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Se estava convicta de me separar. Por que sinto-me tão deprimida depois que me separei?

Anette Lewin 01/01/2016 PSICOLOGIA
Evite classificar sua decisão como um fracasso ou sinal de incompetência

por Anette Lewin

"Tenho vivido dias bem complicados. Faz dois meses que cheguei à conclusão de que meu casamento acabou; saí de casa deixando para trás tudo o que construí com meu ex-marido. Tenho me sentido perdida, sozinha, achando que não tenho capacidade de ser feliz novamente. Às vezes estou bem, mas em algumas horas, me vejo tomada por uma tristeza tão profunda, que nem tenho vontade de viver. Esse sentimento é normal? Por que tenho me sentido assim, se quis realmente acabar com tudo? Será que todo esse vazio e esse sentimento de incompetência vai passar? Preciso de alguma palavra ou conselho que me ajude a enxergar a vida com mais alegria pois, ultimamente, meus dias têm andado muito mais cinzas do que coloridos."

Resposta: Qualquer separação gera algum luto, independentemente de quem tenha tomado a iniciativa. Afinal, quem casa tem planos a longo prazo e a separação certamente interromperá muitos deles deixando o gosto de um amargo vazio.

Caminhar em direção a um objetivo provoca uma sensação de plenitude; por outro lado, sentir-se livre, mas sem um esboço do que serão os próximos tempos, certamente causa uma sensação de angústia frente ao desconhecido. Esse é o momento pelo qual você está passando. Afinal, você resolveu se separar, mas ainda não resolveu o que vai fazer de sua vida amorosa daqui para frente.

Nesse momento a melhor coisa a fazer é aprender a conviver com você mesma. É sua chance de entender melhor quais são as coisas que lhe agradam, o que você não suporta, que tipo de filme você curte, quanto tempo gosta de ficar entretida com suas leituras sem ser interrompida, qual a importância do silêncio em sua vida.

Repare que você está partindo do pressuposto que ficar só é triste e se angustiando demais com isso. Será que é real a ideia de que estar com alguém imprime maior felicidade à sua vida? Afinal, para que você precisa de uma pessoa ao seu lado? Faça uma análise crítica do tempo em que ficou casada e tente entender o que ganhou e o que perdeu com a situação.

Lembre-se que foi você que resolveu se separar por algum motivo que só você sabe. O que foi ficando tão insuportável na relação que você não aguentou mais?

O motivo da separação está mais ligado à pessoa com quem você conviveu ou o casamento em si não era o que você imaginava?

Lembre-se que casamento não é para todos! Abrir mão do "eu "pelo "nós" pode ser lindo nos filmes, mas na realidade requer uma generosidade que não é lá muito estimulada nos dias em que a dança do "selfie" impera absoluta.

Evite classificar sua decisão como um fracasso ou sinal de incompetência. Assuma a decisão que tomou de cabeça erguida ao invés de se envergonhar dela. Certamente, sua tristeza não será eterna e esse momento de depressão dará lugar a novos planos e sonhos. É só saber esperar com dignidade.

Caso, porém, você se sinta assim por muito tempo, procure ajuda profissional. Nada como ter alguém que esteja junto com você para ajudá-la a entender esse momento de crise e fazer com que saia dele fortalecida.

Vya Estelar Responde

Vya Estelar quer colocar você, querido leitor, mais perto ainda de nós. Esse profissional irá responder dúvidas enviadas pelos internautas sobre um determinado tema. A psicóloga Anette Lewin responderá sobre relacionamento amoroso, conflitos na vida a dois e conjugal. Esta resposta possui dois formatos: 1º formato: responder as perguntas enviadas pelos leitores. 2º) formato: de A a Z, explicar através de uma palavra em específico (verbete) o significado do que sentimos ao amar. Esta palavra será extraída de um e-mail enviado pelo leitor a esta coluna. Os e-mails serão selecionados e editados de acordo com critério editorial do Vya Estelar, já que não será possível responder a todos. Seu nome e e-mail serão preservados.

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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental.



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