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Idoso deve participar da tomada de decisões em todas as esferas da sociedade

Elisandra Vilella G. Sé 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Ser cidadão é compreender e saber situar a própria existência

por Elisandra Vilella G. Sé

Todos nós temos como ofício favorecer a cidadania. Esta é bem maior que a simples intenção e acontece a partir do processo das relações sociais historicamente determinado.

Cidadania não pode ser vista só à moda do momento em termos de palavras e não de ações, só por que estamos em época de eleições.

A democracia é um problema central do mundo moderno, mas a questão é complicada devido às interpretações dadas a ela por meio de alinhamentos políticos.

Os governantes podem nos falar em modernidade, em Primeiro Mundo, em melhor distribuição de renda, em melhoria da qualidade de vida... Enfim, podem nos falar em todas as regras e fatores que fazem parte de uma democracia, mas ao verificarmos a realidade os discursos são vazios em ações.

Para compreender a cidadania é necessário refletir sobre a questão da consciência de si (individual) e da consciência da classe trabalhadora na luta pela construção de uma democracia mais justa e igualitária. Só assim poderemos entender como a maioria da população exerce sua cidadania, pois o cidadão goza de igualdade abstrata e procura conquistar, por meio de esforço de articulação política, a igualdade nas condições reais de vida.

Muito foram os movimentos sociais e políticos que fizeram a trajetória histórica na luta cotidiana e na sociedade civil para um espaço de cidadania e ampliação de direitos individuais e sociais. E os idosos de hoje vivenciaram muitos desses movimentos na luta pela inclusão social.

De 1930 até o início dos anos da década de 1980, com as Diretas Já, os trabalhadores e mulheres foram os que mais lutaram por seus direitos. Lutaram por questões sociais que passaram a ser de todos; estava então declarado o processo de reconstrução da cidadania.

Atualmente, reconhece-se uma sociedade em que homens, mulheres, velhos, jovens, negros e brancos são iguais em direitos e obrigações, mas onde a exclusão existe e só será superada a partir de ações dos próprios excluídos na tomada de consciência para sair desse estado e defenderem na luta social seus interesses e direitos democráticos.

Exercer cidadania vai além do voto, ser cidadão é compreender e saber situar a própria existência e, juntos, lutar por benefícios e direitos coletivos. As pessoas idosas devem ser participantes plenas no processo de desenvolvimento e partilhar também os benefícios alcançados. Não se deve negar a ninguém a possibilidade de beneficiar-se do desenvolvimento.

Os efeitos do envelhecimento da população sobre o desenvolvimento socioeconômico da sociedade, juntamente com as mudanças sociais e econômicas que acontece em todos os países, cria a necessidade de adotar medidas urgentes para garantir a constante integração e capacitação de idosos.

Esperamos dos homens e mulheres envelhecidos em sucessivos períodos governamentais de tradição protecionista que continuem tendo a oportunidade de conhecer a realidade, participar dela, criticá-la, refletir, tomar decisões, enfim serem sujeitos da história.

Uma sociedade para todas as idades inclui o objetivo de que os idosos tenham a oportunidade de continuar contribuindo para ela.




Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



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