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Autismo: qual é o maior desafio para tratá-lo?

Soraya Rodrigues de Aragão 09/05/2019 SAÚDE E BEM-ESTAR
Autismo: qual é o maior desafio para tratá-lo?
Fonte: imagem Pixabay
Na área da linguagem, dificulta a interação social, ou seja, a socialização da criança por não responder adequadamente ao ambiente

Por Soraya Rodrigues de Aragão
 
Você sabia que mais crianças são diagnosticadas com autismo que Aids, câncer e diabetes juntos?

O autismo é um transtorno psiconeurológico global (generalizado) do desenvolvimento infantil, caracterizado pela tríade linguagem, comunicação e comportamento, causando déficit nas áreas sensorial, da imaginação e apresentando prejuízo cognitivo, relacional, comportamental e das habilidades psicomotoras. O maior desafio a ser enfrentado ao lidar com essa síndrome ainda é o preconceito.   

Na área da linguagem, dificulta a interação social, ou seja, a socialização da criança por não responder adequadamente ao ambiente. Os comportamentos são restritos, repetitivos e padronizados, como maneirismos e gestos estranhos. São característicos também a ecolalia (repetição de sons), e as estereotipias motoras (movimento dos braços como asas de passarinho, movimentos pendulares, girar objetos e girar em torno do próprio corpo, caminhar na ponta dos pés). Existe enorme dificuldade de relacionamento com outras crianças, pois as crianças portadoras de autismo, não brincam no processo imaginário do “faz-de-conta”, não imitam gestos e geralmente não gostam de ser tocadas, parecendo que vivem em um mundo à parte. Uma característica marcante é que estas crianças não olham diretamente nos olhos.

Vínculos afetivos

Um aspecto que precisa ser desmistificado é aquele que diz que o autista não faz (ou não gosta de fazer) vínculos afetivos; ele gosta sim, apesar da dificuldade que enfrenta, sendo o afeto um diferencial na vida deles.

A dificuldade relacional do portador de autismo muitas vezes pode ser confundida com falta de educação ou falta de imposição de limites por parte dos pais e educadores.

Dentre estes sinais temos: não manter contato visual, agressividade e/ou destrutividade, resistência ao contato físico, apego aos seus objetos pessoais, geralmente não “querendo” compartilhar com outras crianças, sendo muitas vezes arredio e não se socializando eficazmente.

Autismo: causas

Não há uma causa específica para o autismo, mas poderemos enumerar que dentre os inúmeros fatores que explicam o mesmo, poderíamos destacar: causas neurofisiológicas, neurobiológicas e a genética (esta última com 80% dos casos).

A Síndrome Autística ou Transtorno do Espectro Autístico -TEA (assim se chama porque existem vários tipos de autismo, várias nuances dentro de um espectro com quadros sintomáticos diversos), afeta 70 milhões de pessoas no mundo (dados da ONU).

Diagnóstico

A Síndrome do Espectro Autístico se manifesta até o terceiro ano de vida, mas pode ser feito um diagnóstico precoce em torno dos 6-8 meses, otimizando assim o resultado da intervenção. Embora não tenha cura e dure por toda a vida, o diagnóstico precoce é um diferencial importante na qualidade de vida da criança portadora de autismo.

O tratamento engloba intervenções médicas, psicológicas, educacionais, sociais e institucionais. A família deve estar preparada e orientada para lidar com o seu novo membro. O Método ABA (Appliesd Behavior Analysis) e o método Teacch (Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children) são dois recursos que têm mostrado eficácia nos seus resultados com pessoas autistas de todas as idades para desenvolver as potencialidades em comportamento direcionado para a aprendizagem, o convívio/integração/inclusão na sociedade em qualquer contexto que se apresente.

Em 27 de dezembro de 2012, no Brasil, foi criada a Lei Nº 12.764 chamada Lei Berenice Piana e através desta, o Brasil instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Apesar da lei ter sido criada, observamos que a sociedade ainda é desinformada e não está preparada para lidar com as pessoas portadoras de autismo.




TAGS :

    autismo, crianças, síndrome

Soraya Rodrigues de Aragão

Soraya Rodrigues de Aragão é Psicóloga, Psicotraumatologista, Expert em Medicina Psicossomática e Psicologia da Saúde. Escritora e palestrante. Conselheira terapêutica em violência entre parceiros íntimos. Pesquisadora em Transtornos de Ansiedade e Especialista em Transtorno de Pânico. Autora dos livros: "Fechamento de ciclo e renascimento"; "Supere desilusões amorosas e pertença a si mesmo"; " Liberte-se do Pânico e viva sem medo!" www.sorayapsicologa.com, www.alquimiadavida.org



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