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Como tratar o torcicolo

Juliana Prestes Mancuso 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Cerca de 30% da população mundial terá torcicolo ao longo da vida

por Juliana Prestes Mancuso

As dores cervicais podem ser causadas por muitas patologias (doenças) especificas como tumores, infecções, doenças inflamatórias ou reumatológicas, sequelas de traumas e até doenças congênitas. Porém, nenhuma causa orgânica especifica pode ser encontrada na maioria dos casos e os sintomas costumam ser muito inespecíficos.

A dor cervical pode se originar de alterações degenerativas (envelhecimento) das estruturas da coluna cervical, assim como acontece na coluna lombar.

O paciente com dor cervical pode ter vários padrões de dor diferentes.

A dor pode ser puramente na face posterior do pescoço, pode acometer algum dos lados do músculo trapézio, supraespinhosos, romboide e escalenos - veja imagem ao lado. Pode ainda acometer a face inferior da mandíbula, dentes e como citado anteriormente pode causar cefaleia (dor de cabeça).
Cervicalgia: popularmente conhecida como torcicolo

A dor na região cervical da coluna é chamada de cervicalgia. Quando acontece de maneira transitória é popularmente conhecida como torcicolo. Cerca de 30% da população mundial apresentará cervicalgia no decorrer da vida.

No Brasil, acredita-se que 55% da população terão esses sintomas, sendo que desses, 12% das mulheres e 9% dos homens terão cervicalgia crônica.

O torcicolo é a cervicalgia aguda e na maioria das vezes autolimitada, ou seja, os sintomas desaparecem sozinhos por volta de uma semana. Geralmente causado por uma noite maldormida. Quando os sintomas persistem, é denominada cervicalgia e deve receber mais atenção.

A cervicalgia se instala de maneira insidiosa, ou seja, os sintomas se intensificam vagarosamente. Estes sintomas são: diminuição da amplitude de movimento (pescoço se movimenta menos), postura antiálgica (o paciente adota uma postura de defesa para diminuir a dor), dor que piora com movimentos e com palpação muscular e a rigidez muscular.

Causas mais comuns de cervicalgia:

- *Síndrome dolorosa miofascial é a mais comum, posturas viciosas e o estresse são as causas mais frequentes.
- Osteoartrose: a alteração degenerativa das articulações causada pelo envelhecimento pode levar a deformidades da coluna cervical provocando dor.
- Traumáticas: a mais comum é a ** Síndrome do Chicote que acontece nos acidentes automobilísticos.
- Fraturas
- Inflamatória: devido a doenças reumatológicas como artrite reumatoide por exemplo.
- Infecciosas: meningite, caxumba, abscessos.
- Metabólicas: osteoporose com fratura
- Tumores locais ou *** metastáticos
- Congênito: devido a alterações musculares congênitas.
- Estenose do canal vertebral, ou seja, diminuição do canal vertebral, no qual se encontra a medula, devido a processo degerativo.
- Hérnia discal: desencadeará dor em região cervical com irradiação para os braços, associado a formigamentos, perda de força e sensibilidade.

O diagnóstico é feito através de uma boa avaliação clínica do paciente associada a exames que podem auxiliar tanto no diagnóstico como no tratamento da cervicalgia. Os exames mais utilizados, conforme a necessidade de cada caso, são: raio x da coluna cervical e panorâmico, tomografia computadorizada, ressonância magnética, eletroneuromiografia e até termografia. Nos casos dos torcicolos que persistem por até uma semana, indica-se o uso de anti-inflamatórios e relaxantes musculares, calor local (pode ser com uma bolsa de água quente) e retirada dos fatores desencadeantes da dor. Exercícios de alongamento regulares são benéficos para a prevenção da recorrência do torcicolo.

Nos casos de cervicalgia crônica, são utilizadas medicações para dor crônica, associada a um programa de reabilitação que visa melhoria dos sintomas e prevenção de sua recorrência. Mas casos cirúrgicos são raros.

