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Condição cardiorrespiratória está associada à doença de Alzheimer, indicam estudos

Ricardo Arida 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Ricardo Arida

Apesar do crescente interesse na avaliação do papel do exercício físico em indivíduos com Doença de Alzheimer (DA), estudos ainda carecem de melhor entendimento dessa associação.

Na última década, trabalhos mostraram que idosos sem demência praticantes de atividade física regular apresentavam níveis mais baixos de *biomarcadores da DA.

Estudos epidemiológicos sugerem que a atividade física regular pode prevenir declínio cognitivo e demência. Como já disse anteriormente, um desses estudos mostrou que a dança, uma atividade aeróbica, estava associada com menor risco de desenvolver a demência (1,2). Outros trabalhos têm demonstrado que o treinamento físico aeróbico melhora o desempenho cognitivo em pessoas com leve comprometimento cognitivo (3,4). Nesse sentido, um estudo recente mostrou uma associação entre baixa condição cardiorrespiratória e doença de Alzheimer (5). Esse mesmo grupo de pesquisadores demonstraram em trabalhos prévios que a aptidão cardiorrespiratória estava relacionada ao volume cerebral em indivíduos com DA (6,7).

Esta bem esclarecido na literatura que o exercício físico regular influência a condição cardiorrespiratória do indivíduo, uma medida de consumo máximo de oxigênio durante um teste de esforço incremental (teste ergométrico). Uma melhor condição cardiorrespiratória está associada a menores taxas de declínio cognitivo em idosos sem demência, entretanto, existe uma escassez de informações sobre a relação da condição cardiorrespiratória e a progressão da demência e alterações estruturais do cérebro.

O recente estudo (5) publicado em revista de grande impacto científico (Neurobiology of Aging, 2011) envolveu 53 particpantes sem demência e 37 indivíduos no estágio inicial da DA, todos acima de 60 anos de idade e acompanhados por um período de dois anos. Avaliação por neuroimagem e teste ergométrico foram realizados nesses indivíduos antes e ao final desse período. A condição cardiorrespiratória foi menor nos indivíduos com DA durante o período de estudo. Ainda, o declínio da condição cardiorrespiratória durante o período de dois anos foi também associada com atrofia cerebral em pessoas com DA.

Os resultados desse estudo reforçam os achados anteriores de um associação entre fitness e saúde cerebral em indivíduos com DA e sugerem a necessidade de estudar os mecanismos associados à saúde cardiorrespiratória e alterações cerebrais na DA.

* marcadores biologicos desta doença

Referências Bibliográficas

1- Prevention: activity is the best medicine. Nature. 2011;475(7355):S16-7.

2- Verghese J, Lipton RB, Katz MJ, Hall CB, Leisure activities and the risk of dementia in the elderly. N. Engl. J. Med. 2003;348, 2508.

3- Baker, LD, Frank LL, Foster-Schubert K, Green PS, Wilkinson CW, McTiernan A, Plymate SR, Fishel MA, Watson GS, Cholerton BA, Duncan GE, Mehta PD, Craft S., Effects of aerobic exercise on mild cognitive impairment: a controlled trial. Arch.
Neurol. 2010; 67:71–79.

4- Scherder EJA, Van Paasschen J, Deijen JB, Van Der Knokke S, Orlebeke, J.F.K., Burgers I, Devriese PP, Swaab DF, Sergeant JA. Physical activity and executive functions in the elderly with mild cognitive impairment. Aging Ment. Health 2005; 9: 272–280.

5- Vidoni ED, Honea RA, Billinger SA, Swerdlow RH, Burns JM. Cardiorespiratory fitness is associated with atrophy in Alzheimer's and aging over 2 years. Neurobiol Aging. 2011

6- Burns JM, Mayo MS, Anderson HS, Smith HJ, Donnelly JE. Cardiorespiratory fitness in early-stage Alzheimer disease. Alzheimer Dis. Assoc. Disord. 2008;22:39-46.

7- Honea RA, Thomas GP, Harsha A, Anderson HS, Donnelly JE, Brooks WM, Burns JM. Cardiorespiratory fitness and preserved medial temporal lobe volume in Alzheimer disease. Alzheimer Dis. Assoc. Disord. 2009;23:188-197.




Ricardo Arida

Possui graduação em Educação Física pela Universidade de São Paulo (1980), mestrado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1995), doutorado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1999) e pós-doutorado pela Universidade de Oxford-UK. Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo. Tem experiência nas áreas de Neurociências e Fisiologia do Exercício Mais informações: www.ricardoarida.wordpress.com



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