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Mulher pode buscar sua identidade feminina sem referência do patriarcado

Redação Vya Estelar 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
Não sabemos direito o que é ser uma mulher não definida pelo patriarcado

por Cristina Balieiro

A cultura em que nós ocidentais vivemos há pelo menos seis séculos pode ser definida como patriarcal, uma cultura, entre outras coisas, hierárquica, que valoriza o princípio da força, do domínio e do masculino e que sempre subjulgou as mulheres de uma forma ou outra.

Mas desde o começo do século XX e, principalmente a partir de sua segunda metade, o movimento feminista (e outros movimentos libertários) vêm bombardeando essas práticas de submissão feminina (e de outras minorias), em termos políticos, culturais e nas relações cotidianas entre homens e mulheres.

Não quero discutir os acertos e erros do movimento feminista, mas me parece totalmente lógico: se uma cultura considera que metade da população possa e deva dominar a outra metade... essa cultura TEM que ser questionada.

Patriarcado não é "coisa" de homem

E o patriarcado não é “coisa” de homem: é uma cultura baseada no poder que fere e limita tanto as mulheres quanto os homens e tira o poder real e simbólico das mulheres e de tudo que possa ser visto como “feminino”. Esses milênios de dominação tiveram um preço bem alto: ocultaram, distorceram e desonraram o Princípio Feminino. Nós mulheres contemporâneas, nascidas nessa cultura (que apenas engatinha para se modificar), não sabemos direito o que é ser uma mulher “não definida pelo patriarcado”. Precisamos juntas buscar essa identidade.

E um dos principais modos de acessar nas mulheres de hoje, sua mais autêntica vitalidade, seu prazer de viver como mulher e seu poder pessoal é mergulhar no Feminino Profundo que vive no inconsciente, nos mitos, nos contos de fada, na arte e nas deusas.

Falar das deusas é uma nova maneira das mulheres falarem de si e de suas novas possibilidades; é uma nova linguagem simbólica, e como todo símbolo vivo, pode alimentar nossa alma.

Eu acredito, como dizia o grande estudioso de mitologia comparada - Joseph Campbell - que todas as deusas são “máscaras da Deusa”, são as máscaras que as diferentes culturas e tradições revestem o Sagrado. E não estou falando de religião, mas de transcendência e de experiência pessoal com o aspecto *numinoso, espiritual. Acredito que todas as deusas e não importa a tradição, “carregam” e nos trazem aspectos do Feminino Sagrado e de seus Mistérios.

E todas as deusas também ao mesmo tempo são metáforas dos processos psicológicos humanos, simbolizam aspectos que existem em potencial em todas as mulheres, os já vividos e os ainda não.

Vou então, a partir de agora,  em alguns artigos que escrevo aqui no Vya Estelar falar sobre deusas, sempre do ponto de vista de seu aspecto simbólico e de “ensinamentos” que elas podem trazer para nós. É importante ressaltar que como todo mito e todo símbolo, se prestam a inúmeras interpretações, por isso são tão ricos. O que vou dar é uma interpretação.

Mas não é só minha, todas as interpretações para as diferentes deusas que vou fornecer, são fruto do trabalho com inúmeros círculos de mulheres que eu e minha “irmã de alma”e companheira de jornada, Cassia Simone fizemos e fazemos desde 2008. Essas carregam as vozes e as almas de MUITAS mulheres!

* Sentimento único vivido na experiência religiosa; a experiência do sagrado em que se confundem a fascinação, o terror e o aniquilamento. Fonte: Dicionário Aurélio




Redação Vya Estelar

Ângelo Medina é editor-chefe do portal Vya Estelar. É jornalista e ghost writer. Com 30 anos de experiência, iniciou sua carreira na cobertura das eleições à Prefeitura de São Paulo em 1988 (Jornal da Cultura). Trabalhou no Caderno 2 - O Estado de São Paulo, Revista Quatro Rodas (Abril). Colaborou em diversas publicações e foi assessor de imprensa no setor público e privado. Concebeu o site Vya Estelar em 1999. É formado em Comunicação Social pela UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora.



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