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Sofro de ansiedade e depressão e a medicação não faz efeito. O que faço?

Eduardo Ferreira Santos 01/01/2016 PSICOLOGIA
Encontrar a medicação adequada é realmente difícil

por Eduardo Ferreira Santos

"Estou desesperada. Estou com diagnóstico de transtorno de depressão maior e transtorno de ansiedade generalizada. Sinto muitas dores, não consigo realizar as atividades diárias, não tenho ânimo pra nada. Troquei minha medicação, mas o que me preocupa é que não vejo perspectiva de melhora."

Resposta: Em primeiro lugar, o diagnóstico de DEPRESSÃO MAIOR foi instituido pela Associação Psiquiátrica Americana na formulação do DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais, atualmente em sua 5ª Versão) que, a princípio, serve como um manual mesmo para pesquisa e classificação das diversas modalidades de "incômodos psiquiátricos" que possam apresentar as pessoas.

Há grandes discussões sobre usá-lo como um verdadeiro "Manual Clínico" na Psiquiatria, mas é o que a corrente "organicista" aceita, aprova e estimula os novos médicos a seguir.

A tal da DEPRESSÃO MAIOR não seria nada mais do que a Depressão Verdadeira (a antiga PMD - Psicose Maníaco Depressiva) apenas com episódios depressivos de longa duração e ausência de crises maníacas (de euforia).

No caso da internauta em questão, o uso dos dois diagnósticos me faz pensar mais em um quadro de DEPRESSÃO ANSIOSA grave sim, mas com bom prognóstico, embora ela mesma não acredite em sua recuperação - que faz parte do próprio quadro, devido à sua severidade.

Encontrar a medicação adequada é realmente difícil, pois cada paciente tem características biológicas diferentes de resposta aos medicamentos - o que está hoje em fase de pesquisa que seja devido à produção ou não
(genéticamente determinada) de enzimas hepáticas metabolizadoras desses compostos químicos.

Tenho vários pacientes assim e que só reagem após algumas tentativas de uso de alguns antidepressivos com efeito ansiolítico (às vezes utilizo mesmo os mais antigos, com bom resultado) associados a uma psicoterapia intensiva.

O importante é você saber, embora nessa fase aguda seja dificil acreditar, que há tratamento para o seu quadro, apenas é uma questão de acertar a medicação e encontrar um psiquiatra que a compreenda e a faça ter confiança em sua recuperação.

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Eduardo Ferreira Santos

Psiquiatra e psicoterapeuta. Obteve Titulo de Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP e o de Doutor em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina na USP. Escreveu os seguintes livros sobre relacionamento amoroso: Casamento missão (quase) impossível; Ciúme: O medo da perda; Ciúme: O lado amargo do amor Mais informações: www.ferreira-santos.med.br



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