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Viagens a trabalho e casamento, existe uma saída?

Redação Vya Estelar 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Casamento com integrantes viajantes: maior necessidade de conversas sinceras

por Marisa Micheloti

As revoluções que trouxeram como consequência mudanças nas relações conjugais, abrem espaço para a reflexão de como os casamentos estão estruturados, sob uma ótica onde homens e mulheres têm um papel profissional ativo.

O trabalho sempre teve uma força importante para os homens, principalmente relacionado ao poder. Hoje, homens e mulheres preservam as novas conquistas e a sensação de poder e de responsabilidade econômica estendeu-se a ambos. Homens e mulheres têm importâncias parecidas, muitas vezes iguais, e sentem-se importantes realizando suas funções profissionais. O orçamento passou a ter uma participação conjunta e indispensável aos dois.

O perturbado ritmo profissional, a complexidade das atividades, a exigência da qualidade sobre cada um e as excessivas horas destinadas ao trabalho, quando não bem administrado pelo casal, são condições suficientes para um desequilíbrio afetivo. Além de todas essas situações, muitas pessoas somam a isso as viagens de negócios, o que se transforma em mais um desafio para o equilíbrio amoroso.

Normalmente, o tempo para os casais nessas condições é precioso e acaba sendo reservado para as tarefas domésticas, educação dos filhos, afazeres pessoais, situações que determinam um desgaste de energia e, consequentemente, a comunicação do casal empobrece, possibilitando distanciamentos afetivos-sexuais.

Nas terapias de casais é comum aparecerem pacientes com uma queixa de desmotivação e desenergização perante à relação matrimonial. Há sempre uma necessidade de se rever a administração do tempo e transformar situações que aparecem como insignificantes, em significantes.

Casamento X viagens de negócios

A crise acaba tendo uma dimensão maior quando em um certo período da vida, um dos parceiros acaba precisando cumprir uma carga de trabalho em viagens de negócios. As viagens que passam a ser habituais e portanto criam um distanciamento real, começam a abrir rachaduras na estrutura e a relação torna-se mais sensível.

Essas são situações que têm ficado mais frequentes com todo o crescimento econômico e a globalização instalada, exigindo muitas vezes que os profissionais tenham essa situação como rotina.

Em um momento inicial aparece como uma situação aceitável para ambos os lados, mas com o passar do tempo, vai aparecendo um desgaste tanto para quem vai como para quem fica.

Percebe-se que a família naturalmente cria hábitos e normas estabelecidas pelas pessoas presentes e, em situações em que um dos cônjuges manteve-se mais distante, ao retornar para casa começa a se sentir incomodado e sem um lugar determinado. Em um outro ângulo o cônjuge que permanece mais constantemente em casa, mostra ressentimentos a respeito da sobrecarga que sente e da solidão que se instala quando necessita solucionar problemas mais difíceis.

Essas separações repetitivas, vão criando situações de tensão e ansiedade, principalmente quando não se sabe quando todas as pessoas estarão juntas. Algumas famílias buscam alterar datas comemorativas para ter a presença do outro, mas muitas vezes são acometidos pelo imprevisto e todos os planos passam a ser situações frustrantes. Quando é uma família com crianças, essa situação acaba trazendo um agravante maior para esses filhos.

Também é comum que apareça no casal situação de desconfiança da fidelidade, pois mesmo que não haja essa ocorrência de fato, há um enorme prejuízo quanto à intimidade desse casal que se manteve distante por falta de opção.

O prejuízo que aparentemente é único daquele que está cuidando da família não é real. Nessa situação ambos estão prejudicados e têm perdas significativas que são refletidas para os dois indivíduos.

A revisão e a constante adaptação a esse contexto têm uma complexidade muito grande e os casais só conseguem adquirir um equilíbrio quando cada um dos parceiros tem muito bem definido seu papel, suas funções e as condições que a situação demanda, sem criar expectativas ou situações de punição sobre o outro.

Essa relação é um grande desafio devido ao baixo nível de interação dos parceiros. Muitos casamentos suportam essa maneira diferenciada de funcionamento, outros acabam não resistindo e sucumbem a uma separação.

Todos casamentos precisam de uma comunicação constante, mas certamente um casamento com integrantes viajantes tem uma necessidade muito maior de conversas sinceras. Nesse aspecto a Internet e a tecnologia móvel podem ser mediadores que trazem proximidade nos relacionamentos, mas como já falei em outros artigos, não substitui a qualidade que tem a relação humana de fato.

Marisa Micheloti é psicóloga




Redação Vya Estelar

Ângelo Medina é editor-chefe do portal Vya Estelar. É jornalista e ghost writer. Com 30 anos de experiência, iniciou sua carreira na cobertura das eleições à Prefeitura de São Paulo em 1988 (Jornal da Cultura). Trabalhou no Caderno 2 - O Estado de São Paulo, Revista Quatro Rodas (Abril). Colaborou em diversas publicações e foi assessor de imprensa no setor público e privado. Concebeu o site Vya Estelar em 1999. É formado em Comunicação Social pela UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora.



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