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Destoar da média pode ser sinônimo de talento e de inovação

Dulce Magalhães 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Desafie seus limites, corra riscos e procure obter desempenho acima da média

por Dulce Magalhães

O que faz alguém se destacar na multidão? Por que algumas pessoas são mais especiais que outras? Talvez não haja uma fórmula mágica para isso, mas certamente há um conjunto de características que se repetem nos talentos reconhecidamente bem-sucedidos.

Segundo uma pesquisa promovida pela Universidade de Columbia sobre gente de sucesso; onde foram entrevistadas cerca de 200 pessoas consideradas celebridades em suas áreas de atuação: atletas, cientistas, professores, executivos e artistas; uma questão presente em 100% das entrevistas foi a influência exercida por mentores ou professores na vida dessas pessoas.

Um líder, portanto, pode moldar uma performance de excelência nos indivíduos sob sua tutela. Os entrevistados apontaram que o exemplo dos pais, determinados professores ou alguns chefes/treinadores tinham exercido uma influência decisiva para a autossuperação e a confiança em vencer obstáculos. Esse ambiente interno de autoestima é que possibilitou a esses indivíduos correr mais riscos e desafiar seus limites para obter um desempenho acima da média. Essa pesquisa demonstra que a liderança eficaz pode contribuir para o uso maximizado dos talentos à sua disposição.

Liderança não é baseada em funções de chefia

É de se perguntar se o problema de nossas organizações é a escassez de talentos ou a má gestão desses. Liderança não é o mesmo que autoridade formal e não está baseada em funções de chefia.

Liderança pela visão dos entrevistados:

- capacidade de educar pessoas e facilitar os meios para que elas tenham um comportamento proativo;

- dar espaço para a ação;

- encorajar nos erros, comemorar os acertos e indicar caminhos de melhoria.

Sendo assim, vale a pena as organizações investirem fortemente na identificação, contratação e desenvolvimento de lideranças. Liderar é um aspecto essencial na construção da competitividade corporativa.

Foco não é vencer deficiências, mas explorar habilidades inatas

Entretanto, para o exercício eficiente da liderança, temos que rever os paradigmas vigentes nas instituições em geral. Notoriamente as empresas estão atrás de talentos para ganhar mercado e ampliar resultados, porém o foco está em vencer as deficiências do indivíduo e não em utilizar suas capacidades. Não devemos investir em modificar as pessoas, mas sim em aperfeiçoar habilidades inatas. A tentativa é sempre de adequar o profissional à função, talvez seja o momento de desenhar novas funções que permitam as pessoas aplicarem suas ideias e exercitarem livremente sua aptidões. Temos que nos lembrar que é a soma dos talentos que produz os resultados. Ao utilizarmos os talentos de maneira mais adequada, estaremos contribuindo na ampliação dessa equação de sucesso e superando nossos objetivos.

Um ponto sensível na gestão dos talentos tem a ver com a individualização das necessidades. Reconhecer que cada pessoa é única e oferecer diferentes desafios e recompensas é um exercício danado de difícil, contudo é a atribuição mais expressiva da liderança. Não desenvolvemos grupos de maneira heterogênea, assim não há por que massificar a distribuição do conhecimento ou das tarefas. O marketing tem apontado para atividades cada vez mais um a um, com uma segmentação de mercado sempre mais focada. O mesmo se dá nas equipes de trabalho. Não é possível agir igualmente com pessoas diferentes. Ver em cada indivíduo um potencial exclusivo, treinar, desenvolver e recompensar seu desempenho de maneira personalizada é um argumento que não exige defesa, por sua obviedade. Entretanto, fazer o óbvio não tem sido uma característica da maioria das organizações.

Destoar é inovar

A questão da competitividade bate sempre de frente com os paradigmas pelos quais as instituições se pautam. Vivemos ainda sob métodos de uma era industrial, onde aprendemos a dominar processos produtivos e não temos a menor ideia do que fazer com as pessoas que destoem da sistemática estabelecida. Esse destoar nada mais é do que a relevância do talento de cada um. É o indivíduo apresentando suas ideias e opiniões, discordando de modelos obsoletos ou mostrando uma maneira nova de ver o antigo. Incomoda, dá trabalho e assusta a quem não consegue enxergar a miragem apresentada. Mas é da fantasia criativa das pessoas que vive o mundo permanente da mudança. É da ideia do que ainda não existe, da intuição do que pode vir a ser, que se tira a matéria-prima essencial para o progresso empresarial: inovação.

Modelos, produtos e sistemas inovadores só podem ser criados por pessoas que tenham espaço para tentativas de risco. Pessoas que tenham coragem para ousar e agir de maneira irreverente. Pessoas assim são forjadas por líderes que atuam através de processos contínuos de educação. Não é ensinando o que ele sabe, mas facilitando o acesso aos processos de aprendizagem acelerada, para que o indivíduo possa ir além do líder naquilo que ele domina, gerando um novo líder em determinada área, sobre determinado assunto.

Podemos diagnosticar as empresas triunfadoras de amanhã, são aquelas que apostam que cada um de seus colaboradores tem a capacidade de pensar por si mesmo e de influenciar outras pessoas para uma melhor performance. Essa será, certamente, uma empresa líder, pois se compõe de uma miríade fantástica de talentos que tem o espaço necessário para exercitarem suas habilidades e desenvolverem a capacidade de gerar mais e mais lideranças.




Dulce Magalhães

Ph.D. em Filosofia com foco em Planejamento de Carreira pela Universidade Columbia (USA); Mestre em Comunicação Empresarial pela Universidade de Londres (Inglaterra); autora dos livros: O foco define a sorte; Manual da Disciplina para Indisciplinados; Superdicas para Administrar o Tempo e Aproveitar Melhor a Vida. Especialização em Educação de Adultos pelas Universidades de Roma (Itália) e Oxford (Inglaterra).



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