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Envelhecer pode afetar a capacidade de aprender?

O lúdico estimula a aprendizagem; entenda por quê

18 jul, 2019

Por Marta Relvas

Não adianta muitas reformas educacionais, se o educador não modificar suas práticas pedagógicas e seus pensamentos diante da aprendizagem escolar dos educandos, pois diante dessa situação estagnada, a educação continuará não atendendo as necessidades da sociedade. A princípio, não existem ferramentas educacionais específicas para aprendizagem de idosos. Para isso, o educador necessita buscar o conhecimento para lidar com as novas tendências desses cérebros dos idosos que aprendem.  

Umas das questões que precisam ser urgentemente repensadas sobre a aprendizagem do idoso, é que, o cérebro, quando estimulado, realiza novas conexões neurais. Estudos neurocientíficos comprovam por meio de imagens cerebrais que não existem pessoas que não aprendem, e sim, indivíduos mais ou menos estimulados diante das informações. 
 
Para que aconteça a aprendizagem há três aspectos fundamentais:

1 – Interesse na informação, pois só se promove a atenção quando a relação subjetiva é aguçada.  
 
2 – Atenção, o cérebro humano só aprende o que é pertinente e coerente, para estimular determinados neurônios a produzir  neurotransmissores relacionados à motivação.

3 –  E o cérebro motivado é o que assimila melhor as informações, por conseguinte, memoriza com mais sentido e significado.

Uma pessoa idosa pode aprender tanto ou até melhor que um cérebro jovem, basta ter tempo, intensidade, frequência, desejo, interesse, motivação, foco, objetivo, para exercitar e provocar novas conexões neuronais intencionais, pois o cérebro humano é capaz de promover neuroplasticidade neuronal, por meio de células altamente especializadas, denominadas neuróglias ou glias.    

Durante minhas práticas pedagógicas em sala de aula como professora e especialista em Neuroanatomia e Psicopedagogia, tenho observado que os estudantes mais idosos são encantadores, cheios de sonhos e desejos que os motivam a continuar. Além de desempenharem com muita responsabilidade as atividades que são propostas sobre algum determinado conhecimento acadêmico em sala de aula, ou em tarefas de estímulos de reabilitação cognitiva, emocional e motora para fins de saúde ocupacional, sempre demonstrando interesses para aprender.

Na realidade em que convivo, não observo preconceitos entre os colegas dentro de sala de aula, muito pelo contrário, os meus estudantes mais jovens gostam e respeitam os colegas idosos.     
   
Por que o lúdico estimula a aprendizagem

O modelo ideal para se promover a aprendizagem do idoso é por meio do lúdico. O cérebro assimila melhor quando motivado, utilizando- se recursos pedagógicos diferenciados como: jogos, palavras cruzadas, brincadeiras. Assim, o ato de aprender, torna-se mais agradável e prazeroso, pois, a ludicidade estimula os neurônios especializados da região do hipotálamo a liberar o neurotransmissor dopamina no sistema límbico ou cérebro emocional, que também pode ser denominado de “sistema de recompensa”. O importante é o idoso perceber que  a atividade lhe provoca um bom estímulo neural.     

O que impulsiona o idoso a estudar?

A princípio, a procura pela escola está relacionada à realização de uma vontade antiga de aprender os conteúdos escolares. Saber ler e escrever, e ou, estudar na universidade é uma condição frequentemente associada a ter uma vida melhor. Uma tendência que venho observando em meus estudantes idosos é a influência da escolaridade de filhos e netos. Um fator que impulsiona os mais idosos a estudarem, está no desejo em auxiliar na lição de casa das crianças ou participar mais ativamente da Educação delas. Outra razão está na busca por independência e autonomia da cidadania social e emocional (autoconfiança e autoestima), para não mais precisar  de vizinhos ou familiares para ler documentos ou identificar as informações em rótulos dos produtos, entre outras atividades em que a leitura é necessária no dia a dia da vida do idoso.

Os ganhos que os idosos demonstram ter com os estudos, reforçam que a função da escola não é só conduzir ao mercado de trabalho - essa concepção tem desconsiderado a velhice na formulação de políticas públicas e de leis relacionadas à Educação. Aprender traz benefícios muito maiores para todos. Por isso, garantir a uma Educação de qualidade é fundamental. É preciso  pensar em ações governamentais para essa parcela da população, que cresceu muito nos últimos anos e busca espaços de convivência e socialização, como a escola, possa ser atendida.

Bibliografia:

As Bases biológicas do Comportamento – Introdução à neurociência. Marcus Lira Bandão. São Paulo: EPU, 2004.
Sob comando do cérebro – entenda como a Neurociência está no seu dia a dia. Marta Pires Relvas. Edtora WAK, 2014, RJ.


Bióloga; Doutora e Mestre em Psicanálise; Neuroanatomista; Neurofisiologista; Psicopedagoga e Especialista em Bioética; Tem certificação no programa internacional em Reggio Emília Study Abroad Program na Itália; Title of People Expression Special category Best Practices in Education Neurosciences and childhood and adolescence learning of Erasmus+ University – Europe – Portugal; Membro Efetiva da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento; Membro da Associação Brasileira de Psicopedagogia Rio de Janeiro; Autora de livros e DVDs sobre Neurociência e Educação – Transtornos da Aprendizagem publicados pela Editora WAK e Editora Qualconsoante de Portugal; Atua ainda como Professora Universitária na Universidade AVM Educacional / Cândido Mendes, nos cursos de pós graduação em Psicopedagogia, Psicomotricidade, Neurociência Pedagógica, e na formação Docente; Professora na Universidade Estácio de Sá no Rio de Janeiro nos cursos das áreas: saúde, licenciatura; Professora Mentora do curso de Neurociência e Educação CBI OF Miami. Professora, pesquisadora convidada no curso de pós graduação de Neurociência do IPUB/ UFRJ. Coordenadora do Programa de Pós graduação de Neurociência Pedagógica na Universidade Candido Mendes/ AVM Educacional. Palestrante no Brasil e no exterior.

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