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Descobri que minha filha está usando maconha. O que faço?

Danilo Baltieri 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Mantenha uma comunicação aberta e honesta com sua filha

por Danilo Baltieri

"Como foi uma descoberta recente, quase agora, ela não sabe que já sei. Sinceramente, estou perdida... Como agir? Que medidas tomar?"

Resposta: Situações como essas são infelizmente bastante comuns. Existem algumas sugestões que podem ser seguidas para amenizar futuros problemas para a sua filha bem como entre ela e você.

Tenho reiteradamente escrito sobre esse tema neste site. Assim, faço agora um sumário sobre as principais recomendações.

Você deverá ter alguns fatores ao seu favor, tais como: o bom e adequado relacionamento com a sua filha e confiáveis informações sobre o consumo de bebidas alcoólicas e outras drogas nessa faixa etária. O conhecimento de boa qualidade associado com a adequada vinculação com a sua filha contribuirão para um melhor desenlace do fato.

É importante saber como está o desempenho da sua filha: na escola, trabalho e demais atividades. Além disso, quais estão sendo os modelos seguidos pela jovem, quais estão sendo as suas principais dificuldades (relacionamentos, amigos, desempenhos), como estão sendo desenvolvidas as suas expectativas, como o seu pensamento/ideia está sendo organizado.

Fatores de proteção e de risco para o consumo de drogas

Existem fatores protetores e de risco para o abuso de substâncias psicoativas. Dentre os fatores protetores estão: o estreito e adequado vínculo com os pais, os próprios hábitos saudáveis dos genitores, o bom desempenho acadêmico do jovem, bem como habilidades acadêmicas e sociais adequadas. Dentre os fatores de risco estão: falta de suporte familiar, pobre desempenho acadêmico e falta de expectativas realistas, precoce comportamento impulsivo/agressivo, facilidade no acesso às drogas na própria comunidade ou entre os pares.

Em qualquer idade, tente dar todo o apoio possível à sua filha. No entanto, é essencial estabelecer limites quando necessário. Promova atividades em família como, por exemplo, almoçar e jantar juntos, sair, praticar esportes etc. Qualquer forma de lazer pode aproximar sua filha de você e aprofundar o seu conhecimento quanto aos interesses da menor.

Também, muitas vezes, os pais são o “modelo” dos filhos. Logo, suas palavras e conselhos devem estar condizentes com a sua conduta e atitudes.

Infelizmente, mesmo sabendo dos possíveis efeitos nocivos do álcool e de outras drogas como a maconha, alguns pais acham melhor permitir o consumo ou mesmo “fazer vista grossa” sobre ele. Qualquer que seja a sua decisão, o abuso de álcool e de outras drogas não deve ser tolerado em qualquer circunstância. Isso se aplica a você e à sua filha.

Nunca é cedo demais para conversar com seus filhos sobre as drogas em geral. Crianças de seis anos já conhecem alguns comportamentos socialmente aceitos quando o assunto é o consumo de substâncias. Portanto, seja firme.

Dicas para prevenir o consumo de drogas

a) saiba sempre onde está sua filha, com quem está e como está se comportando;

b) expresse interesse verdadeiro pelos assuntos que ela considera importante;

c) dê apoio, mas sempre supervisionando. É possível supervisionar sem parecer ser controlador;

d) mantenha a autoridade com sensatez;

e) ouça os argumentos de sua filha e suas dúvidas. Procure entender como ela pensa e enxerga o mundo. Assim, você descobrirá os melhores argumentos para revelar seu ponto de vista.

A primeira sugestão aqui é manter a calma, evitando reações explosivas, ansiosas e de raiva.

O passo-a-passo para conversar com sua filha

a) Mantenha uma comunicação aberta e honesta com sua filha. Não existe forma fácil para iniciar uma conversação sobre álcool e drogas com os filhos. Todavia, um importante passo para produzir modificação no comportamento é reconhecer o que está acontecendo e explicar como você se sente quanto a isso. Ser aberta e honesta pode encorajar sua filha a também ser aberta e honesta com você.

b) Escolha um momento adequado para vocês conversarem, evitando distrações;

c) Mantenha a calma e não perca o foco do assunto. Não permita ser distraída do seu objetivo;

d) Deixe claro que não é a sua filha o problema, mas sim o seu comportamento;

e) Use questões abertas, permitindo que sua filha explore seus próprios pensamentos e sentimentos. Por exemplo, pergunte sobre o que ela pensa a respeito do uso de álcool e outras drogas, o que ela imagina como consequências e problemas do consumo, se ela conhece alguém com problemas com o uso de drogas, como se faz o tratamento, etc.

f) Ouça cuidadosamente sem julgar. Sua filha é a melhor fonte de informação sobre o que realmente está ocorrendo;

g) Obtenha informações úteis e de boa qualidade sobre o uso de álcool e outras drogas;

h) Apoie e estimule comportamentos positivos que a sua filha manifesta. Apoiar comportamentos positivos surtirá mais efeito do que punir os comportamentos negativos;

i) Encoraje sua filha a manter amizades e atividades saudáveis;

j) Seja ouvida e tenha a certeza de que ela está sendo ouvida também;

k) Congratule-a quando obtiver bons resultados na escola, trabalho, atividades de casa, etc.

l) Se você estiver insegura para fazer isso, uma ajuda profissional pode ser bem-vinda para você;

m) Se você perceber que o comportamento da sua filha está piorando, você pode convencê-la a procurar um profissional especializado. Nessa situação, evite dizer que vai levá-la ao médico por causa das drogas; diga que ela está muito ansiosa, nervosa, distraída e que um check-up médico pode ser útil;

n) Conheça os amigos da sua filha e permita atividades saudáveis dentro da sua casa.

Vya Estelar Responde

Vya Estelar quer colocar você, querido leitor, mais perto ainda de nós. Esse profissional irá responder dúvidas enviadas pelos internautas sobre um determinado tema. O psiquiatra Dr. Danilo Baltieri responderá questões ligadas à dependência química e vícios: drogas, álcool, cigarro e psicotrópicos. Os e-mails serão selecionados e editados de acordo com critério editorial do Vya Estelar, já que não será possível responder a todos. Seu nome e e-mail serão preservados.

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Danilo Baltieri

Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.



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