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Equilibre seu eu masculino e feminino

Patricia Gebrim 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO

por Patricia Gebrim

Neste final de semana andei pensando muito sobre o relacionamento entre masculino e feminino. Como estava MESMO inspirada, escrevi duas estórias, que divido com você.
Ilustração: Patricia Gebrim

O príncipe Armadur

Armadur era um bom homem, que crescera em um reino cheio de perigos, o que fez com que tivesse muitas vezes se sentido inseguro e fragilizado. Decidiu criar algo que o protegesse tanto dos invasores externos (aqueles que o criticavam ou atacavam) quanto dos invasores internos (seus próprios sentimentos assustadores). Assim, construiu uma armadura, uma estranha armadura com garras de dragão que não permitia que se visse nem mesmo o brilho de seus olhos. Quando alguém se aproximava, Armadur logo mostrava suas garras metálicas e o intruso fugia assustado. Quando um sentimento ameaçava se manifestar, vindo de sua própria profundeza, o príncipe ativava o botão de congelamento de sua armadura (era uma armadura high tech!) e o sentimento caía congelado aos seus pés. Assim, ele sentia-se poderoso e invulnerável.

É claro que vivia só e em meio a tanto gelo que seu reino mais parecia o Pólo Norte.

Eu sei o que você está pensando - que neste momento chegaria ao reino de Armadur uma linda princesa e o salvaria desse triste e solitário destino. Engano seu! Isso só dá certo mesmo em contos de fadas.

Bem, a princesa até que chegou, flutuando em seu fofo vestido que mais parecia um bolo coberto com chantily. Mas ao avistá-la, Armadur deixou que ela se aproximasse apenas o suficiente para fincar teatralmente sua bandeira, com os dizeres:

'Eu sou poderoso e livre! Você não vai me controlar!'

(Contente-se por ele não a ter expulso ou devorado antes mesmo que ela tivesse a chance de fugir)

Eu sei, parece horrível não é? Mas, entenda, eu preciso ser um pouco dramática, generalizar e exagerar um pouco para atrair sua atenção. Me dê um certo desconto, ok? Agora vou te contar a estória da princesa.

A princesa Orneira

Orneira era uma linda princesa que vivia em um castelo assombrado por dragões, que lançavam sobre as torres imensas labaredas de fogo. De tanto pedir ajuda aos céus, um dia uma fada a visitou e a presenteou com uma inusitada forma de se proteger. Instalou torneiras mágicas em seus olhos e na sua boca. Assim, sempre que um dragão se aproximasse bastava abrir as torneiras e o fogo destruidor era instantaneamente apagado. Quando precisava, bastava piscar os olhos e rios de lágrimas corriam pelos corredores do castelo. Bastava abrir a boca e todos os sentimentos que estavam dentro dela jorravam para fora, aliviando assim a sua angústia e o seu medo.

À medida em que foi crescendo, o poder de Orneira também cresceu e ela se tornou capaz de produzir verdadeiros Tsunamis em questão de minutos, pegando a todos de surpresa. É claro que ela também podia regar as flores e banhar bebês nessa água, mas vira e mexe não conseguia fechar as torneiras e era aquele aguaceiro inundando tudo! Quando um príncipe chegava ao castelo, a alegria da princesa era tanta que a água quase chegava a secar de seus olhos. Mas ao vê-lo vestir sua armadura de dragão, fincar sua bandeira e gritar que ia ao reino vizinho beber cerveja e caçar raposas, sentia medo, abriam-se as torneiras e lá vinha uma enxurrada que acabava levando o príncipe ainda mais para longe, enquanto ela mandava instalar, por todo o castelo, faixas onde estava escrito: 'Você precisa cuidar de mim!'

QUE IRONIA ...

Se pudesse, o príncipe diria que bem que gostaria de cuidar mais dela, mas temia toda aquela água porque estava preso dentro de sua armadura, e como você bem sabe, essa poderia enferrujar. Se pudesse tirar aquela horrenda armadura, até que seria bom e divertido nadar naqueles rios, nem que fossem de lágrimas.

Se pudesse, a princesa diria que temia tanto os dragões, que tinha medo de sair do castelo, por isso precisava tanto que o príncipe ficasse com ela. Se não tivesse tanto medo e pudesse sair também, não se sentiria tão abandonada. E não ligaria tanto quando o príncipe fosse caçar raposas.

Mas ninguém dizia nada.

A princesa chorava porque se sentia assustada e abandonada. Não percebia que era ela mesma que estava se abandonando. Nunca saía, e assim abandonava sua própria vida, sua capacidade de viver suas próprias conquistas, seus sonhos. Estava se afogando em suas próprias lágrimas, sem perceber que poderia usar essa água para fazer crescer lindas sementes de flores lá fora, nos jardins do castelo.

O príncipe fugia dela porque se sentia controlado, limitado. Não percebia que era ele mesmo quem se limitava, ao obrigar-se a viver naquela horrenda armadura, sem poder se mover com a leveza e liberdade que tanto almejava. Estava sufocando em sua própria proteção metálica.

Bem, foi nisso que eu pensei neste fim de semana. Escrevi este artigo num domingo cinzento e encantado, enquanto todos em casa dormiam, como acontece nos contos de fadas. Os antigos castelos não são assim tão diferentes de nossos lares. Apenas o meu gato ficou comigo enquanto eu escrevia, ronronando no meu colo.

Para terminar, uma sugestão. Não leia este artigo apenas superficialmente, como se se tratasse de uma batalha armada do tipo Armaduras x Torneiras!

Pense que cada um de nós, sejamos homens ou mulheres, possuímos um lado masculino e um feminino. Cada um de nós possui tanto armaduras, quanto torneiras torneiras. O importante é saber usá-las com equilíbrio.

Pense nisso! Pense no seu Eu masculino e no seu Eu feminino. Eles estão em equilíbrio?

Você sabe quando é o momento de vestir e de tirar sua armadura?

Sabe quando é o momento de abrir e de fechar suas torneiras?

Eu repito, pense nisso...

Porque disso vai depender a qualidade da sua relação com o sexo oposto!

Tudo começa dentro de você.

Quando o príncipe e a princesa 'dentro de você' entregarem-se um ao outro, uma linda cura acontecerá, e você poderá finalmente estabelecer uma relação de harmonia e amor com o (a) seu (sua) parceiro (a).




Patricia Gebrim

É Psicóloga Clínica, atua numa abordagem transpessoal. Seu trabalho é direcionado a favorecer o autoconhecimento e a transformação das crenças limitadoras que nos mantêm aprisionados a padrões repetitivos de escolhas. É escritora, publicou 'Gente que mora dentro da gente' e o best-seller 'Palavra de Criança' pela editora Pensamento



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