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Entenda a diferença entre doença, transtorno, síndrome, sintoma e sinal

Edson Toledo 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Na psicologia ou psiquiatria preferimos falar em transtornos e nunca em doença

por Edson Toledo

Estou novamente tentando ser didático, como diria "ossos do ofício", é que entendo a necessidade de conhecer o que é o quê para poder diferenciar e ser preciso quando falamos de algo que é por vez tão impalpavel quando se fala de saúde.

A pergunta pode parecer estranha à primeira vista, mas pergunto: o que é uma doença?

Imagino que você não está com um dicionário em mãos, assim posso dizer que a palavra doença vem do latim e quer dizer padecimento.

Nas ciências da saúde (medicina, psicologia, enfermagem, odontologia, por exemplo) doença é uma alteração das funções do organismo como um todo ou de um órgão e está associada a sintomas específicos (exemplos de doenças: pneumonia, dengue, fibrose cística, hepatite C). Pode ser causada por fatores externos, como infecções (vírus) ou por malformações ou disfunção internas.

A doença pode alterar a chamada omeostase (função que regula o ambiente interno para manter uma condição estável dentro de limites toleráveis pelo corpo).

Já o termo transtorno mental é usado para descrever qualquer anormalidade, sofrimento ou comprometimento de ordem psicológica e/ou mental (por exemplo: transtorno de humor, de ansiedade, alimentar, de impulso).

Na psicologia ou psiquiatria preferimos falar em transtornos e nunca doença, isso porque poucos quadros clínicos mentais apresentam todas as características de uma doença no sentido tradicional do termo, ou seja, o conhecimento exato dos mecanismos envolvidos e suas causas explícitas.

Temos no Brasil o Projeto de Lei 6013/01 aprovado pela Câmara Federal que determina que o transtorno mental seja o termo adequado para designar o gênero enfermidade mental, substituindo assim termos que possam colaborar para o aumento do preconceito para seu portador.

Por outro lado, a síndrome significa "con+correr" em grego. É caracterizada por um conjunto de sintomas e sinais que define as manifestações clínicas de uma ou várias doenças, independentemente da causa/origem que as diferencia. Também se chama de síndrome certas situações em que a doença ainda não está bem esclarecida com todos os seus sintomas e sinais (exemplo, síndrome gripal).

Frequentemente a síndrome é chamada pelo nome do cientista ou médico que primeiro a descreveu, é o caso da síndrome de Down (caracterizada pela primeira vez pelo médico John Longdon Down, em 1866); outras vezes recebe o nome em referência à geografia ou história como a *Síndrome de Estocolmo (em referência a um assalto que ocorreu em Estocolmo em agosto de 1973).

Uma das síndromes mais falada no final do século XX foi a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA, mais conhecida como a AIDS) que ainda é assim chamada por razões históricas, já que o conjunto de sinais e sintomas foi descrito antes de se conhecer a etiologia (causa) e a fisiopatologia. Hoje ela é considerada uma doença viral que ataca o sistema imunológico humano. Outro exemplo de síndrome que se tornou doença é o caso da fibromialgia que era chamada de síndrome da polimialgia idiopática difusa.

Já o sintoma é qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem do seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações e pode ou não constituir-se no início de uma doença, por exemplo: sede, fome, dor, perda de apetite, freaqueza, tontura, vertigem, delírio, esquecimento, desânimo, alucinação.

Assim quando um profissional de saúde (por exemplo: médico, enfermeiro, psicólogo, dentista, terapeuta ocupacional) faz a anamnese (histórico do paciente) e examina-o à procura de sintomas que caracterizam uma determinada doença, ele solicita exames conforme sua hipótese diagnóstica, com o objetivo de chegar a um diagnóstico e a partir daí propor um tratamento.

Por fim, sinal é aquela alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente por um profissional de saúde (exemplo: amnésia, febre, aparência facial, coloração amarelada da pele, perda de cabelo).

Podemos dizer que a diferença entre sintoma e sinal é que o sinal é aquilo que pode ser percebido por outra pessoa sem o relato ou comunicação do paciente e o sintoma é a queixa relatada pelo paciente, porém somente ele consegue perceber.

E agora me responda: o que você tem?

*Síndrome de Estocolmo (Stockholmssyndromet em sueco) é um estado psicológico particular desenvolvido por algumas pessoas que são vítimas de sequestro. A síndrome se desenvolve a partir de tentativas da vítima de se identificar com seu raptor ou de conquistar a simpatia do sequestrador.




Edson Toledo

Coordenador do serviço de atendimento a pacientes com tricotilomania no PRO-AMITI/IPq FMUSP. Supervisor clínico na UNIP. Psicólogo pela Universidade Metodista. Mestre em ciências pela Faculdade de Medicina da USP. Especialização em Terapia Cognitivo-comportamental pelo Ambulim/IPq FMUSP. Especialização em Psicologia Hospitalar pela UNISA



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