DESTAQUES

O cérebro do idoso e a memória

Elisandra Vilella G. Sé 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Elisandra Villela G. Sé

Todas habilidades intelectuais que envolvem pensamento, percepção, atenção, linguagem, memória, aprendizagem, criatividade, raciocínio lógico, entre outras funções fundamentais para a sobrevivência do ser humano são adquiridas num contexto sócio-educacional e guardadas no cérebro.

Com o envelhecimento a partir dos 60 anos, ocorre diminuição do peso do cérebro na mulher e, a partir dos 70, nos homens

Usamos o cérebro para desempenhar todas as atividades e quase não percebemos que para fazer uma conta no supermercado ele é tão importante e necessário quanto para fazer uma caminhada. Seu poder não é visível à primeira vista, porque quando você está pensando uma rede elétrica trafega dentro de seu cérebro numa velocidade surpreendente formando conexões entre as células nervosas que resulta numa rede complexa e sofisticada.

Através dos nossos sentidos são enviadas mensagens ao cérebro para serem decodificadas e interpretadas. No cérebro tais mensagens são transformadas em conhecimentos. É no cérebro que mora a palavra, tudo que aprendemos e vivenciamos fica bem guardado no nosso cérebro. Ele é o berço da idéia, a casa da consciência. É ele quem comanda os movimentos voluntários e involuntários, a coordenação psicomotora, a atenção, a concentração e percepção, além de permitir a prática de esportes, a ter ritmo e aprender a dançar. É o órgão mais complexo do corpo humano capaz de nos dar a inteligência e presença de espírito.

Com o avanço da idade, precisamos também conhecer quais mudanças ocorrem no cérebro e como ocorrem essas modificações que determinam o funcionamento da mente humana e os fatores que a influenciam. Entretanto, é da natureza do cérebro possuir alta plasticidade, ou seja, ele é capaz de se modificar conforme a sua interação com o ambiente. A plasticidade trata-se de um conjunto de processos fisiológicos, nos níveis celulares e moleculares, que explicam a capacidade dos neurônios mudar suas respostas em função de determinado estímulo. Quanto mais o nosso organismo se interage com o ambiente e se insere num contexto socializador, mais esse organismo se modifica. Tudo depende da relação dos aspectos biológicos com o ambiente para se desenvolver e se aprimorar. Nem a natureza é natural. Mente causa cérebro e cérebro causa mente. Mente e cérebro são duas faces da mesma moeda.

Neurônios

Os neurônios, que são responsáveis pelo envio e recebimento de sinais nervosos são verdadeiros bits de informação capazes de codificar tudo o que sentimos e pensamos. Tem a função de combinar informações genéticas, moleculares e bioquímicas com informações que recebemos do mundo. Nosso cérebro é dividido por lobos cerebrais: frontal, parietal, occipital, temporal.

Os lobos cerebrais são as regiões responsáveis por cada área ou funções específicas da mente humana. Nos lobos existem mais de um bilhão de células nervosas, os neurônios, que são responsáveis pelo envio e recebimento de impulsos e sinais nervosos. Existe uma eficiente comunicação entre os lobos. Nenhuma área do cérebro funciona independente da outra. Cada neurônio comunica-se com outros neurônios por meio de estruturas especializadas chamadas sinapses, que são espaços que contém diferentes substâncias químicas cerebrais, chamadas neurotransmissores. A ação conjunta dos neurônios forma as redes neurais ou circuitos, criando cada vez mais novas conexões ao exercitá-lo. Esta é a verdadeira comunicação que o cérebro exerce. No nascimento, os neurônios já estão formados, mas as sinapses se formam com a experiência. É o processamento das informações. Por isso, que dominar o cérebro é dominar o conhecimento.

O cérebro não está envolvido somente com funções de mobilidade e sensitivas, ele também possui áreas de associação importantes. Todo o circuito cerebral das funções intelectuais se relaciona com diferentes regiões do cérebro de um mesmo hemisfério cerebral ou dos dois em conjunto, permitindo que tais funções constituam sistemas funcionais complexos que possam apresentar grande poder de rearranjo funcional ou plasticidade cerebral. As funções mentais são um produto de uma longa evolução biológica e social. A capacidade de captar, reagir, operar estímulos recebidos do mundo externo, é uma diferenciação do organismo do homem, com grande capacidade de adaptação, o que assegura sua sobrevivência.

O sistema nervoso também sofre com a ação do tempo e o cérebro após atingir sua maturidade também envelhece e surgem algumas mudanças anatômicas e fisiológicas nele. Com o fenômeno do envelhecimento a partir dos 60 anos, ocorre diminuição do peso do cérebro na mulher e a partir dos 70 anos nos homens. Com o avançar da idade também ocorre alargamento de espaços e atrofia. Diminuição do "hipocampo", área importante para a memória e um menor metabolismo cerebral. Perdas de neurônios e como conseqüência redução de 50% das sinapses a partir dos 80 anos. Fatores que são importantes fatores de risco para quadros de doenças neurodegenerativas como a Demência.

Estudos científicos mostram como ainda é um mistério o cérebro humano, quando se trata de estudar suas capacidades, sobretudo o comportamento humano. Cada um dos neurônios tem um papel muito específico. A atividade de um deles influencia a atividade de milhares de outras células. Desta forma, torna-se evidente que os caminhos dos impulsos nervosos tomam circuitos diferentes em diferentes momentos, e que podem variar em diferentes regiões do cérebro, seja para uma atividade sensorial ou motora. Daí que surge a grande variabilidade do comportamento humano.

Antigamente, a plasticidade era considerada em função da idade, estando diminuída no sistema nervoso do adulto. Hoje já é cada vez mais possível acreditar que o sistema nervoso do adulto é sim capaz de modificações e adaptações. Essas modificações desempenham função importantíssima no aprimoramento da memória, na reabilitação para recuperação de funções perdidas em casos de lesões, e para aprendizagem e na adaptação às mudanças ambientais.

Plasticidade da memória

Programas de aprimoramento cognitivo e treinamento de memória possibilitam reverter ou compensar falhas de memória. Estudos sobre treinamento da memória comprovam que técnicas ou estratégias de memorização podem aumentar a eficácia da gravação da informação. Mas para obter bons resultados para a neuroplasticidade da memória, é importante utilizar mais de uma técnica durante o treinamento de memória e também estimular outras funções como atenção, concentração, linguagem, cálculo, o raciocínio abstrato, a criatividade etc.

O funcionamento mental implica nas capacidades de pensar, lembrar, raciocinar, formar estruturas complexas de pensamento, decidir, resolver problemas e enfim produzir respostas adaptativas às solicitações do ambiente. Tais capacidades do ser humano são influenciadas por características pessoais e individuais, como idade, educação, interesses, estilo de vida, saúde, atividades que o indivíduo desenvolve, quantidade de estímulo a que é exposto, além de aspectos emocionais e condições socioculturais.




Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



ENQUETE

Como você vem cultivando suas relações?






VOTAR!
Vya Estelar - Qualidade de vida na web - Todos os direitos reservados ®1999 - 2019
O portal Vya Estelar não se responsabiliza pelas informações e opinião de seus colunistas emitidas em artigos assinados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação.