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Morte de um ente muito querido pode causar transtorno mental?

Joel Rennó Jr. 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Hipocondria não é considerada uma doença pela OMS

por Joel Rennó Jr.

Como superar isto? Existe algum perigo em ser hipocondríaco?

Resposta: Para grande parte da sociedade, a hipocondria é tema jocoso e desrespeitoso, com piadas inadequadas. Afinal, quem nunca cismou ou conhece alguém que teima estar doente, mesmo sem apresentar sinais claros de doença? O problema é que para algumas pessoas a crença de que há algo errado com elas interfere no dia a dia, causa angústia e até depressão. Nesses casos, a doença imaginária provoca um sofrimento verdadeiro. E há situações em que o quadro perdura por anos devido à falta de interesse dos profissionais de saúde pelas queixas do hipocondríaco. Ele anda de um consultório para outro sem encontrar um médico disposto a lhe apontar uma saída.

A hipocondria é um transtorno mental se o indivíduo tem medo de padecer de uma moléstia grave, persiste nesse tormento mesmo após avaliação médica, sofre por causa disso e tem a vida social prejudicada em virtude de seu estado. A hipocondria não é considerada uma doença pela Organização Mundial de Saúde, porque não apresenta um conjunto claro de sintomas. Classificada como um transtorno, atinge mais de 1% da população mundial.

O risco de *iatrogenia é grande. Há casos insistentes de pacientes que conseguem até convencer seus médicos a fazerem determinadas cirurgias. Como médico, eu já presenciei, infelizmente, casos de pacientes que foram submetidos a várias cirurgias desnecessárias e até tiveram lesões decorrentes.

Principais sintomas do hipocondríaco

- Grande sensibilidade para identificar movimentos, sons, ruídos e outros sinais do corpo que passariam despercebidos para a maioria das pessoas.
- Dar importância demais a qualquer sinal físico ou dor, costumam ficar ansiosos e temerosos.
- Impressão de que qualquer dorzinha ou desconforto é sinal de doença grave.
- Tomar remédios com frequência, sem prescrição médica.
- Ter necessidade de consultar vários médicos, apesar de vários deles terem feito o mesmo diagnóstico com base nos resultados dos exames. Geralmente, andam com inúmeros exames arquivados em pastas nas suas peregrinações pelos profissionais
- Viver com a suspeita constante de ser portador de alguma enfermidade grave.

A doença tem até tratamento, que consiste em psicoterapia e, às vezes, medicação (antidepressivos e ansiolíticos). É perigoso o uso de medicamentos autoprescritos, com riscos de efeitos colaterais graves e intoxicações. A associação com transtornos de humor e ansiosos também é comum.

Alguns médicos podem se irritar ao deparar com um paciente cheio de lamentações, porém sem sintomas reais. E muitos profissionais cedem às queixas. O médico deve usar toda a sua sensibilidade e conhecimento para conseguir ajudar o paciente.

*Iatrogenia: qualquer alteração patológica provocada no paciente por um procedimento médico errôneo ou inadvertido, isto é, feito sem reflexão

Atenção!

Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracterizam como sendo um atendimento. Dúvidas e perguntas sobre receitas e dosagens de medicamentos deverão ser feitas diretamente ao seu médico psiquiatra. Evite a automedicação.




Joel Rennó Jr.

Dr. Joel Rennó Jr. MD, Ph.D. Professor do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria da USP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein- São Paulo. Coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa de Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). www.psiquiatriadamulher.com.br



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