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Mitos desmotivam o idoso a fazer atividade física

Elisandra Vilella G. Sé 17/12/2018 SAÚDE E BEM-ESTAR
Mitos desmotivam o idoso a fazer atividade física
Fonte: imagem Pixabay
Estudo mostra que começar a se exercitar mais tarde ainda faz a diferença e que é muito melhor do que não fazer exercício algum

Por Elisandra Villela Gasparetto Sé

Pesquisas apontam que para 2025, a previsão de pessoas com a idade de 60 anos ou mais chegue a 1 bilhão e 200 milhões, atingindo 2 bilhões em 2050. A Organização Mundial da Saúde (OMS) enfatiza sua preocupação com o aumento da expectativa de vida, principalmente considerando o espectro assustador da incapacidade e da dependência, as maiores adversidades relacionadas à saúde a partir do envelhecimento. As principais causas de incapacidade são as doenças crônicas, incluindo as sequelas dos acidentes vasculares cerebrais (AVC), as fraturas, as doenças reumáticas e as doenças cardiovasculares.

O processo de envelhecimento é responsável pelas limitações fisiológicas devido às mudanças biológicas que ocorrem naturalmente e contribui para a redução da capacidade funcional e da independência, impedindo ou dificultando a realização das atividades de vida diária. Outros fatores contribuem para a diminuição da qualidade de vida, também como consequência do envelhecimento, tais como: fragilidade musculoesquelética, descondicionamento físico, ansiedade e depressão, inatividade física, diminuição da motivação e da autoestima.

As limitações funcionais são preditoras da impossibilidade da realização das atividades da vida diária, sendo portanto, fundamental a adoção de medidas preventivas e de promoção do envelhecimento ativo, como a prática de atividade física ao longo da vida.

O exercício é amplamente aceito como uma das formas mais eficazes para manter um corpo saudável. Estudos geriátricos e gerontológicos confirmam que os exercícios físicos regulares causam benefícios físicos, sociais e psicológicos para todas as idades, tanto para homens como para mulheres, reduzindo a mortalidade.

A prática regular de exercícios físicos preserva a força muscular, intensifica a capacidade aeróbica, contribui para a manutenção e melhora da densidade óssea, da mobilidade, da flexibilidade, do equilíbrio, prevenindo quedas, aumentando a autonomia e independência. A regularidade dos exercícios contribui para a redução do risco de doenças cardíacas, melhorando a circulação sanguínea, o controle da pressão arterial, aumentando a disposição e melhorando a resistência à fadiga. Tudo isso torna o indivíduo mais bem-humorado, motivado e diminui a depressão.

Um estudo realizado pelo Instituto Nacional do Câncer observou a quantidade de atividade física de 650 mil adultos com mais de 40 anos e concluiu que as pessoas que se exercitam regularmente vivem em média de três a cinco anos a mais.

Apesar dos benefícios conhecidos do exercício, muitos idosos ainda não se engajam. As pessoas mais velhas geralmente apresentam razões para evitar o exercício físico, e isso leva a equívocos comuns. Um deles é que o exercício é perigoso para as pessoas mais velhas porque representa um risco de cair e machucar as articulações. Outra é que o exercício não é bom para pessoas com doenças crônicas. Algumas pessoas também acreditam que elas são muito velhas e por isso não começam a se exercitar; e que esse exercício não faria diferença nessa fase de vida. O que é um equívoco.

Estudo

Um estudo publicado recentemente pela revista Journals of Gerontology comparou, ao longo de 16 anos, a saúde de adultos de 60 anos que se exercitavam regularmente, os que não se exercitavam e com os que aumentavam lentamente a quantidade de exercício ao longo dos anos. Os pesquisadores descobriram que a saúde dos adultos que se exercitavam regularmente e os adultos que aumentavam sua quantidade de exercício ao longo dos anos eram muito semelhantes. Entretanto, eles descobriram que os adultos que não se exercitavam enfrentavam piores resultados de saúde. O estudo mostrou que começar a se exercitar mais tarde ainda faz a diferença e que é muito melhor do que não fazer exercício algum.

E quanto à noção de que o exercício aumenta o risco de cair e dor nas articulações? A realidade é que o exercício realmente reduz o risco de queda porque fortalece os ossos e músculos, especialmente nas pernas. Além disso, o exercício também aumenta o equilíbrio e a coordenação em indivíduos mais velhos. De acordo com um estudo recente realizado no Physiotherapy, Canada, 35% dos adultos com mais de 65 anos e 50% dos adultos com mais de 80 anos caem anualmente. O mesmo estudo realizou uma pesquisa sobre a intervenção com exercícios e concluiu que o exercício de fato reduz o risco de queda.

Além de diminuir o risco de queda, o exercício reduz a dor nas articulações, fortalecendo os músculos ao redor dos ossos e aliviando a pressão das articulações. O exercício físico é uma das melhores maneiras de ajudar a prevenir a artrite degenerativa, que é causada pela deterioração da cartilagem ao redor dos ossos. Um estudo realizado em 2002 comparou a cartilagem do joelho em pacientes com uma média de 39 anos de idade que foram imobilizados de lesão medular com cartilagem do joelho em pacientes saudáveis. Após seis meses, os pesquisadores descobriram que a cartilagem nos indivíduos imobilizados era substancialmente mais magra do que a dos indivíduos saudáveis. Isso mostrou que a degeneração da cartilagem estava relacionada ao movimento físico.

No geral, o exercício é uma medida preventiva significativa para os idosos. Ao se exercitar, os idosos podem reduzir o risco de muitas doenças, como artrite e doenças cardiovasculares. Acabar com os mitos sobre os exercícios físicos é vital para fazer as pessoas mais velhas se exercitarem.




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Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



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