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Climatério faz engordar e gera tristeza, cansaço e desânimo?

Joel Rennó Jr. 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Climatério inicia-se por volta dos 41 anos e estende-se até os 65 anos

por Joel Rennó Jr.

"Estou com 45 anos, sou casada e tenho duas filhas. Sinto muito desânimo, muito cansaço, fadiga constante e tristeza relacionada com sentimento de perda. Vejo me às vezes sem vontade de nada e engordando muito. Será que isso tem haver com o climatério? Já pensei em tomar passiflora. Já tomei fluoxetina há um tempo atrás, mas acho que depois acabei engordando mais por conta da ansiedade, bem desanimada. Nem para academia, que é dentro do meu trabalho, tenho vontade de ir. O que o senhor me aconselharia? Agradeço sua ajuda e atenção."

Resposta: O climatério significa transição entre a fase reprodutiva e não reprodutiva da mulher.

O climatério inicia-se por volta dos 41 anos e estende-se até os 65 anos. Por volta dos 45 anos, em média, inicia-se o período que denominamos de perimenopausa.

A perimenopausa dura até um ano após a menopausa, que no Brasil ocorre em média por volta dos 51 anos de idade.

A perimenopausa é caracterizada por flutuações hormonais erráticas e por sintomas físicos (ondas de calor ou fogachos, dores nas articulações ou musculares, entre outros) e sintomas psíquicos (humor depressivo, ansiedade, irritabilidade, alterações do sono, etc).

Há um grande trabalho da Universidade de Harvard (EUA), demonstrando que o período da perimenopausa aumenta o risco de depressão nas mulheres em duas vezes, independente do histórico anterior. Quando a mulher tem sintomas físicos incapacitantes, esse risco é ainda maior.

É importante uma completa avaliação ginecológica e clínica antes de tudo, porque algumas doenças como hipotireoidismo (disfunção da glândula tireoide) podem estar presentes e contribuir com sintomas físicos como tristeza, cansaço, aumento de peso e até depressão.

Uma vez que os exames clínicos estejam normais, vale a pena procurar um psiquiatra. Nesse período de vida da mulher não é todo antidepressivo que pode ser utilizado e isso deve ser orientado por um psiquiatra competente.

Mudanças psicossociais coincidentes com essa fase de vida da mulher também podem, sem dúvida, contribuir para os quadros depressivos e ansiosos.

É importante, portanto, além da medicação (em caso de confirmação de um transtorno depressivo maior) uma abordagem psicoterápica a fim de ressignificar as experiências de vida, mudar hábitos de vida, etc…

Como em tudo em nossas vidas, as transições pelas quais passamos sempre abalam as nossas "estruturas". Mas, nunca é tarde para adquirirmos novas formas de pensar sobre o mundo e relacionamentos, nunca é tarde para mudarmos hábitos e comportamentos inadequados para os novos períodos de vida pelos quais passamos.

Atenção!

Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracterizam como sendo um atendimento.




Joel Rennó Jr.

Dr. Joel Rennó Jr. MD, Ph.D. Professor do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria da USP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein- São Paulo. Coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa de Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). www.psiquiatriadamulher.com.br



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