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Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade: apenas apontamentos avulsos...

Regina Wielenska 01/01/2016 PSICOLOGIA

por Regina Wielenska

Um tema dessa complexidade está além de meus conhecimentos profissionais, mas quero abordar um aspecto específico, o qual pode ajudar famílias e educadores a lidar com comportamentos que parecem se caracterizar por inquietude, impulsividade, desobediência, pouca concentração, etc.

Segundo as definições psiquiátricas, o TDAH se caracterizaria por uma série de comportamentos como os descritos em http://www.tdah.org.br/br/sobre-tdah/quadro-clinico.html . Este site pode ser de grande valia para quem quiser saber mais sobre o TDAH, um padrão de comportamento que costuma ser bastante prejudicial tanto para crianças como adultos que não recebam tratamento adequado.

O que desejo esclarecer é que por vezes os leigos e até profissionais da área da educação e da saúde podem ficar ligados fortemente aos aspectos formais do comportamento (se a criança age assim e assado, isto é TDAH e ponto final) e desconsiderar o contexto de vida no qual o comportamento surge e ao qual pode estar conectado funcionalmente. Por exemplo, será que tem mesmo TDAH uma criança que compete com os irmãos pela atenção dos pais e recebe predominantemente mais atenção (mesmo que sob a forma de advertências e supostas punições) quando age de maneira agitada do que quando fica sossegada no seu canto?

Outro exemplo seria o de escolas pouco preparadas para lidar com a criatividade, ambientes que pouco contemplam as necessidades de cada aluno ao longo da aprendizagem. Crianças que já sabem a matéria e são obrigadas a fazer tarefas mecânicas e repetitivas podem se desinteressar, ficarem dispersas. O mesmo ocorre com que está com dificuldade de aprender, e se desliga da situação para escapar do desafio que não consegue superar.

Vida adulta

Adultos não necessariamente se ajustam todos a um único padrão corporativo. Há os que funcionam melhor em ambientes estruturados, formais, organizados de cima para baixo, regulados por normas coletivas, horários pré-definidos, etc.. Por outro lado, isso pode ser uma gaiola horrorosa para aqueles que conseguem produzir muito mais, e contribuir para a empresa, desde que tenham mais liberdade e menos regras ao longo do processo criativo.

Para cada pé há um sapato, diz o velho ditado, descobrir esse ajuste é muito importante. Muitas vezes os pais precisarão aprender a lidar melhor com seu filho; e rever práticas educacionais na família e na escola pode ser uma ferramenta terapêutica fundamental, tanto quanto medicação e terapia individual. Para isso psicólogos especializados podem oferecer terapia familiar, orientação de pais e psicoeducação. O foco da intervenção recairia sobre os problemas da família, não exatamente apenas sobre a pessoa em relação à qual há queixas de desatenção ou impulsividade.

Uma estratégia de resolução coletiva dos problemas, cada qual fazendo sua parte, pode significativamente auxiliar famílias, desfazer preconceitos, promover mudanças.

Certamente deixei de lado muitos aspectos do assunto, e por isso mencionei um link confiável, onde os leitores curiosos encontrarão respostas a suas indagações. Até a próxima coluna!
 




Regina Wielenska

É psicoterapeuta na abordagem analítico-comportamental na cidade de São Paulo. Graduada em Psicologia pela PUC-SP em 1981, é Mestre e Doutora em Psicologia Experimental pela IP-USP. Atua como terapeuta e supervisora clínica, é também professora-convidada em cursos de Especialização e Aprimoramento. Publicou dezenas de artigos científicos, e de divulgação científica, além de ser coautora de livros infanto-juvenis.



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