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Inteligência muda e gera comportamentos inteligentes

Elisandra Vilella G. Sé 01/01/2016 COMPORTAMENTO
A inteligência é uma construção ...

por Elisandra Vilella G. Sé

A inteligência é definida como a capacidade global do indivíduo de raciocinar e agir no seu ambiente, no contexto social e cultural.

Inclui todas as habilidades da mente: percepção, linguagem, memória, habilidade motora, capacidade de estimativa, planejamento, raciocínio lógico-matemático.

Dessa forma, são muitas as competências intelectuais que adquirimos ao longo da vida. Dentre elas:

- expressão e compreensão verbal;

- manuseio de objetos;

- flexibilidade de pensamento;

- criatividade;

- habilidade de calcular;

- formação de conceitos abstratos e de opinião;

- capacidade de indução e de inferência (capacidade de deduzir);

- capacidade de estimativa;

- capacidade de julgamento;

- capacidade de atenção, percepção e memória.

Inteligência gera comportamentos inteligentes

Todas as capacidades que adquirimos desde a infância e adolescência vão se aperfeiçoam ao longo da vida e seu ápice ocorre na vida adulta. Por isso existe a tendência de se associar sabedoria à velhice. Mas a inteligência muda ao longo da vida e as mudanças que ocorrem nos comportamentos geram outros comportamentos chamados de inteligentes. Ou seja, a capacidade para desempenhar algo como controlar finanças, falar em público e dirigir pode ser aperfeiçoada e gerar comportamentos cada vez mais competentes.

Cada vivência do mesmo tipo de situação, leituras, conversas e desafios experenciados são atualizados e ou reformulados a todo o momento, o que implica o crescimento de nosso conhecimento em relação ao mundo e em relação aos conhecimentos procedurais (agir em situações particulares), etc. Por isso, a inteligência é uma construção. O mundo não nos é dado pronto e acabado, construímos o nosso mundo. E essa construção sofre influência das nossas convicções, crenças, atitudes diante da situação, bem como de todos os nossos conhecimentos prévios armazenados e é por isso que envolve a memória.

Portanto, boa parte do conhecimento aprendido ou aprimorado pode ocorrer de forma inconsciente.

Os comportamentos inteligentes são expressos de várias formas. Desempenhos intelectuais são formas particulares e preferidas de processar informações, mas vão além de processá-las. São nossos esquemas mentais ou modelos mentais, também chamados modelos cognitivos, scripts mentais, estratégias e competências que se traduzem em inúmeras inteligências.

Oito tipos de inteligência:

1º) Inteligência prática

Envolve as competências para atividades do dia a dia, que permite a pessoa viver de forma independente. Refere-se às atividades que são na maioria das vezes orientadas às metas pessoais, ou seja, a atividade tem um objetivo, um propósito, como por exemplo, aprender um curso de artesanato, uma dança.

2º) Inteligência criativa

Refere-se à atividade inventiva, à capacidade do indivíduo criar algo que não existe para sua sobrevivência, significa ter um pensamento original. A criatividade se exprime de diferentes maneiras e uma das mais importantes na etapa adulta, é a capacidade de dar diferentes respostas perante as situações da vida. Significa saber lidar de forma criativa com adversidades, situações desafiadoras, etc.

3º) Inteligência tecnológica

Compreende a utilização de ferramentas para usar no seu ambiente: computadores, celular...

4º) Inteligência reprodutiva

Significa saber lidar com esquemas sequenciais, com algarismos, habilidade de lidar com tarefas numéricas.

5º) Inteligência emocional

Consiste em saber lidar com suas próprias emoções e de outrem e saber orientar pensamentos e ações na vida social, envolve empatia, autoconhecimento, automotivação e autovalorização.

6º) Inteligência social

É ter a capacidade de conhecer e se ajustar às regras sociais; saber como os comportamentos devem ser, internalizar normas e padrões aceitáveis de uma dada cultura e se comportar de maneira adequada em cada situação sociocultural. Significa cognição social.

