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Como escolher um acupunturista e quando o tratamento é recomendado

Redação Vya Estelar 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Alex Botsaris

Há mais de 10 anos temos a acupuntura reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina. Apesar disso, ela ainda não foi regulamentada pelo Congresso Nacional. Há um projeto de Lei que navega ao sabor de pressões corporativas, há mais de oito anos e esbarra na falta de vontade política de desagradar essa ou aquela categoria. Por isso o mercado tem todo tipo de profissional atuando.

Sabemos que há muitas opções para pessoas se formarem em acupunturistas, então vale abordarmos por aqui alguns conselhos para facilitar o reconhecimento de um profissional capacitado. Por exemplo, alguns cursos disponíveis atualmente ainda não exigem que o aluno tenha formação superior na área de saúde. *Para esse tipo de profissional, é importante exigir que tenha concluído curso específico com no mínimo 1.600 horas/aula, que inclua todas as matérias de um ciclo básico da saúde. Mesmo assim deverá estar sob supervisão de um médico durante sua prática.

Do outro lado de opções, como recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS), temos médicos com cursos de especialização em acupuntura e outros que chegam a ter título de especialista, assim como os melhores ginecologistas e cardiologistas, por exemplo. Isso significa que fizeram uma prova nacional organizada por duas instituições sérias: a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Associação Médica Brasileira de Acupuntura (Amba). Então, quando for a um especialista, procure se informar um pouco sobre o tipo de especialização que ele teve.

Essa capacitação do especialista é importante até porque essa técnica milenar exige bastante perícia e conhecimento para sua aplicação correta. Hoje em dia outros profissionais como enfermeiros e fisioterapeutas regulamentaram em seus conselhos a especialidade em acupuntura, e muitos especialistas estão se formando.

Outro parâmetro que pode ser empregado na avaliação do profissional é sua formação complementar. Muitos médicos e outros profissionais têm ido à China ampliar seus conhecimentos e ganhar experiência, justamente no berço da acupuntura. Isso e muito desejável pois os capacitam mais, ampliando perícia e capacidade técnica. Quem tem mestrado ou doutorado na área da saúde num tema ligado a acupuntura, também possui um grande diferencial. Em geral são profissionais altamente capacitados e que se aprofundaram em tudo de inovador produzido sobre acupuntura nos últimos anos.

Desde 1999 o Ministério da Saúde (MS) acompanha a evolução das consultas públicas em acupuntura em todo país. Os dados desse sistema apontam um crescimento em todas as regiões. Em 2003, por exemplo, foram mais de 180 mil consultas em postos e hospitais, com maior concentração de médicos acupunturistas na Região Sudeste. Eles são 213, dos 376 cadastrados no sistema. Recentemente, o MS finalizou as bases para a sistematização dessa prática pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que ampliará consideravelmente o acesso à população. Em todas unidades onde foi implantada, a acupuntura tem ganhado espaço e reconhecimento, em virtude dos bons resultados que consegue.

Depois de mais de 25 anos de pesquisa, expressa em cerca de 3500 estudos científicos publicados sobre acupuntura, muito foi revelado sobre seu funcionamento. Estímulos de pontos de acupuntura provocam reações no organismo como bloqueio da dor, modulação dos estímulos elétricos entre os neurônios, relaxamento da musculatura em espasmo, estímulo das funções imunológicas e da secreção de hormônios, além de aumento da concentração de neurotransmissores importantes, entre as quais a endorfina e a serotonina. A acupuntura ainda aumenta o número de conecções nervosas entre as células nervosas, o que cria novos caminhos para um estímulo passar. Isso pode explicar a sua ação melhorar seqüelas neurológicas.

Quando tratar com acupuntura?

A OMS recomenda esta prática nas seguintes condições patológicas: enxaqueca e dores crônicas; resfriados, gripes e sinusite aguda; labirintite aguda e crônica; asma e alergia respiratória; paralisia facial e neuralgia do trigêmeo; seqüelas de acidente vascular cerebral ('derrame') e outras de origem neurológica; gastrite e distúrbios digestivos específicos; cólicas e constipação intestinais; síndrome de cólon irritável; irregularidades menstruais e dismenorréia; cólica nefrética; tendinites, distensões musculares e contusões; artrose, dores na coluna e ciática.

Na China, a acupuntura é muito empregada no tratamento de seqüelas neurológicas em geral, problemas associados ao estresse, gripes e resfriados, dores em geral, vertigem, problemas psiquiátricos, dependência de drogas, náuseas e vômitos e até para anestesia cirúrgica. Existem ainda outras indicações, mas essas são as mais freqüentes.

Muitas pessoas acreditam que a acupuntura é apenas um procedimento paliativo, cujo maior emprego é no controle da dor. Na realidade, quem determina a possibilidade de cura é a natureza da doença em si, e não o tratamento utilizado. A acupuntura pode ser usada para tratar e curar ou então apenas como paliativo dependendo do problema que está sendo tratado. Por exemplo, uma dor nas costas causada por um espasmo muscular, vai ser tratada e curada. Já em uma lesão neurológica causada por um trauma ou uma *doença desmielinizante, o tratamento por acupuntura pode reduzir os sintomas, mas a pessoa ficará com seqüelas, independente do tratamento feito.

*Doenças dismielinizantes são aquelas que causam lesão à capa dos nervos que é chamada de bainha de mielina pela medicina. Ao perderem sua capa, os nervos perdem a capacidade de consuzir estímulos, causando vários sintomas especialmente senitivos e motores.

*Essa recomendaçao é só para acupunturistas sem formaçao superior na área da saúde.

Atenção!
Este texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico e não se caracterizam como sendo um atendimento.




Redação Vya Estelar

Ângelo Medina é editor-chefe do portal Vya Estelar. É jornalista e ghost writer. Com 30 anos de experiência, iniciou sua carreira na cobertura das eleições à Prefeitura de São Paulo em 1988 (Jornal da Cultura). Trabalhou no Caderno 2 - O Estado de São Paulo, Revista Quatro Rodas (Abril). Colaborou em diversas publicações e foi assessor de imprensa no setor público e privado. Concebeu o site Vya Estelar em 1999. É formado em Comunicação Social pela UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora.



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