Felicidade é um bem que não se compra

por Ana Beatriz B. Silva

Todo ser humano tem em comum o eterno desejo de ser feliz, não importa seu credo, sua sexualidade, cor, raça, idade ou sua origem social. Muitas pesquisas foram e têm sido feitas ao longo dos anos para se descobrir a "chave" da felicidade. Talvez o desejo ilusório de ser a felicidade um bem comprável tenha feito muitos acreditarem que poderiam sacrificar longos anos de suas vidas para então mais tarde, quem sabe aos 40 ou aos 50 anos adquiri-la e usufruí-la até o fim de seus dias. Crenças errôneas de uma sociedade onde tudo está à venda: a dignidade, o sexo, a honestidade, o corpo perfeito, o luxo, a beleza, exceto a FELICIDADE.

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Aos que já notaram que a felicidade é algo muito além de tudo isso e que não pode ser adquirida, aí vai uma das últimas conclusões da ciência sobre este bem tão precioso quanto escasso em nossos dias: a felicidade depende muito mais da forma como vemos e vivenciamos os acontecimentos da vida do que dos fatores externos que nos cercam.

A felicidade é um sentimento, uma vez que tende a ocorrer por períodos mais duradouros onde experimentamos bem-estar físico, psíquico, social e espiritual. Emoções como a alegria que sentimos ao ver a vitória de nosso time de futebol ou quando estamos presentes em uma festa animada e cheia de pessoas interessantes é passageira. Tal qual o sentimento nobre como o amor ou a generosidade, a felicidade pode e deve ser desenvolvida e cuidada, já a alegria irá acontecer muito mais em função dos fatores externos de nossas vidas.

No campo da genética o cientista David Lykken realizou diversas pesquisas com irmãos gêmeos idênticos, ou seja, aqueles que possuem a mesma carga genética. Ao final de seus estudos Lykken observou que os gêmeos idênticos que foram criados em famílias diferentes desenvolveram uma personalidade muito parecida, a despeito de processos educacionais e culturais tão diversos. Ele também constatou alto grau de herança genética em relação ao QI, à extroversão, à tendência a ansiedade, ao autoritarismo e, até mesmo, à felicidade.

Mas por que exatamente temos a capacidade de experimentar a felicidade? Generosidade divina ou uma habilidade adquirida pela espécie humana? Talvez ambos, o fato é que a felicidade é um grande estímulo que nos faz ter um comportamento mais construtivo, facilitando a nossa adaptação ao meio ambiente para sobrevivermos com mais facilidade e optarmos para perpetuar a espécie com mais segurança e saúde.

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A felicidade de fato contribui para a nossa saúde física melhorando nossa circulação sanguínea e aumentando nossas defesas imunológicas. Por isso mesmo os pacientes deprimidos tendem a desenvolver doenças cardiovasculares e doenças auto-imunes ou mesmo doenças degenerativas.

Pet-terapia

Os bons relacionamentos são grandes facilitadores para experimentarmos a felicidade e não somente àqueles que ocorrem entre seres humanos. Quem tem um animal de estimação já sabe disso há muito tempo! A ciência confirma que a PET-Terapia (Convivência com animais de estimação) é muito eficaz na eliminação de sintomas depressivos e na melhora de sintomas cardiovasculares.

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No final das contas, feliz é aquele que tira ensinamentos de todas as situações da vida, mesmo as de tristeza. E que depois usa esse aprendizado para logo adiante ser mais e mais feliz. É a vida provando que a sabedoria popular sempre tem um fundo filosófico-científico, afinal quem nunca ouviu a célebre frase de sabe-se lá quem: "Se a vida lhe der um limão, faça uma limonada". E digo mais! Que ela seja docinha e super-gelada e que possamos tomá-la num final de tarde ensolarado vendo o pôr-do-sol no Arpoador. Se não for possível estar lá, feche os olhos e imagine, sua imaginação e poder de criatividade são objetos essenciais para iniciar essa louca e deliciosa viagem rumo a FELICIDADE! E como estímulo final, esse 'trem azul' parte todo dia logo que você abre os olhos e desperta pela manhã. Agora a decisão é sua!