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Existe cigarro – nicotina - de boa ou má qualidade?

Danilo Baltieri 21/05/2019 SAÚDE E BEM-ESTAR
Existe cigarro – nicotina - de boa ou má qualidade?
Fonte: imagem Pixabay
Que critérios distinguiriam um do outro? Cigarros falsificados fazem mais mal à saúde?

Por Danilo Baltieri

Resposta: Todos os produtos à base de tabaco são altamente prejudiciais à saúde, independentemente do sabor, odor ou mesmo da sua proveniência. Deduzir que um tipo de produto à base de tabaco é mais seguro do que um outro é atitude reprovada pelo Food and Drug Administration (FDA), visto que pode induzir consumidores a pensar que alguns produtos à base de tabaco são mais seguros do que outros.

De acordo com o mesmo órgão Americano (FDA), afirmar que um produto à base de tabaco é mais seguro do que outro somente poderia ser realizado após exaustiva exposição de evidências científicas e posterior homologação pelo próprio FDA.

Até o presente momento, nenhum produto à base de tabaco tem preenchido critérios de segurança para o consumo. Desta feita, não há dose segura para o consumo de tabaco.

Cigarros ilegais e contrabandeados

Outrossim, cigarros “ilegais” ou “contrabandeados” ou mesmo fabricados por indústrias pouco conhecidas provocam, de fato, inúmeros questionamentos a respeito dos seus componentes, adulterantes, níveis de nicotina etc. Muitos dos cigarros falsificados não trazem informações, nas suas embalagens, sobre:

a) os riscos à saúde;
b) ilustrações sobre tais danos à saúde;
c) informações sobre os componentes tóxicos;
d) informações sobre as taxas pagas (ao governo);
e) nome, endereço ou número de licença para a comercialização do produto.

Um outro problema atribuído aos cigarros aqui chamados de “falsificados” é o menor preço e, portanto, a maior atratividade para o consumidor desse tipo de substância. A entrada de cigarros de procedência duvidosa ocorre em diferentes países ao redor do mundo. Isso provoca prejuízos financeiros para as indústrias oficiais que pagam as suas taxas regularmente; outrossim, provoca preocupação dos órgãos de saúde a respeito de um suposto maior risco causado por tais cigarros ditos “falsificados.”

Estudo canadense: cigarros legais X ilegais

Embora tema controverso nos gêneros textuais médicos, principalmente devido à enorme variedade de marcas e tipos de cigarros, o Departamento de Saúde do Canadá encomendou pesquisa comparando 04 amostras de cigarros contrabandeados com cigarros regularmente comercializados no país.

Nesta pesquisa, as mesmas substâncias químicas encontradas nos cigarros “legais” foram encontradas nos “ilegais.” Apesar da semelhança qualitativa, os cigarros “ilegais” demonstraram maiores quantidades de algumas substâncias, tais como benzopireno, amônia, tolueno, dentre outras. Não houve diferenças em termos de taxas de nicotina, acetona, formaldeído, dentre outras.

Considerando este estudo, as substâncias encontradas em maior quantidade nos cigarros ditos “ilegais” fariam pouca diferença no impacto danoso à saúde do usuário em relação aos cigarros ditos “legais.” Isso significa que ambos os tipos causam danos semelhantes e severos ao usuário.

Deve-se considerar que, quando aceso, o cigarro libera mais de 4.000 substâncias químicas e muitas delas estão associadas direta e indiretamente a variados tipos de câncer. Os tipos de cigarro variam dependendo de como o tabaco foi cultivado, o tipo de tabaco, a localização geográfica, os métodos de manuseio e armazenamento, embalagens etc.

Concluindo, podemos considerar que os cigarros legais e os ditos “ilegais” são bastante semelhantes qualitativamente, com algumas diferenças em termos de quantidade de algumas substâncias. No momento, não há como afirmar, além de uma dúvida razoável, que fumar um cigarro “ilegal” causa mais danos à saúde do que fumar um cigarro de distribuição legal no País.

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    cigarro

Danilo Baltieri

Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.



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