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Sou viciado em calmantes. Como faço para largá-los?

Danilo Baltieri 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Usuários buscam aliviar a ansiedade ou a indução do sono

por Danilo Baltieri

"Estou viciado em consumo de calmantes. Tento largá-los, mas estou com síndrome de abstinência: sinto medo, dor no estômago, náusea, tontura e muitas dores pelo corpo. O que devo fazer, pois fico totalmente desesperado quando não tomo?"

Resposta: Os benzodiazepínicos, como Diazepam, Lorazepam, Midazolam, Alprazolam, Bromazepam, dentre outros, podem, a partir do consumo prolongado, promover quadros de dependência fisiológica.

Embora sejam medicações úteis no tratamento de vários quadros clínicos, a prescrição das mesmas deve ser realizada criteriosamente pelo médico e o acompanhamento do paciente que as recebe deve ser rigoroso.

Essas medicações não devem ser autoadministradas sem o acompanhamento de um médico capacitado, sob quaisquer pretextos ou hipóteses. Em situações onde o indivíduo faz uso dessas medicações sem o rigoroso acompanhamento do médico, os riscos para desenvolver complicações advindas desse consumo aumentam. No entanto, mesmo quando essas medicações são prescritas por médicos, sem o adequado acompanhamento clínico, elas podem gerar quadros de dependência.

No Brasil, cerca de 3,3% da população entre 12 e 65 anos de idade faz uso de benzodiazepínicos sem prescrição médica. Nos Estados Unidos da América, cerca de 6% da população adulta faz uso de benzodiazepínicos sem receita médica.

De fato, a maioria das pessoas que faz uso de benzodiazepínicos está procurando alívio da ansiedade ou indução do sono. No entanto, após o consumo crônico dessas substâncias, essas mesmas pessoas podem estar fazendo uso dessas substâncias para evitar sintomas relacionados com a falta da droga (sintomas de abstinência). Por isso, a prescrição dessas medicações deve ser criteriosa.

Por outro lado, os benzodiazepínicos são frequentemente utilizados por indivíduos portadores de outros quadros de dependência química. Indivíduos com síndrome de dependência ou abuso de cocaína ou anfetaminas, muito amiúde, fazem uso de benzodiazepínicos para aliviar os sintomas de intoxicação provocados por aquelas drogas.

Já os indivíduos com síndrome de dependência de álcool, opioides (heroína, oxicodona, morfina, meperidina, etc.) ou outras drogas, infelizmente, muitas vezes, fazem uso de benzodiazepínicos para obter melhora dos sintomas das síndromes de abstinência provocadas pela redução ou cessação abrupta do uso das drogas primariamente abusadas.

Sintomas da síndrome de abstinência de benzodiazepínicos (ansiolíticos/calmantes)

Abaixo, forneço um quadro sobre os sintomas relacionados à falta do uso de benzodiazepínicos entre usuários crônicos que reduzem ou cessam abruptamente o uso dessas substâncias:

• Ansiedade;
• Tremores de membros;
• Pesadelos;
• Insônia;
• Náusea;
• Hipotensão postural;
• Confusão mental;
• Convulsão
• Aumento da temperatura corporal.

De fato, os indivíduos portadores de dependência fisiológica, abuso ou mesmo de síndrome de dependência de benzodiazepínicos consistem em uma população bastante heterogênea. Existem tratamentos e estratégias específicas para cada um desses quadros, mas muitas vezes as abordagens precisam ser adequadamente individualizadas, observando as características de cada paciente.

Você deve conversar com o seu médico, explicar os sintomas que você apresenta quando da interrupção da medicação e os motivos relacionados com a prescrição inicial deste tratamento. Seguramente, seu médico irá avaliar o seu caso, firmar o diagnóstico e propor um tratamento eficaz. Algumas medicações podem ser necessárias para ajudar você a abandonar o uso do benzodiazepínico. Isso não significa “trocar uma dependência por outra”. Isso significa que para deixar de usar esse tipo de medicação, você precisa aliviar os sintomas de abstinência fazendo uso de outras medicações por algum tempo. O acompanhamento correto com o seu médico é fundamental para o sucesso terapêutico.

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Danilo Baltieri

Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.



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