Pesquisadores afirmam que todas as habilidades intelectuais utilizam uma capacidade intelectual geral, mas também recorrem a habilidades especializadas. O uso dessas depende da tarefa intelectual proposta, como por exemplo: tarefa numérica, controle de finanças, ministrar uma aula, um seminário, etc.

Existem duas dessas habilidades especializadas que podemos mencionar:

7ª) Inteligência fluída

É a capacidade da pessoa resolver problemas, sobretudo problemas novos. Inclui o raciocínio lógico e a formação de conceitos. Essa capacidade de resolver problemas não necessitam de instruções e de fatores socioculturais. Na maioria das vezes, seu funcionamento é influenciado por mecanismos biológicos e que independem de educação formal.

8ª) Inteligência cristalizada

Envolve conhecimentos que a pessoa adquiriu durante a vida por meio de sua experiência e história de vida. Aproxima do que geralmente chamamos de “sabedoria”. São as ações e capacidades de resolver problemas práticos por meio de experiências que se cristalizam e formam modelos cognitivos, modelos de conhecimentos que ajudam a atuar em diversas atividades. Diz respeito às competências que podem ser transmitidas de geração a geração. Portanto, podemos afirmar que sabedoria é cultura em ação. A pessoa é capaz de resolver problemas com base em experiências e conhecimentos existentes. Tanto problemas de origem práticas ou morais.

A inteligência cristalizada é influenciada pelas questões socioculturais e podem desenvolver-se com a idade e apresentar progressos. É fruto das nossas práticas culturais. São formas de pensamentos complexos e sofisticados que a pessoa aprimorou ao longo da vida. Podemos chamar de sabedoria.

A sabedoria se desenvolve numa vida rica em estímulos e experiências em associação com elementos motivacionais, sociais e de personalidade. A inteligência cristalizada e a sabedoria dependem da integração de funções biológicas e de experiência sociocultural.

O aumento de “estoque” de conhecimento pode facilitar o desempenho intelectual na vida adulta e na velhice. São essas as possiblidades que a inteligência nos dá. De atuar no mundo de diferentes maneiras utilizando o conhecimento para diversos fins e mudando e aprimorando habilidades e sempre aprendendo algo novo. E a linguagem sendo uma forma de ação no mundo, integrada com todas as outras capacidades cognitivas, é a principal habilidade do ser humano, pois a linguagem é uma ação conjunta, que nos permite a interação e construção de sentidos e significados das nossas ações no mundo.

A possibilidade de viver uma velhice normal, saudável e alcançar sabedoria é descrita em termos de poder vivê-la bem. Consiste em obter melhores resultados das capacidades que se tem.

Porém, envelhecer bem depende das chances do indivíduo usufruir de condições adequadas de educação, urbanização, habitação, saúde e trabalho durante todo o seu curso de vida. É evidente que essa adequação é relativa às estruturas e valores vigentes numa sociedade. Portanto, mudanças no desenvolvimento intelectual na velhice podem ocorrer de modo diferente para diferentes pessoas. Deve-se na medida do possível dar continuidade no desenvolvimento de habilidades intelectuais, recuperando os déficits, otimizando os talentos, aprendendo algo novo e compensando capacidades para preservar o potencial de desenvolvimento mental.

Assim, o que temos de mais precioso é a razão, a chave para desvendar o mundo e para aprimorar a si mesmo. A mente humana é um dom da vida. Suas possibilidades ao longo da vida são inúmeras, sempre há tempo para aprender, criar, imaginar, ensinar, decidir, experenciar, praticar atividades prazerosas, agir, cantar e acreditar. E fazendo vários tipos de atividades você não se prenderá a um tipo de raciocínio, se abra cada vez mais para novos talentos e possibilidades da mente humana.




Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



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