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Por que só consigo me relacionar platonicamente?

Anette Lewin 01/01/2016 PSICOLOGIA
Relacionamento amoroso real dá trabalho

por Anette Lewin

"Preciso de ajuda, sinto que sou completamente descontrolada no amor. Embarco sem me dar conta, na maior parte das vezes, em relações platônicas e sem correspondência. Eu já tenho 40 anos e não deveria viver desta forma, mas não sei mesmo como mudar."

Resposta: Relacionar-se platonicamente aos 40 anos sinaliza uma recusa em se relacionar de verdade. Não dá para afirmar que, nessa idade, essa recusa se dê apenas por medo, por incapacidade ou por falta de oportunidade. Podemos levantar a hipótese que a mobilização que o amor platônico causa, sem riscos, sem decepções e sem trabalho, seja uma opção percebida por você como a mais conveniente dentre as possíveis.

Não é segredo para ninguém que o relacionamento amoroso real dá trabalho. E nem todo mundo está disposto a investir nele. Você deve ouvir as histórias que suas amigas contam e, certamente, já com uma certa maturidade, não vai acreditar que com você será muito diferente.

Talvez você até queira assumir o risco de experimentar um relacionamento real para ver como é. Se assim for, fica mais fácil você imaginar que está embarcando numa experiência, do que imaginar-se vinculada seriamente com alguém para o resto da sua vida. Às vezes as propostas amorosas devem ser fraccionadas para não parecerem tão arriscadas.

Primeiro passo para se libertar do amor platônico

Nesse sentido, aí vai a primeira sugestão para você fazer uma tentativa de um relacionamento real: imagine-a como numa experiência da qual você pode sair quando quiser. Evite pensar na pessoa escolhida como sua opção definitiva. Dessa forma, caso não dê certo, você sentirá que perdeu apenas uma possibilidade, não o "grande amor da sua vida".

Tente entender também qual é o seu jeito pessoal de se relacionar com as pessoas. Mesmo que você ainda não tenha tido uma experiência amorosa, certamente tem amigos, amigas, familiares e colegas de trabalho. Pessoas com quem você se relaciona no dia a dia. Tente entender como faz para manter um diálogo com essas pessoas, como faz para agradá-las quando tem vontade, como diz um não quando não concorda com o que elas dizem. Descubra seu jeito de ser, pois é esse o jeito que você vai usar para uma conquista amorosa. Não tem muito segredo, é só tentar ser como é. Não adianta criar um personagem que depois você não vai conseguir manter. Quem se interessar por você, certamente vai apreciar suas características pessoais, inclusive suas dificuldades.

Quando você diz que não é correspondida em suas paixões platônicas, tente perceber se você deixa claro seu interesse pelas pessoas almejadas. Ninguém consegue ler pensamentos por enquanto, então tente fazer uma forcinha e expor-se de uma maneira mais clara. O máximo que você pode ouvir é um não. E partir para outra tentativa.

Manutenção é mais importante que conquista

Por fim, lembre-se que nos relacionamentos amorosos a conquista é apenas o início. O mais importante é a manutenção. Volte-se novamente para dentro e tente entender como você mantém seus vínculos. Certamente você tem pessoas que estão na sua vida há bastante tempo, não é? E certamente você trabalhou para mantê-las por perto. Afinal, qualquer relacionamento tem que ser cultivado para durar. Não haveria de ser muito diferente no campo amoroso. Assim, tente desmistificar o amor, caso você queira vivê-lo de fato. Nem que seja para tirar suas próprias conclusões sobre essa vivência e resolver por si própria se é melhor viver sozinha ou com alguém.

Vya Estelar Responde

Vya Estelar quer colocar você, querido leitor, mais perto ainda de nós. Esse profissional irá responder dúvidas enviadas pelos internautas sobre um determinado tema. A psicóloga Anette Lewin responderá sobre relacionamento amoroso, conflitos na vida a dois e conjugal. Esta resposta possui dois formatos: 1º formato: responder as perguntas enviadas pelos leitores. 2º) formato: de A a Z, explicar através de uma palavra em específico (verbete) o significado do que sentimos ao amar. Esta palavra será extraída de um e-mail enviado pelo leitor a esta coluna. Os e-mails serão selecionados e editados de acordo com critério editorial do Vya Estelar, já que não será possível responder a todos. Seu nome e e-mail serão preservados.

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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental.



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