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Marido com dependência química? Saiba lidar lidar com a situação

Danilo Baltieri 01/01/2016 COMPORTAMENTO
O diagnóstico de dependência é para toda a vida

por Danilo Baltieri

"Meu marido é dependente químico, esteve internado por quatro meses, estava limpo há 10 meses e voltou à ativa. Estou pensando em me separar e seguir minha vida, tenho duas filhas uma de 3 anos e outra de 3 meses. Ele não deixa faltar nada em casa, mas quando ele usa drogas, desaparece por dois ou três dias e sempre volta "arrependido".

Resposta: Infelizmente, situações como essa são bastante comuns entre dependentes graves de substâncias. Devemos lembrar que a Síndrome de Dependência consiste em uma doença crônica, caracterizada por recaídas e lapsos.

O diagnóstico de dependência é para toda a vida, visto que não existe “cura” para esse tipo de problema.

Apesar das recaídas serem mais freqüentes durante os primeiros meses de tratamento, é comum presenciá-las entre dependentes abstinentes por décadas. Dessa forma, o paciente deve receber acompanhamento profissional durante meses e anos, dentro de um padrão de intensidade variável, dependendo do seu estado clínico.

Logo, o tratamento deve ser prolongado!

Durante o tratamento inicial, o paciente é orientado, dentre outras coisas, a modificar o seu estilo de vida, evitar companheiros usuários de substâncias e bloquear vários comportamentos de risco. Este aprendizado deve ser respeitado durante toda a sua vida, sob pena de mostrar insucessos futuros.

O suporte familiar, como sempre reiteramos, é essencial durante todo o processo de tratamento do paciente. Uma única pessoa da família do dependente deve compartilhar o problema com outros membros familiares, para amenizar o sofrimento e otimizar as ações benéficas.

Acredito que você deve expor essa sua posição ao seu esposo, condicionando a manutenção do seu casamento à modificação do estilo de vida do mesmo. Isso, seguramente, será um vital reforçador para que ele tome uma decisão mais coerente e saudável, procurando tratamento mais adequado à sua doença. Além disso, o seu envolvimento ativo no tratamento do seu esposo poderá aumentar as chances de uma recuperação mais sólida do paciente e do seu casamento.

"Namoro um rapaz de 26 anos há um ano e meio e na época que nos conhecemos, eu sabia que ele era usuário de drogas. Com o passar do tempo, ele foi deixando e atualmente me diz que não usa mais. Posso acreditar ou devo investigar se ele continua? Porque a minha família não o aceita por saber que ele já usou e ninguém acredita que ele tenha mudado."

Resposta: Não devemos discriminar por qualquer razão ou sob quaisquer pretextos quaisquer usuários de substâncias. Devemos tentar ajudá-los a recuperar-se e a integrar-se adequadamente ao meio social.

O “usuário” de substâncias deve receber tratamento adequado, para evitar complicações relacionadas ao seu comportamento lesivo.

É de suma importância que o “usuário” esteja envolvido em atividades saudáveis e produtivas, tais como trabalho, estudo, esportes, etc. com bom desempenho.

Os aspectos positivos e salutares da vida dele seguramente manterão o seu afastamento do consumo inadequado de substâncias.

Caso esse “usuário” seja um “dependente” de substâncias, ele deve estar inserido em alguma forma de tratamento: ambulatorial, grupos de mútua-ajuda, psicoterapias efetivas, psicofarmacológica. Um relacionamento amigável e confiável com os familiares dele ajudará ainda mais na manutenção da abstinência.

Quanto à sua decisão, é difícil tecer quaisquer comentários. Talvez, uma conversa com um profissional da saúde mental possa lhe ajudar imensamente.

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As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento

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Danilo Baltieri

Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.



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