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Capacidade de autossuperação ajuda idoso a envelhecer com bem-estar

Elisandra Vilella G. Sé 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Eventos da vida precisam ser respondidos com resiliência

por Elisandra Vilella G. Sé

Dados do Censo Demográfico 2010, divulgados em 29 de junho pelo IBGE, apontam que que 45,6 milhões de brasileiros têm ao menos uma deficiência: visual, auditiva, motora, mental ou intelectual. Desse percentual 9,5 milhões são idosos.

Normalmente a velhice pode implicar uma diminuição da independência e da autonomia, dependendo dos fatores biológicos, cognitivos, emocionais, sociais e econômicos que influenciam o processo do envelhecimento.

Em alguns, a perda da capacidade funcional é mínima, em outros pode ser mais acentuada.

Durante o processo normal de envelhecimento, as pessoas podem compensar as perdas e adquirir maior adaptação funcional: realização de tarefas, como por exemplo, tomar banho, andar, comer. Esse processo de adaptação é entendido como uma estratégia para envelhecer bem, maximizando e otimizando habilidades para obter resultados compensatórios, positivos e desejáveis.

Mas e a pessoa que envelhece com uma deficiência?

Particularmente uma deficiência física. Uma coisa é tornar-se fisicamente impossibilitado de realizar atividades devido a doenças e perdas que ocorrem na velhice; outra coisa é conviver com a deficiência durante toda a vida ou parte dela e envelhecer com ela.

Estudos descrevem que as pessoas que adquiriram a deficiência na infância possuem maior adaptação pessoal ao contexto e ao ambiente, no que diz respeito à existência de barreiras arquitetônicas: como por exemplo transitar pelos cômodos de uma casa.

Pesquisas populacionais realizadas em vários países mostram que, apesar da velhice não ser sinônimo de doença e de incapacidade, à medida que as pessoas envelhecem, aumenta a possibilidade de que venham a apresentar algum prejuízo funcional.

Esses estudos revelam também que é significativo o efeito da idade avançada associada a certas condições causadoras de incapacidades físicas ou cognitivas (mentais) sobre essa adaptação funcional.

* Segundo Resende (2001), no Brasil, um resultado do aumento da expectativa de vida e dos avanços médicos e tecnológicos é: o gradual aumento do número de pessoas que envelhecem com uma deficiência física, isto é, que estão vivendo o suficiente para fazerem parte do grupo de velhos. Atualmente, esse grupo é o foco de atenção de profissionais de saúde, de políticas públicas, etc.

O entendimento por parte da população e da literatura sobre envelhecer com deficiência ainda é escasso, vide data do estudo publicado acima. Os estudos sobre deficiência ainda estão amadurecendo no Brasil, bem como a literatura sobre as políticas de inclusão. Atualmente, esse tema começa a ocupar mais espaço nas políticas públicas brasileiras em virtude do envelhecimento populacional que reforça o reconhecimento de que a experiência da deficiência não pertence apenas ao universo do inesperado e sim faz parte da vida de grande número de pessoas.

Entender e discutir a relação envelhecimento e deficiência é muito importante no sentido de compreender as limitações que acompanham o envelhecimento, como as limitações podem tornar-se causa de deficiências e como a pessoa com deficiência que envelhece poderá organizar sua rotina e se adaptar às novas necessidades.

É importante ressaltar que a interdependência (leve dependência para várias tarefas) e o cuidado são necessários em vários momentos da vida.

A deficiência no envelhecimento é uma condição que pode colocar a pessoa em desvantagem em termos de funcionalidade e dificultar adaptações arquitetônicas em ambientes sem condições ergonômicas adequadas, bem como ter que lidar com preconceitos e estereótipos, como por exemplo, o de serem considerados incapazes e de serem rejeitados por estarem num segmento mais vulnerável, caso de crianças e idosos.

Na velhice a probabilidade de perdas físicas psicológicas e sociais é maior do que a ocorrência de vantagens evolutivas porque o envelhecimento normal prevê um processo de contração. Ou seja, muitas vezes o aparecimento de doenças crônicas e de incapacidades na velhice é associado à deterioração, à redução de competências e ao aumento da necessidade de suporte, de auxílio.

Envelhecer com deficiência e bem-estar com ajustamento psicológico, produtivos e engajados com a vida, tendo senso de autonomia, pode ser alcançado por diversas pessoas, e isso depende da pessoa responder com resiliência (capacidade de superação) aos eventos que surgem durante a vida.

Assim, é muito importante que os profissionais de saúde que trabalhem com reabilitação compreendam como as pessoas se ajustam e vivem seu dia a dia com uma deficiência.

Envelhecer com deficiência exige competência adaptativa, buscando o equilíbrio para lidar com as adversidades e ajustar-se aos desafios impostos pela própria deficiência, a lutar pelos seus direitos, a estabelecer prioridades e manter relações sociais.

Um grande desafio está também em a sociedade como um todo, saber lidar com a diversidade, a respeitar as diferenças, as particularidades e peculiaridades de cada pessoa, a começar pelo respeito ao próximo. Um exemplo disso é o respeito ao idoso que tanto nossa sociedade precisa. Afinal, amanhã nós seremos os idosos e eles muito contribuíram para construção de nossa nação.

É muito oportuno o respeito ao seu trânsito: faixas do pedestres, vagas de estacionamento destinados aos idosos e deficientes.

* Marinéia Crossara de Resende: psicóloga, mestre em gerontologia, pesquisadora na área do envelhecimento e deficência.




Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



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