêmicas, buscando proporcionar uma abordagem interdisciplinar. Estes dispositivos devem estar articulados com outros serviços de saúde, tais como ambulatórios de saúde mental, hospitais gerais, outros CAPS e consultórios de rua.

Infelizmente, é conhecido que os usuários de crack demonstram baixa adesão ao tratamento médico e psicossocial.

Empecilhos a um bom resultado terapêutico:

a) maior tempo de uso da droga;
b) quantidades vultosas da droga;
c) prejuízos cognitivos já instalados;
d) falta de motivação do paciente para o tratamento;
e) grande prejuízo social;
f) abandono dos familiares.

Os transtornos mentais relacionados ao consumo de crack são um flagelo para todos aqueles acometidos. Portanto, essa sua busca por uma solução é extremamente bem-vinda e deve ser estimulada.

Como tenho repetidamente escrito nesta coluna, o tratamento das dependências químicas é uma via de mão dupla. É necessária a existência de equipe médica e psicossocial apta e disponível para ajudar; mas, de outro lado, é essencial a participação ativa e motivada do portador do problema.

Atenção!
Este texto não substitui uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracteriza como sendo um atendimento.

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TAGS :

    dependente, crack, desempregado, viciado, psiquiatria

Danilo Baltieri

Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.



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