As posturas sentadas ou deitadas com flexão de cabeça mantidas por longos períodos, muito comum durante a leitura, na televisão e no computador devido à baixa altura dos monitores. A postura de inclinação lateral da cabeça e elevação do ombro ao atender ao telefone, quando coloca o apoio do fone entre a cabeça e o ombro.

A utilização do membro superior em elevação durante muito tempo também deve ser evitado, comum entre bibliotecários, cabeleireiros, garçons e outros.

A cada 50 minutos deve ser feito um alongamento muscular nessas regiões da cervical e membros superiores. A posição para dormir também pode ser determinante.

Até onde o tipo de travesseiro ou de colchão responde pelas dores na região do pescoço e na nuca? Como boa parte da vida estamos sobre o colchão e o travesseiro, os mesmos são determinantes para manutenção de um bom alinhamento da coluna vertebral, o colchão deve ser semiortopédico e com densidade apropriada a cada indivíduo. O travesseiro não pode ser alto, deixando a cabeça fora do alinhamento. Pode-se dormir em decúbito lateral (de lado) com um travesseiro entre os joelhos, outro apoiando a cabeça no espaço vazio entre a cabeça e o ombro e outro dando suporte ao membro superior contralateral ao colchão. Também em decúbito dorsal (de barriga para cima), com um travesseiro no espaço da cervical na altura onde a cabeça possa ficar em linha neutra; outro abaixo dos joelhos (que devem estar semifletidos = flexionados). Deve-se evitar dormir em decúbito ventral (bruços), pois essa postura pode provocar uma rotação cervical mantida por longo período, gerando um desalinhamento entre as colunas cervical, dorsal e lombar.

Uma avaliação fisioterápica detalhada de modo a observar as alterações que podem ser responsáveis por essa queixa, investigando se a dor é decorrente de um trauma muscular, articular ou de problemas posturais. Assim, o tratamento será indicado conforme o diagnóstico.

A Fisioterapia é indicada tanto no caso das cervicalgias agudas como nas crônicas. As alterações posturais têm grande responsabilidade pela maioria dessas dores que podem iniciar lenta e progressivamente devido aos encurtamentos musculares, que vão se formando na região anterior e posterior da cervical bem como na superior do ombro.

* 1. O que é a síndrome da dor miofascial?

É uma causa comum de dor no músculo caracterizada pela presença de pontos gatilhos. Ocorre em ambos os sexos e é mais comumente observada em atletas e nas pessoas acima dos 30 anos de idade.

2. O que são pontos gatilhos?

São locais bem delimitados, podendo-se manifestar como um nódulo ou local de contração do músculo. Este, quando estimulado, causa uma dor em uma área distante (dor que ¨corre¨ para outro local).

3. Quais os sintomas da síndrome de dor miofascial?

O mais comum é a dor em determinada região do corpo, geralmente mal localizada, sobre os músculos ou juntas. A síndrome tende a piorar ou aparecer com esforço físico. No entanto, ela pode ocorrer mesmo ao repouso, quando não for tratada precocemente.

Fonte deste três itens acima: ReumatoUSP

** Síndrome do chicote é a denominação dada ao conjunto de sinais e sintomas que acometem um indivíduo submetido ao mecanismo de aceleração/desaceleração (movimento em chicote) que é imposto à região cervical por ocasião de um acidente automobilístico, por exemplo.

*** Tumor metastático é aquele que se espalhou a partir do lugar onde se iniciou para outro local do corpo.




Juliana Prestes Mancuso

É formada pela Universidade Anhembi Morumbi, especializada em Fisioterapia Ortopédica e Traumatológica pelo Instituto Cohen de Ortopedia e Medicina Esportiva, Fisiologia do Exercício pela Universidade Veiga de Almeida, Fisioterapia do Sistema Musculoesquelética pela Universidade São Marcos e em acupuntura e medicina chinesa pelo Centro Científico Cultural Brasileiro de Fisioterapia. É responsável pelo site e grupo de discussão Fisioterapeutas Plugadas.



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