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Ter ou não ter filhos é uma dúvida frequente

Ceres Alves Araujo 01/01/2016 PSICOLOGIA
Ter filhos era uma expectativa geral depois do casamento

por Ceres Alves Araujo

As últimas décadas presenciaram uma mudança radical na constituição da familia. As familias eram grandes, os filhos vários e a *família nuclear se desenvolvia junto à **familia extensa. Só para se ter uma ideia, há cinquenta anos, a taxa média de natalidade, no Brasil, era de 6 filhos por mulher.

Ter filhos era uma expectativa geral depois do casamento.

Logo no início do casamento era esperado que o casal engravidasse e os filhos vinham um após o outro. Os cuidados com as crianças eram em geral divididos com as avós e as tias e, não raro, os filhos mais velhos eram encarregados de cuidarem dos menores. Dessa forma, evoluiam as famílias.

Com o advento de métodos anticoncepcionais mais seguros e sob a pressão econômica dos últimos tempos, pois criar e educar um filho hoje implica em um alto investimento, os filhos passaram a ser planejados. As familias se tornaram bem menos numerosas e a proximidade da familia nuclear à familia extensa diminuiu. Vale citar que, hoje, a taxa de natalidade, no Brasil, é de 1.7 por mulher.

Com frequência a familia vive de duas rendas: ambos os pais trabalham e não se pode valer mais dos avós, pois eles ainda estão no mercado de trabalho. As crianças são levadas à escola cada vez mais cedo e os custos aumentaram.

Não é a pressão econômica o único fator a ser considerado no planejamento de um número menor de filhos. Nos dias de hoje, o casal se dá o direito de esperar algum tempo antes de decidir a ter filhos. Marido e mulher querem se conhecer melhor, viajar juntos, desejam ter carreiras, possuem ambições profissionais, pretendem ter garantida alguma segurança financeira etc.

É interessante perceber como a familia passa a ser gerenciada como uma empresa e de forma otimizada. Nesse contexto, é perfeitamente compreensível o planejamento não só do número de filhos, mas também da época adequada para seu nascimento e, até mesmo, a possibilidade de não tê-los. Já não se pergunta tanto para o jovem casal recém-casado se estão pensando em ter filhos imediatamente.

Nos últimos anos, pode-se observar que muitos casais optam por ter um só filho, acreditando que podem dar a esse filho mais atenção, mais conforto e mais oportunidades. Ao filho único, nos nossos dias, não caem mais vaticínios sombrios. Ele não precisa ser necessariamente mais mimado, mais egoísta e mais solitário. As crianças tendo ou não irmãos, têm uma vida social cada vez mais precoce, frequentando as casas de seus colegas e amigos desde a escola maternal. Aprendem a dividir atenção, a ceder e se impor frente aos seus pares, a compartilhar e a serem solidárias.

Uma nova questão, tem surgido, até mesmo com certa frequência: ter ou não ter filhos?

Existem casais que estão optando por não ter filhos. E não necessariamente por questões financeiras. São pessoas que avaliam muito bem o compromisso de se ter um filho e escolhem não tê-lo. Ter um filho significa um compromisso irrevogável por anos e anos e hoje isso pode não ser a escolha.

Ainda que precisem responder de forma constante: quando terão filhos? As pessoas que optam por não serem pais privilegiam outros objetivos e têm direito às suas escolhas. Vivemos em uma época, na qual as responsabilidades são individuais, podendo ter cada pessoa o direito de planejar sua vida e sua familia.

No passado, a opção de não ter filhos era considerada socialmente como estranha. As mulheres, em boa parte dos casos, não trabalhavam fora de casa. Portanto, qual seria a justificativa de uma mulher casada para optar por não ter filhos?

Hoje, porém, a opção de não ter filhos é considerada socialmente como algo plausível. A esposa, hoje trabalha fora de casa e, não tão raro, ela e o marido decidem ser uma família sem filhos, para assim cuidarem melhor de suas carreiras profissionais e também cuidarem um do outro. Alguns casais, ainda evitam ter filhos, por considerarem, hoje, o mundo complexo demais para educar as crianças e formá-las para a sociedade.

*Família nuclear ( constituida pelos pais e irmãos) na ** família extensa (avós, tios, primos, parentes)




Ceres Alves Araujo

É psicóloga especializada em psicoterapia de crianças e adolescentes. Mestre em psicologia clínica pela PUC-SP, Doutora em Distúrbios da Comunicação Humana pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da PUC e autora de vários livros, entre eles 'Pais que educam - Uma aventura inesquecível' Editora Gente.



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