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Cura de lesão muscular passa por três fases

Juliana Prestes Mancuso 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Tratamento cirúrgico raramente é indicado

por Juliana Prestes Mancuso

Os músculos são os únicos geradores de força capazes de produzir movimento articular. Realizam contração convertendo energia química em trabalho mecânico (de movimento). São 434 músculos, representando 40% do peso corporal; dentre estes, 75 pares de músculos são envolvidos na postura geral e movimentação do corpo.

A contusão muscular ocorre quando um músculo é submetido a uma força súbita de compressão como um golpe direto, por exemplo. Já nos estiramentos, o músculo é submetido a uma tração excessiva levando à sobrecarga das miofibras e, consequentemente, a sua ruptura.

O que distingue a cura da lesão muscular de um osso fraturado é que o músculo esquelético cicatriza através de um processo chamado "reparação", na qual há formação de tecido fibroso de cicatriz entre as duas partes de músculo lesionado, enquanto uma fratura cicatriza por "regeneração", ou seja, o osso fraturado cura através da produção de calo ósseo que, posteriormente, se remodela em tecido ósseo.

Todas as lesões musculares passam por três fases no processo de cura:

1ª) Fase de Destruição: Caracterizada pela ruptura e consequente formação de um hematoma entre os cotos do músculo rompido e uma reação inflamatória.

2ª) Fase de Reparação: Composta da produção de uma cicatriz de tecido conectivo assim como revascularização por crescimento de capilares na área lesada.

Podemos classificar os estiramentos de acordo com as dimensões da lesão em:

Grau I - É o estiramento de uma pequena quantidade de fibras musculares (lesão < 5% do músculo). A dor é localizada em um ponto específico, surge durante a contração muscular e pode ser ausente no repouso. O edema (inchaço) pode estar presente, mas, geralmente, não é notado no exame físico. Ocorrem danos estruturais mínimos, a hemorragia é pequena, a resolução é rápida e a limitação funcional é leve. Apresenta bom prognóstico e a restauração das fibras é relativamente rápida.

Grau II - O número de fibras lesionadas e a gravidade da lesão são maiores (lesão > 5% e < 50% do músculo). São encontrados os mesmos achados da lesão de primeiro grau, porém, com maior intensidade. Acompanha-se de: dor, moderada hemorragia, processo inflamatório local mais exuberante e diminuição maior da função. A resolução é mais lenta.

Grau III - Esta lesão geralmente ocorre desencadeando uma ruptura completa do músculo ou de grande parte dele (lesão > 50% do músculo), resultando em uma importante perda da função com a presença de um defeito palpável. A dor pode variar de moderada a muito intensa, provocada pela contração muscular. O edema e a hemorragia são grandes. Dependendo da localização do músculo lesionado próximo à pele, o edema, a equimose (mancha) e o hematoma (acúmulo de sangue) podem ser visíveis. O defeito muscular pode ser palpável e visível.

3ª) Fase de Remodelação: um período de retração e reorganização do tecido cicatricial e recuperação da capacidade funcional do músculo.

Tais fatores são: as deficiências de flexibilidade, os desequilíbrios de força entre músculos de ações opostas (agonistas e antagonistas), as lesões musculares pregressas (reabilitação incompleta), os distúrbios nutricionais, os distúrbios hormonais, as alterações anatômicas e biomecânicas, as infecções e os fatores relacionados ao treinamento (o aquecimento inadequado, a incoordenação de movimentos, a técnica incorreta, a sobrecarga e a fadiga muscular).

A história clínica é marcada por dor súbita localizada, de intensidade variável, algumas vezes acompanhada de um estalido audível ou de uma sensação de pedrada. Ocorre geralmente durante a explosão muscular na corrida, salto ou arremesso e culmina com a interrupção do mesmo. A intensidade dos sinais e sintomas podem variar de acordo com a sua gravidade.

Os princípios do tratamento das lesões musculares na fase aguda seguem o método PRICE (proteção, repouso, gelo, compressão local e elevação do membro acometido).

O repouso do membro afetado mediante a utilização de órteses (tipoias, muletas, estabilizadores articulares) está indicado nos estiramentos de grande magnitude (lesões graus 2 e 3).

Durante o período de fisioterapia, há a necessidade de modificar as atividades de risco. Durante as fases iniciais deve-se permitir a mobilização do membro acometido dentro dos parâmetros de segurança, para que não haja ampliação da área de lesão.

O ultrassom auxilia na reparação cicatricial, gerando um aumento do metabolismo local, redução da inflamação e do espasmo muscular (contração involuntária), e estimula a circulação sanguínea.

O tratamento cirúrgico é raramente indicado e prioriza as lesões completas por avulsão (perda da continuidade óssea), lesões de grande impotência funcional (rupturas maiores de 50% das fibras) e dissociação importante entre os dois bordos da lesão ou nas avulsões ósseas, embora alguns autores considerem o tratamento através de fisioterapia, nessas situações, com bons resultados.




Juliana Prestes Mancuso

É formada pela Universidade Anhembi Morumbi, especializada em Fisioterapia Ortopédica e Traumatológica pelo Instituto Cohen de Ortopedia e Medicina Esportiva, Fisiologia do Exercício pela Universidade Veiga de Almeida, Fisioterapia do Sistema Musculoesquelética pela Universidade São Marcos e em acupuntura e medicina chinesa pelo Centro Científico Cultural Brasileiro de Fisioterapia. É responsável pelo site e grupo de discussão Fisioterapeutas Plugadas.



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