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Disputa de poder: por que tenho prazer em me sentir superior a ele?

Anette Lewin 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
Procure entender o porquê de suas reações ao invés de julgá-las

por Anette Lewin

"Sinto-me uma pessoa superarrogante, mas esse ar de superioridade surge quando eu estou com alguém: companheiro ou namorado. Sinto-me bem quando humilho a pessoa com quem estou. Mas sou sensível quando vejo uma pessoa precisando de ajuda. O que acontece comigo para agir assim?"

Resposta: A arrogância, em geral, é uma postura defensiva. Se você age com arrogância frente a outras pessoas, talvez, no fundo, tenha medo delas e usa a arrogância para tentar impor respeito. Até aí, nenhum grande erro. Afinal, todos nós temos uma máscara social à qual recorremos para parecermos melhor na foto.

O que parece não estar bem resolvido para você é o limite dessa máscara. Você acaba confundindo o que são suas características pessoais com o que são características que usa socialmente. E acaba fazendo um
autojulgamento moral que gera culpa e confusão com relação à sua identidade.

É importante fazer uma reflexão mais profunda sobre quem é você, como pensa, como sente. Importante também fazer uma revisão de seu comportamento social; entender quais as dificuldades que teve que enfrentar para ser aceita socialmente e como lidou com elas.

Vale também tentar entender como você percebe a relação amorosa. Talvez, a arrogância no jogo amoroso seja um comportamento que você aprendeu com alguém próximo; pode ser que humilhar as pessoas traga uma sensação de poder e você humilha para não ser humilhada; ou talvez essa arrogância da qual você fala, esteja mais na sua cabeça do que em suas atitudes.

De qualquer forma, você mesma concluiu que se sente arrogante com os "fortes" mas não com os que precisam de ajuda. Isso, por si só, sinaliza que sua arrogância está mais para defesa do que para maldade. Assim, não fique tão preocupada. Apenas avalie se esse comportamento ajuda ou prejudica. Certamente, se você estiver perdendo seus namorados em função desse comportamento, vale uma tentativa de usar recursos mais suaves para não assustá-los. Se, porém, você usa a arrogância apenas no início do relacionamento e a deixa de lado quando se sente mais segura, talvez essa seja a melhor maneira que você encontrou de se proteger de situações amorosas que ainda não domina.

Lembre-se, finalmente, que nossos recursos emocionais podem ser considerados patológicos quando nos tornamos escravos de uma única forma de responder para todas as situações conflituosas que se apresentam.

Se você diz que suas reações afetivas variam conforme a situação, certamente está no caminho certo. Nenhum ser humano é só bom ou só mau. Se você tem dúvidas quanto à sua conduta moral, reveja seu código de ética pessoal apenas para pequenos ajustes. E tente entender o porquê de suas reações ao invés de julgá-las. Isso vai ajudá-la a construir e manter uma identidade mais sólida.

Vya Estelar Responde

Vya Estelar quer colocar você, querido leitor, mais perto ainda de nós. Esse profissional irá responder dúvidas enviadas pelos internautas sobre um determinado tema. A psicóloga Anette Lewin responderá sobre relacionamento amoroso, conflitos na vida a dois e conjugal. Esta resposta possui dois formatos: 1º formato: responder as perguntas enviadas pelos leitores. 2º) formato: de A a Z, explicar através de uma palavra em específico (verbete) o significado do que sentimos ao amar. Esta palavra será extraída de um e-mail enviado pelo leitor a esta coluna. Os e-mails serão selecionados e editados de acordo com critério editorial do Vya Estelar, já que não será possível responder a todos. Seu nome e e-mail serão preservados.

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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental.



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