Poliamor: o que é preciso para esse modo de se relacionar dar certo?

Por Andrea Lorena

Acho que todo mundo já leu alguma vez o poema “Quadrilha” de Carlos Drummond de Andrade, para quem não, aí vai um trecho:

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“João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém”.

Lembraram?

Com exceção de Lili, e se todos as personagens decidissem namorar entre si? Quando todos os envolvidos num relacionamento amoroso são livres para se relacionarem com outras pessoas, independente da quantidade de parceiros, temos o chamado “poliamor”, ou num termo mais científico “relacionamento não monogâmico consensual”.

Para esse tipo de relacionamento dar certo, é de crucial importância que haja muita honestidade e diálogo entre os envolvidos, acordos prévios e consistentes são bem-vindos, uma vez que se pode evitar muita confusão.

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Estudo recente publicado no Archives of Sexual Behavior revelou que indivíduos num relacionamento não monogâmico, quando comparados com aqueles que vivem um relacionamento monogâmico, apresentaram índices elevados de sentimentos relacionados à interdependência, dedicação, senso de identidade pessoal relacionada aos parceiros e grande disposição para manter o relacionamento (comprometimento, satisfação). E ainda, todos estes componentes somados levaram a uma maior qualidade de vida. Não é bacana?

Diante de todo o preconceito destinado a esse tipo de amor, saber que ele proporciona maior qualidade de vida para as pessoas envolvidas é muito importante. Talvez o que mais importe não é a quantidade de parceiros, mas sim a qualidade do vínculo estabelecido com um – ou mais de um.

Não é todo mundo que é capaz de estabelecer um relacionamento poliamoroso, assim como não é todo mundo que é capaz de estabelecer um relacionamento amoroso sequer. O que parece estar em jogo são qualidades há tempos esquecidas neste mundo de relacionamentos e amores líquidos – saiba mais -, valores como honestidade, sinceridade e respeito. E estes, caro leitor, deveriam estar nas em qualquer tipo de relação.

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Perguntaram-me se eu acho saudável este tipo de relacionamento? Eu respondo com outra questão: por que não seria saudável? Relacionamentos poliamorosos parecem ser nada mais do que um relacionamento amoroso baseado na igualdade, desejo e confiança.