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Nível de concentração pode fazer a diferença para atingir o sucesso

Renato Miranda 01/01/2016 PSICOLOGIA

por Renato Miranda

No último texto - clique aqui e leia - falamos sobre o conceito e os componentes da concentração no esporte que são úteis também para vários setores de nossas vidas.

Hoje trataremos como convencionamos, da parte prática da concentração, que se resume em como manter a concentração e posteriormente algumas estratégias para um bom nível de concentração.

Como manter a concentração:

Para mantermos nossa concentração pelo tempo que for necessário, basicamente precisamos de:

a) Controlar a consciência (foco) – Significa ter em mente o controle de todos os elementos (estímulos) relevantes para a realização da tarefa. Deste modo tudo aquilo que tiver ligado à execução técnica e comportamento tático, na medida do possível, deve ser rapidamente percebido para garantir o melhor modo de realização de movimentos. Como exemplo pode-se destacar um atleta de futebol que controla todos os fundamentos do jogo (passe, condução de bola, chute etc.) e funções táticas específicas (marcação à zona, individual, etc.). Em conseqüência, ele mobiliza sua consciência para tudo que possa vir acontecer em um jogo e para cada situação e tem boa estratégia de ação e adaptação frente aos acontecimentos. Muitas vezes, essa capacidade é o que diferencia um atleta de alto nível de um outro de nível mediano.

b) Saber o significado estratégico de cada detalhe – É usual escutarmos na mídia quando de transmissões esportivas, que o fator de definição do resultado de uma competição está no “detalhe” visto que a tendência, principalmente no alto rendimento, é a equivalência de desempenho entre os participantes. Se você reparar, qualquer atividade que fazemos em nível de excelência, cada detalhe é importante para que possamos manter a concentração e, por conseguinte obtermos sucesso. Portanto, para manter-se concentrado depende, e muito, se você sabe e admite a importância de dominar as sutilezas de cada detalhe da tarefa. Imagine como um escalador de montanhas precisa saber da conseqüência de cada pequeno movimento que ele faz com o corpo e a quantidade de procedimentos de segurança que precisa checar a todo instante.

c) Mobilizar os órgãos sensoriais de maneira ótima – É considerar, fundamentalmente que esse é o pré-requisito para manter-se alerta e pressuposto, em condições de perceber a todo instante, tudo que é relevante.

Ao disponibilizar, em alta qualidade, todos os órgãos sensoriais envolvidos na ação você tem a chave para a concentração pelo tempo que for necessário.

Por isso, é fundamental preservar nossos órgãos sensoriais e saber utilizá-los da melhor maneira possível. Certa vez um atleta de voleibol da seleção brasileira adulta me procurou para melhorar sua manutenção de concentração, já que com o passar do jogo sua qualidade na recepção de saque piorava significativamente. Lembro-me que logo na primeira sessão de treino já obtivemos um grande sucesso. Não fiz mágica alguma, simplesmente antes do primeiro treino, pedi que fosse ao oftalmologista. Depois da correção visual meu trabalho ficou mais fácil.

d) Mobilizar toda a energia psicofísica (mental, física e emocional) – Procurar reunir em nível ótimo, todas as possibilidades cognitivas para o planejamento de ações, as capacidades físicas concretas envolvidas na atividade e a regulação da excitação emocional pertinente ao desafio. Essa mobilização permite um esforço econômico e eficaz para manter-se concentrado. Observe como atletas bem preparados, parecem antecipar as ações do adversário e conseqüentemente escolhem o melhor plano de ação, ao mesmo tempo temos a percepção que fazem tudo sem esforço físico e não se abalam frente às tensões da competição, além disso, agem como se fossem pessoas frias, mas na verdade são atletas altamente treinados. Atualmente, o tenista suíço Roger Federer é o melhor exemplo desse item, basta vê-lo jogar para entender na prática o que é mobilização da energia psicofísica.

Abaixo relaciono algumas estratégias que podem ajudar todos àqueles que querem manter um bom nível de concentração não só no esporte, mas em qualquer setor da vida:

Memorizar um amplo repertório de tomada de decisões – representa ter de maneira clara na mente “soluções” para os problemas surgidos até mesmo, para aqueles que nos pegam de surpresa;

Equacionar emoções – ajustar o nível de excitação emocional frente às exigências apresentadas é o que nos permite pensar em como agir melhor e evitar que a aflição invada a nossa mente e nos perturbe.

Estar motivado e bem condicionado fisicamente – essa é a lógica para um bom nível de concentração. Avalie a seguinte seqüência; se você quer melhorar seu desempenho é preciso concentração, mas para tal é preciso ter energia intensa e direcionada ao objetivo, é o que chamamos de motivação, porém sem um bom condicionamento físico essa energia é facilmente dispersada e como resultado a manutenção de sua concentração será prejudicada.

Alegria e vivência na atividade – por mais exigente que seja a ação, quando fazemos o que tem que ser realizado com alegria nossa mobilização da energia psicofísica é facilitada, bem como nosso vigor e disposição para concentrarmos. Por outro lado, quando maior o número de vivências na atividade, melhor será nossa capacidade de avaliação de diferentes situações para a escolha de tomada de decisões, é o que se convencionou chamar de experiência pessoal.

Estabelecer e envolver-se com rotinas – estamos acostumados a avaliar rotinas como algo aborrecedor e monótono. De fato, uma rotina sem qualidade tende a ser uma experiência desestimulante. Todavia, quando freqüentemente você é solicitado a fazer tarefas exigentes nada melhor que estabelecer e envolver-se com procedimentos específicos e repetidos. Assim será assegurada precisão, eficácia, autoconfiança e economia de energia psicofísica, favorecendo sua motivação e uma consistente memória para tomar decisões de maneira concentrada.

Bom nível de autoconhecimento – quanto mais você conhecer seus limites e potencial maior será a possibilidade de se manter concentrado. Encontrar seu próprio “ponto” de controle emocional, suas possibilidades de ações e disposição de enfrentamento são advindos particularmente do seu nível de conquistas individuais, frustrações e vivências diversas.

Por fim, faça um esforço e lembre-se que toda vez em que você fez algo e obteve sucesso, certamente estava concentrado do início ao fim da atividade, motivado, e emocionalmente bem equilibrado, portanto, pense o quanto vale a pena investir em sua capacidade de manter-se concentrado ao realizar algo.




Renato Miranda

Professor da Faculdade de Educação Física da UFJF; Mestre e doutor em Psicologia do Esporte (UGF); Especialista em didática e psicologia do esporte na Alemanha (Escola Superior de Esporte Alemã - Colônia) e Rússia (Instituto de Cultura Física de Moscou); Consultor de atletas em psicofisiologia (concentração, estresse. motivação e flow-feeling).



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