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Três dicas para não transformar a dor da separação em sofrimento

Tatiana Ades 01/01/2016 PSICOLOGIA
Freud chamou o sofrimento de melancolia

por Tatiana Ades

Uma escolha errada pode gerar muitas decepções e frustrações no decorrer da vida.

Porém, quando a pessoa se apaixona perdidamente por outra, levando em consideração apenas aquilo que vê e pelo que é atraída, normalmente não consegue enxergar um palmo à sua frente. O racional fica de fora e ela só pensa e age pelo que sente.

E nesse quadro, quando a separação ocorre, teremos a “abstinência”, a falta de contato com o outro, que irá nos proporcionar dor e sofrimento.

Mas dor e sofrimento são iguais? Não!

A dor é o primeiro sintoma, é o mal-estar que surge no início e que deve ser tratado e cuidado. Caso essa dor não seja tratada, entraremos no “sofrimento” , que é uma dor contínua, crescente, forte e que parece ser eterna.

O sofrimento foi chamado por Freud de melancolia. Dizia ele que um luto de amor mal resolvido poderia nos levar às mais instáveis sensações, verdadeiros furacões internos, a própria neurose depressiva dentro de nós, enraizada, presa.

Gosto de comparar o sofrimento como um órgão fantasma. Vamos imaginar que uma pessoa sofra um acidente e perca um braço. Essa pessoa continuará a "sentir" esse membro que já se foi, talvez pelo resto de sua vida, a dor (psíquica) continuará presente na mente da pessoa acidentada. O mesmo acontece com algumas pessoas que não conseguem lidar com a separação. Elas estão conscientes de que o outro foi embora, mas como um membro fantasma, o outro passa a ser uma “pessoa fantasma”, que continua a assombrá-la em constante ira, sofrimento, lamentação e negação da realidade.

O sofrimento tem cura sim, mas é muito importante observarmos a dor como princípio de um caos que pode estar chegando.

Três dicas para não transformar dor em sofrimento

- Não ignorá-la é o melhor a ser feito;

- Trabalhar o nosso desapego frente a uma separação é o melhor caminho para eliminar os sintomas da abstinência. Esse desapego trará o desamor e uma nova chance para a busca do novo;

- Persistir no antigo é ter o "membro amputado" e ainda acariciá-lo em lágrimas. Não vale a pena!

Sintomas da abstinência:

- dor de cabeça
- cansaço extremo
- medos infundados
- sensação de vazio crônico
- insônia
- vômitos
- falta de apetite
- pânico
- vontade de morrer
- depressão profunda




Tatiana Ades

É psicanalista e escritora e teatróloga. Em seus livros, o foco de estudo é o comportamento humano e o amor patológico. Tem em seu currículo várias peças escritas e encenadas nos teatros de São Paulo, além de ter concorrido ao prêmio Shell de melhor texto teatral com Os Viúvos – Teatro Ruth Escobar (2003). Como escritora, em 1998, ganhou um concurso com o conto O silêncio da raposa. Eles são o resultado de uma pesquisa de três anos: Hades – Homens que amam demais e As escravas de Eros.



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