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Sintomas do transtorno de personalidade borderline

Joel Rennó Jr. 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
É possível controlar os sintomas do transtorno

por Joel Rennó Jr.

"Gostaria de saber quais são os sintomas  de uma pessoa com transtorno de personalidade borderline? Já li muito a respeito e creio que meu marido está com este problema."

Resposta: O transtorno de personalidade borderline não tem cura, mas sim controle dos sintomas. Deve haver, obrigatoriamente o acompanhamento psiquiátrico. Há medicamentos como os estabilizadores de humor, antidepressivos e até antipsicóticos que podem ter um papel relevante na adaptação e funcionalidade de tais pessoas.

Há pessoas simpáticas e amáveis dentro de um contexto social, que se comportam de maneira totalmente diferente com as pessoas de sua intimidade. São explosivas, agressivas, intolerantes, irritáveis, com tendência a manipular pessoas. Tais características podem ser relacionadas ao transtorno borderline da personalidade. Porém, há também os pacientes borderlines que provocam discórdia e desarmonia dentro e fora do lar. Esses últimos são considerados os sociopatas.

Na atual classificação da Organização Mundial de Saúde (CID.10), o distúrbio denominado Personalidade Borderline está incluído no capítulo dos Transtornos de Personalidade Emocionalmente Instável. Este transtorno se subdivide em dois tipos: o tipo impulsivo e o tipo borderline. O subtipo impulsivo é sinônimo do que conhecemos por transtorno explosivo e agressivo da personalidade.

O Transtorno de Personalidade Emocionalmente Instável, segundo a CID.10, caracteriza-se por uma tendência marcante a agir impulsivamente e sem consideração das conseqüências, juntamente com acentuada instabilidade afetiva.

Tais pessoas podem se auto-agredir e também agredir os outros. Queixam-se de sentirem um enorme ‘vazio’, sem até perspectivas em determinadas circunstâncias.

Nesses pacientes, a capacidade de planejar pode ser mínima e os acessos de raiva intensa podem com freqüência levar a explosões comportamentais e de violência. Tais explosões podem ser deflagradas quando são confrontadas ou se frustram.

Até que ponto vai o sigilo profissional de um psicólogo?
Meu marido está em tratamento há um ano com uma psicóloga e não melhora. Não tenho acesso à profissional para saber o que ele tem e nem como ajudá-lo

Resposta: Bem, com relação à questão ética envolvendo a psicóloga, é muito difícil julgar à distância, sem um conhecimento clínico do quadro do paciente. Porém, acho melhor você tentar novamente e expor a ela todo o sofrimento vivenciado pelos familiares, que não podem ter acesso a informações importantes que venham a ajudar na evolução clínica do seu marido e até no melhor entendimento da doença. O aprendizado da forma de lidar com o paciente é fundamental, isso deve ter uma ajuda profissional, mesmo que de um outro profissional até indicado pela psicóloga dele.

Em muitas ocasiões, o profissional da área de saúde mental deve ter a sensibilidade, flexibilidade e o bom senso de dar orientações técnicas e de relacionamento aos familiares orientando sobre o curso, prognóstico e tratamentos disponíveis da doença. O psicólogo, ao observar que apenas a psicoterapia não está funcionando, também deve ser honesto e encaminhar o paciente, o mais rápido possível, para o tratamento medicamentoso com um bom psiquiatra. Os riscos e prejuízos decorrentes de um tratamento inadequado ou ineficaz são elevados.

Eu, pessoalmente, acho correto uma abordagem sistêmica e não apenas do indivíduo. Cabe ao profissional explicar, de forma ética e respeitosa ao paciente, que isso não implica em qualquer quebra de sigilo profissional. Tem que deixar claro ao paciente que a orientação aos familiares com a sua devida autorização, tem um objetivo construtivo, para que os benefícios alcançados sejam potencializados.

Quando algum tratamento, mesmo após um tempo prolongado, não demonstra resultados satisfatórios, uma segunda avaliação profissional pode ser importante.  




Joel Rennó Jr.

Dr. Joel Rennó Jr. MD, Ph.D. Professor do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria da USP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein- São Paulo. Coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa de Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). www.psiquiatriadamulher.com.br



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