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Erotomania: delírio psicótico do amor

Tatiana Ades 01/01/2016 PSICOLOGIA
Delírio e a obsessão podem persistir por uma vida toda

por Tatiana Ades

Poucos conhecem o termo, mas a erotomania é uma crença delirante na qual a pessoa acredita que outra pessoa está ligada a ela, de forma intensa e forte, geralmente alguém de posição social mais alta; pessoas famosas e. em menos frequência, conhecidos.

O delírio e a obsessão podem persistir por uma vida toda e a paranoia consiste em crer que exista uma ligação incondicional entre eles, mesmo que não se conheçam.

A sensação que essas pessoas descrevem é de que, na verdade, o ser amado, sabe exatamente da relação entre eles e envia sinais como prova de amor.

Um exemplo, seria uma pessoa com a erotomania se apaixonar por uma atriz famosa, ele acreditará que as falas dessa atriz em um determinado filme são mensagens para ele, gestos da atriz são propositais e direcionados a ele.

Na maioria dos casos o doente ficará fixado, mas não tentará uma aproximação física.

Mas temos casos em que ele descobre endereços, telefones e inicia um contato, percebendo reação de medo ou descaso do ser amado, sente-se indignado e traído, podendo chegar ao ato de homicídio seguido de suicídio.

Essa doença é a crença obsessiva num amor que nunca existiu, mas foi criado. A mente da pessoa fica presa à imagem da outra 24 horas por dia, tentando decifrar sinais de comunicação entre eles e fantasiando com esse amor secreto, que apenas ambos "sabem" e compartilham.

As pessoas com esses delírios estão classificadas como psicóticas e é muito difícil que busquem ajuda profissional, pois não acreditam que estejam fantasiando.

Geralmente pensam que é apenas questão de tempo para que ele se junte ao ser amado e idolatrado para sempre.

A pessoa com esse transtorno tende a perder trabalho, amigos e ficar isolada em casa, apenas em busca de sinais do outro.

O tratamento, quando feito, geralmente acontece apenas quando alguém da família leva a pessoa delirante à força e existem bons resultados para o mesmo.

É imprescindível trazer a realidade à tona e fazer a pessoa encarar o mundo de fantasias amorosas que criou e acreditou.




Tatiana Ades

É psicanalista e escritora e teatróloga. Em seus livros, o foco de estudo é o comportamento humano e o amor patológico. Tem em seu currículo várias peças escritas e encenadas nos teatros de São Paulo, além de ter concorrido ao prêmio Shell de melhor texto teatral com Os Viúvos – Teatro Ruth Escobar (2003). Como escritora, em 1998, ganhou um concurso com o conto O silêncio da raposa. Eles são o resultado de uma pesquisa de três anos: Hades – Homens que amam demais e As escravas de Eros.



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