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O que fazer quando estamos com medo da vida?

Joel Rennó Jr. 01/01/2016 PSICOLOGIA
Medo: tirania imposta à vida que cerceia a liberdade

por Joel Rennó Jr.

"Parece que qualquer hora vai surgir uma problema que não vou conseguir resolver. Às vezes até entro em pânico. Fiquei assim depois que entrei na menopausa. Tenho que tomar algum remédio?"

Resposta: É uma situação ampla que precisamos analisar com muito cuidado. O medo em si não é necessariamente um sinal de doença, é um sentimento universal de todos os seres humanos e com significados próprios que pode até ser protetor em situações de perigo.

Pode estar relacionado a um fator concreto ou subjetivo. O problema do medo é quando ele se exacerba e começa a ser pervasivo, ou seja, a ocupar todo o universo de vida da pessoa prejudicando o funcionamento social, profissional e familiar do indivíduo.

Causa do medo é multifatorial

O medo pode ter a ver com a história de vida da pessoa (violência, doença grave, bullying, crise econômica, negligência familiar, entre outros fatores relacionados ao ambiente), com as características de personalidade do indivíduo (insegurança, baixa autoestima, dependência psicoafetiva dos outros) e até com fatores orgânicos (algumas doenças clínicas como hipertireoidismo que levam a aumento de ansiedade) e doenças mentais como depressão, transtorno de pânico, ansiedade generalizada e fobias.

Medo e menopausa

Algumas mulheres podem ter, com a aproximação do período de menopausa e pela queda estrogênica, uma chance maior (cerca de duas vezes) para transtornos mentais como depressão e transtornos de ansiedade. Mas fatores psicossociais específicos associados à menopausa também podem interferir (dificuldades de relacionamentos familiares e conjugais, aposentadoria, doenças de familiares).

Medo e ansiedade

Pessoas ansiosas geralmente têm medo inexplicável em relação a acontecimentos futuros e sempre têm previsões catastróficas ou negativas em relação à segurança ou à saúde de familiares ou de fracasso perante uma situação de exposição profissional. É a chamada ansiedade antecipatória e muitos começam a ter crises de pânico só ao pensar no que poderá acontecer quando um filho for a uma balada ou a pessoa tiver que apresentar um seminário aos colegas de trabalho. O medo pode até paralisar as ações de vida das pessoas e elas começam a evitar situações cotidianas e se isolam. Em grau máximo, pode até haver a esquiva fóbica e isolamento total.

É importante que cada caso seja analisado individualmente por um especialista da área de psicologia ou psiquiatria. O medo em si é um alerta e que, em grau moderado e severo, precisa ser melhor avaliado e pesquisado pelo profissional da área de saúde mental.

O que a pessoa não pode, é ficar sem descobrir a origem do seu medo e, de acordo com a tirania que ele impõe à vida da mesma, cerceia sua liberdade. Há técnicas de psicoterapia cognitivo-comportamental que são bastante eficazes no controle do medo e em último caso, quando houver um diagnóstico psiquiátrico realizado, o uso de medicamentos pode ser necessário também.

Atenção!

Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracterizam como sendo um atendimento.




Joel Rennó Jr.

Dr. Joel Rennó Jr. MD, Ph.D. Professor do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria da USP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein- São Paulo. Coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa de Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). www.psiquiatriadamulher.com.br



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